X

Diário da Região

12/07/2015 - 00h36min

Ainda vale a pena

Espaço para falar e ouvir

Ainda vale a pena

Divulgação Para o psiquiatra, não ter tudo premeditado é sempre um jeito de renovar a emoção de estar junto: “Pequenas surpresas que um parceiro faz ao outro, quebrando a rotina, oferecendo algo que funcione como antídoto ao tédio que ronda as relações após algum tempo, são muito bem vindas
Para o psiquiatra, não ter tudo premeditado é sempre um jeito de renovar a emoção de estar junto: “Pequenas surpresas que um parceiro faz ao outro, quebrando a rotina, oferecendo algo que funcione como antídoto ao tédio que ronda as relações após algum tempo, são muito bem vindas

Com mais de 40 anos de profissão, o psiquiatra Luiz Cuschnir acompanhou e compartilhou muitas experiências de vida e as dores e amores de muitos casais. Considerado um guru do amor, ele lançou seu 12º livro, "Ainda Vale A Pena - Cultivar para manter os vínculos de amor", em que propõe uma nova perspectiva para a união matrimonial, principalmente porque as relações sociais estão afetadas por mudanças de paradigmas. O psiquiatra afirma que, hoje, as pessoas ficam juntas quando e porque querem. "Antes ficavam juntas porque queriam ou eram forçadas a isso. 

Hoje, sabem mais sobre suas escolhas, mas continuam tendo de levar em conta aspectos que envolvem opções que podem ser conscientes ou não. O 'querer' nem sempre é acessível em todos os sentidos. Podem escolher pensando que é por um motivo e há outros por trás." Segundo ele, o que é mais positivo, atualmente, é que a liberdade de pensamento influi na liberdade de escolha. "Poder refletir mais sobre suas opções e avaliar porque está escolhendo este parceiro são um bom caminho para perceber como está-se estabelecendo o vínculo amoroso." Leia a entrevista com Luiz Cuschnir.

 

livro do Psiquiatra Luiz Cuschnir

Revista Bem-Estar - No livro, o senhor demonstra que é possível manter o casamento saudável, mesmo em tempos de individualismo e mudanças comportamentais na sociedade. Como é isso na prática?
Luiz Cuschnir - Minha dica é olhar para si e para o outro concomitantemente. Se o parâmetro do respeito e do carinho é utilizado, tendo esse cuidado consigo mesmo e propondo o mesmo para o outro, automaticamente ambos estarão prestando atenção na individualidade que cada um deve ter. Nunca foi tão fácil se destruir um relacionamento. Avaliar o outro pelo que não tem para oferecer é o primeiro caminho. A pressa, o imediatismo também. Descartar uma relação é o mesmo que apagar seu futuro, não lhe dando a possibilidade de construí-lo. Mantê-lo saudável será tendo sempre em vista que se não for cuidado por falir.

Bem-Estar - O senhor diz que temas como dedicação ao trabalho, sexo, opção pela maternidade, diferentes prioridades e opiniões podem ser resolvidos com um bom diálogo e respeito mútuo. É isso mesmo?
Cuschnir - Na vida real, quando o sonho que traçou é colocado à prova, a maior certeza é que muita coisa tende a mudar. Os apaixonados que vivem a fantasiar amores sabem muito bem disso. O motivo de estarem juntos está na descoberta do que se pode crescer com esta relação. Saber que aquela pessoa idealizada não existe por completo, já que nela vive também uma outra pessoa, repleta de mágoas e tensões não resolvidas, é uma maneira de estabelecer uma postura aberta para o diálogo e o respeito. Não é incomum esses temas criarem muita mágoa pela sensação de abandono, de rejeição, ressaltando aspectos pessoais de baixa autoestima que já existem em cada um. Costumo apontar muito isso quando atendo em psicoterapias de casais, mostrando que o outro só está ressaltando o que já existia em cada um.

Bem-Estar - Por que nem todas as pessoas conseguem ter esse controle e manter o diálogo aberto? É preciso tentar ver pelos olhos do outro?
Cuschnir - Cada vez mais, as pessoas se mostram condicionadas a encarar o mundo e a tentar resolver seus problemas por meio de fórmulas prontas. Buscam uma receita certa para se apaixonar, para viver o grande amor ou a dica preciosa para salvar o casamento, como se bastasse para isso dizer uma palavra mágica ou estender o braço e pegar a solução na prateleira. Essa é, aliás, uma atitude de quem se deixa influenciar pela dinâmica da propaganda, que insufla o consumo e a satisfação imediata. Dentro dessa lógica, para atender a uma necessidade qualquer, basta um produto; até surgir outra necessidade e outro produto, e assim por diante. Mas esse processo não vê o que o outro está vivendo, sentindo, o que provoca a atitude do outro. É preciso desprender-se do que se espera conseguir para se colocar no lugar do outro, vivendo a situação a partir da vivência do outro. Aí um diálogo amplo e saudável pode ser construído.

Bem-Estar - E quando a rotina, os problemas familiares e financeiros e a falta de sexo parecem minar o relacionamento? Qual é a saída?
Cuschnir - É importante que não se tornem reféns de modelos de comportamento que colocam em primeiro lugar a vontade de ser perfeito, de ganhar dinheiro, de ser reconhecido através do sucesso profissional e social - tudo em detrimento de valores essenciais e mais profundos convergindo para um mesmo esforço, que é o de compor verdadeiros pares, onde os parceiros, vivenciando dentro de si a relação, completam e se complementam, visando não só a um relacionamento melhor, mas a uma vida melhor. Dizer a uma mulher ou a um homem que vive uma crise com seu parceiro que ela ou ele precisa fazer uma revisão, identificar eventuais traumas de sua história pessoal, que estejam interferindo no presente, procurar se fortalecer como pessoa - ainda que seja penoso e precise de ajuda profissional -, para assim ter melhores condições de julgar seu parceiro, de se colocar no lugar dele, inclusive para conseguir conversar melhor na hora de acertar o que quer que seja.

Bem-Estar - Na sua opinião, a monotonia presente nos relacionamentos, assim como o amor, são escolhas e só dependem do casal para ser contornadas?
Cuschnir - Para evoluir bem, um relacionamento exige constante atenção e dedicação tanto do homem quanto da mulher; quanto mais saudável for a ligação entre os dois, pode-se considerar um grande empenho sendo feito para isso. E esse empenho não precisa de atitudes mirabolantes, ele pode muito bem estar nas simples atitudes do dia a dia, algo que precisa ser tanto cultivado quanto valorizado. As pequenas surpresas que um parceiro faz ao outro, quebrando a rotina do casal, oferecendo algo que funcione como um antídoto para o tédio que ronda as relações depois de algum tempo são muito bem vindas. Não ter tudo tão premeditado e programado é sempre um jeito de renovar a emoção de estar junto, de reconfirmar escolhas. É como reeditar o "eu te amo". O tédio, aliás, pode perfeitamente ser superado, basta a pessoa querer e manter os olhos abertos para três itens essenciais: o empenho que todo relacionamento exige, a necessidade de levar em conta a individualidade alheia, e estar atento ao fato de que tudo pode mudar de uma hora para outra, para melhor ou para o fracasso total.

Bem-Estar - Quando saber que o casamento se tornou uma escolha ruim? E quando desistir?
Cuschnir - Só aos poucos, nas diferentes situações vividas, é que se vai conhecendo como é o parceiro ou a parceira. Porque o que cada um oferece num primeiro momento, mesmo que seja de uma maneira sincera, nem sempre é o que o outro consegue receber. Também temos que considerar que as pessoas se transformam ao longo das relações e da vida, sem que ninguém tenha controle sobre isso. Repetir conceitos e ideias prontas, fixar-se em algo que é destrutivo é o mais preocupante. Incorpora-se como verdade e, decididamente, não é o melhor caminho para um relacionamento evolutivo. 

ABERTOS AO DIÁLOGO

:: O caminho para a constante renovação dos relacionamentos exige diálogo franco, honesto, carinhoso e respeitador dos limites de cada um. Não há lugar para discussões em que um tenta impor o próprio ponto de vista sobre o parceiro. Mostrar a ele o que gosta e não gosta na relação e estar pronto para ouvir a mesma coisa é o tipo de atitude que constrói o relacionamento dos novos tempos, que exigem flexibilidade para rever posturas e arriscar novas situações 
 
Fonte: Luiz Cuschnir, psiquiatra

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso