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Diário da Região

29/03/2015 - 00h02min

Estressado de tanto tédio

Ficar muito tempo sem fazer nada pode gerar quadro de estresse

Estressado de tanto tédio

Stock Images/Divulgação NULL
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A sobrecarga de trabalho e o excesso de demandas da vida moderna trazem à tona um velho conhecido, o estresse. Tachado como "mal do século 21", segundo o International Stress Management Association (ISMA-BR), o estresse atinge de forma negativa cerca 70% dos brasileiros, isso devido ao elevado nível de mudanças no nível familiar e social conduzidos pela globalização. Só que uma pesquisa recente, porém, mostrou um dado pouco conhecido pela população: o contrário também pode gerar estresse. Ou seja, trabalhar pouco, ou ficar sem fazer nada pode levar a esse quadro. 

É o que mostra um estudo feito pelos pesquisadores Colleen Merrifield e James Danckert, da Universidade de Waterloo, no Canadá. O estudo, intitulado "Characterizing the psychophysiological signature of boredom", mostrou que o profissional pode ter uma descarga de exaustão semelhante caso não tenha o que fazer. Essa falta pode gerar tensão, dores de cabeça e de estômago. Os pesquisadores chamam de tédio não apenas não ter o que fazer, mas perceber perceber que seus esforços não são suficientes para se engajar com o trabalho. Segundo eles, o tédio não está associado à preguiça e, sim, à incapacidade de envolvimento com o ambiente social. 

"Como escolha pessoal, e naturalmente dependendo das características psicológicas de cada um, é pequena a força geradora de estresse. Seu nível hormonal de cortisol no sangue não estará muito alterado", explica o psiquiatra Wilson Daher. O problema se dá quando o indivíduo se vê obrigado a não fazer nada e, mesmo neste caso, as reações serão de acordo com o psiquismo de cada um. "Vejo pacientes em consultório que se enquadram no perfil depressivo, geralmente movidos pelo sentimento de culpa pela 'vagabundagem'. Sentem-se fora do contexto social e não conseguem desfrutar do merecido descanso, não conseguem sequer participar dos paliativos lúdicos de que muitos usufruem", complementa. Seu nível de estresse será acentuado e a readaptação ao novo status mais difícil. Biologicamente, tais indivíduos, se não obtiverem ajuda, podem desenvolver doenças psicossomáticas.

Sentir-se útil gera felicidade

"A sensação de utilidade, desde que não seja algo compulsivo, é uma das maiores fontes geradoras de felicidade", diz o psiquiatra Ururahy Botosi Barroso. Um exemplo disso, segundo ele, é quando uma pessoa se aposenta, fator perverso na cultura ocidental e nocivo nas formas física e mental. "Se a pessoa acorda de manhã e não tem a sensação de utilidade, inicia um processo de cobrança interna e externa, em que aumenta o estresse, pela ação da adrenalina e do cortisol (hormônios liberados quando somos expostos a estímulos estressantes)", completa Barroso. 

Busque o equilíbrio

Embora estressar-se faça parte do dia a dia de qualquer profissional, não se sobrecarregue de atividades e muito menos se livre de todas as responsabilidades. É preciso buscar o equilíbrio entre o excesso e a inutilidade. "Nem ficar parado olhando o tempo passar, porque vai adoecer e morrer antes da hora, e nem trabalhar de forma exagerada, o que também vai provocar doenças e morte", afirma o psiquiatra Ururahy Botosi Barroso.

Se o estresse se eleva além do necessário, cuide disso, seja por meio de relaxamento ou por meio de uma revisão da carga de trabalho, entre outros caminhos."Por outro lado, o ideal é não viver no tédio, pois ele tem um lado corrosivo sobre a carreira e a produtividade pessoal", destaca o professor de pós-graduação José Antonio Rosa, do Instituto Nacional de Pós-graduação. Quando ele vem, precisamos fazer algo urgente: ampliar o desafio, buscar nova tarefa, mudar de emprego, "enfim, fazer algo para viver com emoção, pois emoção comunica competência e profissionalismo." Como disse Buda: "O mais importante é o abençoado caminho do meio". 

Veja o potencial estressante de algumas situações (100 é o maior possível)

:: Morte do cônjuge = 100
:: Divórcio = 73
:: Prisão = 63
:: Morte de um parente querido = 63
:: Casamento = 50
:: Demissão do trabalho = 47
:: Aposentadoria = 45
:: Reconciliação conjugal = 45
:: Gravidez = 40
:: Grandes conquistas pessoais = 28
:: Problemas com o chefe = 23
:: Férias = 13

Fonte: The Social Readjustment Rating Scale, dos psiquiatras Thomas H. Holmes e Richard H. Rahe, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos

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