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Diário da Região

28/06/2015 - 00h00min

Laura Muller

‘Meu amigo quer saber...’

Laura Muller

Divulgação “No programa ‘Altas Horas’, sempre os meninos e as meninas começam a pergunta assim: ‘Eu tenho um amigo...’ Nunca a pergunta é dele. O título veio dessa ideia, e eu achei que combinava bem”, diz Laura Muller
“No programa ‘Altas Horas’, sempre os meninos e as meninas começam a pergunta assim: ‘Eu tenho um amigo...’ Nunca a pergunta é dele. O título veio dessa ideia, e eu achei que combinava bem”, diz Laura Muller

Desde que Laura Muller começou a tirar dúvidas sobre sexualidade, em 2007, no programa "Altas Horas", da TV Globo, ela vem acumulando experiência, orientando e aprendendo com cada pergunta. Trabalhando com o tema desde 1990, ela observou, que sempre há a dúvida "do amigo". Aquela pergunta que às vezes o jovem ou adulto quer fazer, mas não sabe muito bem como. Inspirada nessas perguntas descontraídas, ele acaba de lançar "Meu amigo quer saber... Tudo sobre sexo". 

Editado pela Leya, o livro tem 160 páginas e 11 capítulos. Além das perguntas feitas pelos jovens no programa, Laura selecionou as principais dúvidas coletadas no dia a dia, em palestras, sessões de autógrafos e bate-papos ao vivo ou via redes sociais, aplicativos, blogs, sites e outros canais de comunicação. "Juntei tudo isso e falo de uma forma bastante descontraída das principais dúvidas que angustiam os jovens brasileiros", revela. A revista Bem-Estar conversou com a sexóloga, psicóloga, palestrante e jornalista sobre sua carreira e o novo livro. 

Revista Bem-Estar - Quando e por que você decidiu se tornar uma especialista em sexualidade?
Laura Muller - Foi nos anos 90, quando surgiu uma vaga de editora de sexo na revista Claudia. Eu era jornalista e até então tinha apenas essa formação, e não de psicologia. Topei esse desafio e achei muito difícil editar uma área tão complexa num assunto tão complexo que é o da sexualidade. Fui fazer uma pós-graduação em educação sexual, me especializei no assunto, lancei meu primeiro livro, comecei a dar palestras, me apaixonei pela área e aí migrei. A partir daí, surgiram as palestras Brasil afora e as pessoas começaram a pedir para eu atender em consultório e você só pode fazer isso se for médico ou psicólogo. Aí fui fazer psicologia, como segunda formação. Hoje, eu trabalho como psicóloga, especialista em sexualidade, e continuo com ações de educação sexual pelo Brasil e também com ações na mídia. 

Bem-Estar - Como surgiu o convite para participar do programa "Altas Horas"? Você tem uma noção de quantas perguntas já respondeu no programa?
Laura - Não tenho a mínima noção. São milhares de perguntas, cada vez elas são mais divertidas. E o convite surgiu próximo ao lançamento do meu segundo livro, que foi em 2006. O livro era exatamente de perguntas e respostas sobre o mundo jovem. E o Serginho Groisman estava com a ideia de montar um quadro de sexo para fazer exatamente o que tinha feito no livro. E aí começou em abril de 2007 e tá aí até hoje.

Bem-Estar - Por que o título "Meu amigo quer saber... Tudo sobre sexo"?
Laura - É uma brincadeira que acontece muito no programa "Altas Horas". Sempre os meninos e as meninas começam a pergunta assim: 'eu tenho um amigo...' Nunca a pergunta é dele. O título veio dessa ideia, e eu achei que combinava bem, ainda mais porque nesse novo livro ele é inspirado nos bate-papos do 'Altas Horas', nas dúvidas que as pessoas enviam nas palestras, e acho que tem tudo a ver com esse momento e o clima de falar de forma descontraída de educação sexual. 

 

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Bem-Estar - O livro traz perguntas das mais variadas e sobre os principais temas que interessam e trazem inquietação e curiosidade para os adolescentes...

Laura - O que digo sempre nas palestras e no 'Altas Horas' é que pra gente viver bem a sexualidade a gente precisa de uma atitude de buscar orientação, de esclarecer as duvidas do que está incomodando, do que está preocupando, e a partir daí, com menos mitos, e mais informações, é possível fazer escolhas mais saudáveis, prazerosas e também mais responsáveis no campo da sexualidade. 

Bem-Estar - Na sua opinião, o livro pode ser uma alternativa para que os jovens possam tirar as dúvidas sobre a sexualidade? Uma espécie de livro de cabeceira? 
Laura - Essa é a ideia. O livro inteiro é de perguntas e respostas. É pra isso. Pra esclarecer a maioria das dúvidas sobre sexualidade. 

Bem-Estar - Na sua opinião, a sexualidade dos jovens ainda é um tabu?
Laura - Sim. Não só dos jovens, mas como dos adultos também. Sexo ainda é tema tabu na nossa sociedade e cultura. A gente está muito mais aberto para falar sobre isso do que algumas décadas atrás, mas ainda é muito difícil conversar sobre sexualidade. E essa dificuldade eu observo nas escolas, em casa, nos relacionamentos entre os casais e entre os jovens também. 

Bem-Estar - Apesar de toda evolução e informação a que o jovem tem acesso, tamanho do pênis, orgasmo feminino, ponto G, ejacula
ção precoce e pílula continuam sendo os temas mais debatidos?
Laura - Estes temas todos estão abordados no livro e são temas debatidos porque eles envolvem muitos mitos, como tamanho não é documento, mulher que tem que ter orgasmo sempre, que o ponto G vai dar aquele superorgasmo, que a ejaculação não pode ser rápida, tem que ter jeito de controlar e a pílula. Então, na verdade, as dúvidas do jovem giram em torno de três grandes eixos: gravidez fora de hora, como evitar e lidar com as doenças sexualmente transmissíveis e a prática do sexo em si, que inclui o afeto, o prazer e a diversidade sexual. 

Bem-Estar - Os pais ainda têm dificuldade em falar com os filhos sobre sexo?
Laura - Têm. Os adultos de hoje não tiveram aulas de educação sexual na sua infância e o tema ainda é difícil. Pais também podem ler o livro, porque eles vão ter um panorama de como anda a sexualidade do jovem brasileiro, as principais dúvidas, e como esclarecê-las. 

Bem-Estar - Como a sexualidade deve ser encarada dentro dos lares?
Laura - Da forma mais aberta possível. Quando for possível, abrir o campo para o diálogo, isso vai ser bastante interessante. Os pais precisam saber que eles não precisam saber responder todas as dúvidas sobre sexo. É muito difícil, nem os sexólogos sabem todas as respostas. Mas se tiver um campo aberto para o diálogo, um porto seguro para o jovem levar essas dúvidas e inquietações, a família pode descobrir junta, os jovens com os adultos, como esclarecer as dúvidas e como ter uma forma de olhar para a sexualidade de um jeito mais saudável. 

Bem-Estar - E qual é o papel da escola quando o assunto é sexualidade dos jovens?
Laura - Papel fundamental. É sugestão dos parâmetros curriculares nacionais, desde 97, que o tema sexualidade seja transversal no ensino público e também particular, a partir dos 6 anos. Então, não é só para o mundo jovem. A escola tem um papel fundamental da orientação básica e sobre educação sexual para criança, para o pré-adolescente e para o adolescente, mas isso eu falo em outro livro, o anterior, "Educação sexual em oito missões - uma guia para professores e pais".

TRECHOS DO LIVRO

Um amigo meu quer saber: é normal um jovem de 19 anos nunca ter transado? 
E daí se o jovem ainda não transou? Não há uma idade certa para a pessoa ter a primeira relação sexual. Isso depende de uma série de fatores. O principal deles: você precisa achar que chegou mesmo a hora. Não vale a pena transar apenas por motivos como "estou me achando velho demais para começar". 
 
Ouvi falar sobre pílula vaginal. O que é isso? 
É uma pílula anticoncepcional que age da mesma forma que a oral. A única diferença é que você introduz a pílula na vagina.
 
Ouvi dizer que a pílula do dia seguinte faz mal. Faz mesmo? 
Laura: Se for usada com muita frequência, pode fazer mal, sim, ao organismo, pois é uma grande dosagem hormonal. Pode provocar alterações menstruais significativas e outros problemas, como náuseas, enjoos ou vômitos

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