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Comportamento

Fome Emocional

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    • São José do Rio Preto
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Você fica estressado e come? Está triste ou frustrado e consome rapidamente uma barra de chocolate? Se a resposta for sim, cuidado. Sua alimentação está sendo usada como válvula de escape para seus sentimentos negativos. Trata-se da fome emocional. 
Grande parte das pessoas é viciada e compulsiva com a alimentação, mas nem sabe disso. Acaba de almoçar, minutos depois já sente vontade de comer um doce e ingere calorias que o corpo não precisa.

O ato de comer deixa de se limitar apenas à função nutritiva e passa então a se relacionar com processo afetivos e socioculturais. Kátia Ricardi de Abreu, psicóloga clínica e organizacional, afirma que as pessoas estão se preenchendo com alimentos quando necessitam de afeto. "Como a necessidade de afeto continua existindo, mesmo depois que o prazer gerado pelo alimento acontece, mais atalhos serão necessários para preencher o vazio. Apenas quando se adquire a consciência da real necessidade (afeto e não alimento), é que se pode iniciar o processo de cura." 

A fome emocional surge porque homens e mulheres não estão sabendo identificar quais são suas reais necessidades e, para acabar com o desconforto, rapidamente procuram alívio da forma mais fácil e rápida. "A comida é o atalho que vai dar alívio a este desconforto. A base do tratamento da obesidade é justamente resgatar esta conexão perdida em alguma fase do desenvolvimento. O que mais leva as pessoas a adquirirem sobrepeso é a necessidade de afeto substituída por alimento", afirma Kátia. Carol Camara, nutricionista funcional e esportiva, explica que tudo no corpo é química e as emoções favorecem a modulação de neurotransmissores cerebrais, que controlam e desencadeiam as reações químicas, favorecendo ou não a fome. 

"A fome está ligada às emoções desde criança. Na infância, já recebemos uma recompensa se fazemos algo de bom, e isso fica armazenado na memória. Ligamos a fome à recompensa (eu mereço), à tristeza (comemos se estamos tristes) e à felicidade (comemorações como emprego, aniversário e relacionamentos)." É possível tratar a fome emocional e contribuir para uma relação mais equilibrada e prazerosa com a comida. A nutricionista funcional e esportiva afirma que as pessoas podem melhorar tal condição por meio de nutrientes vindo da própria alimentação, ou de suplementos, quando o caso é mais grave, contribuindo para formação de neurotransmissores que, dependendo dos sintomas emocionais, vão causar desde sensações de bem-estar, como a serotonina, a de recompensa, como a dopamina.

Sinais do desequilíbrio

Assim como acontece com as doenças físicas, alguns sinais ajudam a identificar a fome emocional. Dois sinais são a falta de controle e o desejo urgente de comer. Kátia Ricardi de Abreu, psicóloga clínica e organizacional, explica que, quando as pessoas não saciam sua fome emocional, elas adoecem - aparecem doenças físicas e psíquicas. "O corpo entra em desequilíbrio, mesmo que não seja algo grave. As manifestações podem se agravar à medida em que os sinais vão sendo negligenciados ou substituídos por outros desejos. Comer sem critério é uma das formas de tentar amenizar o sofrimento psíquico."

A psicóloga afirma que comer é prazeroso quando serve para alimentar o corpo. Se comer for utilizado para alimentar a psique, o resultado será sempre catastrófico, pois o corpo receberá alimentos em excesso, enquanto a psique permanecerá faminta. "A pergunta básica é: 'O que eu estou necessitando neste momento?' Ao identificar a real necessidade, aumentam-se as chances de ir em busca daquilo que realmente vai preenchê-la."

Marcio Mancini, endocrinologista do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP, reforça que a fome emocional pode levar ao excesso de peso ao longo do tempo, desencadeando a obesidade. "Além disso, pode evoluir para um distúrbio nutricional, como o transtorno da compulsão alimentar, que é a ingestão de uma grande quantidade de alimentos em um curto período de tempo com perda de controle sobre o ato de comer, gerando angústia e sofrimento." 

Ataque à geladeira

Um fator que pode levar à fome emocional é a falta de autoconhecimento. A pessoa não consegue identificar suas necessidades e busca preencher um vazio lançando mão do que está mais ao alcance. E comida é mais fácil de conseguir do que afeto. Para conseguir afeto, é preciso se envolver em relacionamentos. E as pessoas estão cada vez mais temerosas quanto a isso. Está aumentando cada vez mais o número de conversas virtuais em detrimento das presenciais. Falar presencialmente está ficando ameaçador e raro. Então, os relacionamentos não têm o calor do encontro, do olhar e da emoção que só um ser humano pode transmitir para outro ser humano 

Fonte: Kátia Ricardi de Abreu, psicóloga clínica e organizacional

Apetite hedônico

  • A fome é a necessidade de comer desencadeada pela falta de energia e pode ser dividida em dois tipos: a fome fisiológica, que é a sensação física e não relacionada a alimentos específicos, e o apetite hedônico, relacionado ao prazer e à recompensa, que ocorre mesmo sem a deficiência de energia
  • Os principais indícios de que se está fora de controle são o desejo urgente de comer, a ingestão de alimentos com voracidade ou em grande quantidade e a dificuldade de controlar ou a sensação de que nada satisfaz. Na prática, é como a representação do viver para comer e não comer para viver 

Fonte: Marcia Daskal, nutricionista e proprietária da Recomendo Assessoria em Nutrição

Entenda

  • A alimentação equilibrada favorece uma melhor formação de neurotransmissores, e eles, quando estão em equilíbrio, não permitem exageros 
  • Comer por emoção favorece a obesidade. Você deve comer para alimentar o corpo e não a mente
  • O tratamento multidisciplinar deve envolver psicólogos quando o caso é mais exacerbado ou antigo
  • A prática de atividade física ajuda neste controle e deve estar associada ao tratamento nutricional

Fonte: Carol Camara, nutricionista