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Diário da Região

12/09/2016 - 18h10min

Terapia Holística

Felicidade é dançar junto

Terapia Holística

Ricardo Boni/Divulgação Aula de biodanza durante o evento Jardim Cultural, em Rio Preto; abaixo, o livro de Rolando Toro
Aula de biodanza durante o evento Jardim Cultural, em Rio Preto; abaixo, o livro de Rolando Toro

Toda semana o facilitador Marcelo Pala se encontra com um grupo de rio-pretenses em que o objetivo é vivenciar um momento de esperança e otimismo, alegria de viver, autoestima e fortalecimento da identidade. São reuniões de biodanza, também conhecida como a dança da vida, atividade que cada vez mais ganha popularidade e fidelidade em Rio Preto. Os praticantes são homens e mulheres de diferentes idades que buscam bem-estar físico e mental.

A biodanza foi desenvolvida pelo antropólogo, pedagogo, artista plástico e poeta chileno Rolando Toro. O sistema foi construído por meio da observação de internos de um sanatório em Santiago. Por meio da música, as pessoas começaram a desenvolver com eficiência uma motivação intracelular e cinestésica. Com o passar dos anos, foi comprovada a eficiência da biodanza como um processo vivencial, no aspecto de desfrutar e contemplar a vida que Toro chamava de princípio biocêntrico, ou a vida em volta da própria vida, conceito oposto ao antropocêntrico, que é a vida em volta do homem.

Pala conheceu o sistema há 26 anos, e á três se formou na Escola Paulista de Biodanza. "A biodanza é algo muito sério. É um processo crescente de integração, a nível celular, metabólico, neuroendócrino, imunológico e existencial. Ela surge por meio de sensibilização, música, movimento, integração e encontro com a afetividade, que se dá por meio de um grupo." O facilitador explica que a biodanza causa tantos benefícios porque sensibiliza células químicas e fisiológicas e visa ao lado direito do cérebro, que desenvolve a criatividade, afetividade, espontaneidade e vitalidade. "Essa vitalidade não deixa a preguiça ser instalada. Faz a pessoa sair do lugar." 

Ele explica que, durante uma reunião, a pessoa escuta a música e começa a ter menos pensamentos ativos, vai se desligando e a música vai deflagrando uma sensibilização fisiológica, mexendo com o sistema celular e "levando a uma possibilidade de acessar nossos instintos com mais facilidade." O grupo liderado por Pala se encontra às quartas-feiras à noite, em uma uma casa localizada na Avenida da Saudade, em Rio Preto. Dezessete pessoas fazem partem, sendo 11 permanentes. Ele informa que o grupo precisa de progressividade. "Os iniciantes vão se desvinculando aos poucos das dificuldades impostas e descobrindo valores e comportamentos menos conduzidos pelo externo e mais favorável ao sentimento", reforça. 

 

Livro dança biodanza - 1092016

Pala participou de vários eventos de biodanza fora de Rio Preto. Certa vez, em Portugal, um encontro reuniu 1,7 mil pessoas. Já na Itália, cerca de 1,4 mil pessoas estavam reunidas em torno da biodanza. E nos dois locais, ele constatou o otimismo causado pela biodanza. "Todas as pessoas, sem exceção, estavam preocupadas com o alimento, com a ação comunitária, com o estar com uma roupa confortável e com uma mesa bem posta para receber e estar em um encontro." "Destes encontros e vários outros, a gente percebe que valores vão dando mais espaço para o ser original, em vez do controle de massa, em que sempre foi imposto, desde a infância, comportamentos dentro de um grande controle, que traz no futuro um grande vazio da existência e que precisa ser preenchido depois por consumo, religiões, exploração.

A hora que a pessoa rompe com isso ela traz ferramentas internas para acreditar no que realmente vale a pena." A biodanza trabalha o corpo visando também a benefícios psicológicos, como a diminuição do estresse. O processo ainda atua no tratamento alternativo de doenças como Mal de Parkinson, assim como auxilia cegos, portadores de Síndrome de Down, cadeirantes e crianças. "Na Espanha, por exemplo, a biodanza integra a grade curricular das escolas e atua na qualidade de vida", explica Pala. Na Unifesp, em São Paulo, há um trabalho feito com biodanza dentro da faculdade. 

Prática ajuda a liberar tensões

Em Rio Preto, além de Marcelo Pala, há outros facilitadores de biodanza, como Valu Ribeiro e Fernando Bonvino. A facilitadora conta que, hoje, o grupo liderado por ela está vivendo uma segunda fase no desenvolvimento da biodanza. "Primeiro fizemos uma série de eventos abertos para apresentar a metodologia, agora estamos focados em dar andamento ao grupo regular. Também estamos dispostos a abrir novos grupos formados por adultos, crianças, adolescentes, idosos e famílias", explica. 

As aulas com Valu ocorrem às terça-feiras, das 19h30 às 21h, num espaço localizado na rua Jorge Cury, 2.799, Redentora. Informações podem ser obtidas pelo telefone (17) 99666-9456. A facilitadora explica que os benefícios da biodanza são inúmeros e devem ser levados para o dia a dia.  "Quando entendemos e à medida que vamos nos aprofundando nessa prática nosso comportamento vai se tornando natural dentro e fora da sala de aula. A vivência tem um poder muito mais real e honesto com nossa identidade que os métodos cognitivos que dependem da memorização e do julgamento."

Valu ainda lembra que cada vez mais estudos em todo o mundo discutem a relação entre estilo de vida e estados emocionais e de estresse por tempo muito prolongado e a manifestação de doenças. "Rolando Toro afirmava, repetidamente, aos seus alunos que as emoções que não são sinceramente expressas se instalam, energeticamente, nos músculos e nos órgãos, adoecendo-os. A prática da biodanza é altamente potente para liberar essas tensões, prevenindo e até curando essas manifestações patológicas. Em muitos casos, com a tomada de consciência das próprias necessidades, a pessoa percebe, a tempo, um mal que poderia ser fatal mais tarde."

Pico máximo de energia

Um dos pontos altos de todas as edições do Jardim Cultural, iniciativa de um grupo de rio-pretenses que tem buscado mobilizar a comunidade para rediscutir o espaço público por meio de encontros em locais ao ar livre, foi a biodanza. Em todas as edições, o sistema desenvolvido por Rolando Toro fechou a programação das atividades.  Bianca Carrazzone, uma das organizadoras do Jardim Cultural, afirma que a primeira edição do evento mostrou o poder de integração, conexão e fluidez da biodanza e, por esse motivo, ela foi repetida nas outras edições.

"Colocamos a biodanza para encerrar o evento porque ela une todos os participantes. É o pico máximo de energia do evento." A quarta edição do evento será realizada no dia 25 de setembro, na Praça do Braile e novamente a biodanza vai fechar a programação do dia. Interessados podem chegar e participar do encontro. Não é preciso fazer inscrição antecipada. "É um momento de contemplação. Quem participou das outras edições só fez elogios", afirma Bruna. 

 

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