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Diário da Região

10/07/2016 - 00h00min

Mergulho na aldeia

Dança, jogos, escola e, em breve, pernoite na 'háti' fazem parte do pacote

Mergulho na aldeia

Agência O Globo Cacique Narciso, da aldeia Quatro Cachoeiras, onde se pode fazer pintura corporal.
Cacique Narciso, da aldeia Quatro Cachoeiras, onde se pode fazer pintura corporal.

Com música e dança, os turistas são recebidos na aldeia Wazare, primeira parada do roteiro indígena montado em Mato Grosso, um ano depois de a Funai ter fixado as normas para as visitas turísticas. Dangore dare dore é o primeiro verso da música que os parecis cantam para os visitantes, que falam da unificação de todos os elementos da natureza e pedem bênção aos bons espíritos para os turistas.

Para desbravar o Oeste brasileiro por Mato Grosso e conhecer mais de perto a cultura de parte dos mais de 800 mil indígenas brasileiros, a viagem é longa. Campo Novo do Parecis, porta de entrada do turismo indígena, fica a quase 400km de Cuiabá, vencendo estradas de razoáveis a ruins. E as aldeias ficam a 60km e 70km da cidade, em estrada de terra. Não se deve esquecer que este é o terceiro maior estado do país, atrás apenas de Amazonas e Pará. O logo aí para o mato-grossense pode significar três horas de estrada. Depois de horas em ônibus ou carro, deparar-se com uma clareira, rodeadas de hátis (as casas dos parecis-halitis), recebidos por indígenas em trajes de festa, cantando e dançando, impressiona.

O cacique Roni Pareci é o líder da aldeia e pioneiro em integrar as duas culturas. Montou há cinco anos a aldeia com cerca de 30 moradores, perto do Rio Verde, onde pescava com o pai. Decidiu criar sua própria aldeia ao não conseguir convencer os avós, pais e tios a receberem turistas. Procurou a Prefeitura, e teve apoio para estabelecer o roteiro. Aos 39 anos e formado em Educação, senta-se ao lado dos convidados e conta histórias da tribo, responde às perguntas sobre hábitos, crenças e tradições.

“Queremos acabar com o preconceito, mostrar nossa cultura, preservar a identidade e aproveitar os avanços da tecnologia, na saúde. Queremos integração.”

Na escola na aldeia Wazare, as crianças aprendem português e o aruaque, a língua nativa. Todos os professores são indígenas. Três gerações compartilham a mesma háti. São amplas casas, sem divisões, onde ficam pais, filhos, netos. As casas têm formato elíptico, com duas portas nas extremidades, uma voltada para o nascente e outra para o poente. São feitas de aroeira e cobertas por folhas de guariroba. Têm todo o conforto, TV, geladeira e carro parado ao lado. Em breve, será possível dormir em uma háti, ajudar nas tarefas domésticas. Mas esse tipo de roteiro ainda está sendo formatado.

A dança é a mesma que os nativos apresentam na festa da menina-moça, um rito de passagem, assim que a menina menstrua. Os homens balançam os cocares para elogiar as meninas. As pinturas representam força e sabedoria. Em zigue-zague, espelham-se na tela do palmiteiro do brejo, muito duro, significa força. O desenho trançado mostra o início da confecção das cestas:
“Se não for feita desde o início com dedicação, não se consegue chegar ao fim da cesta”, explica Evandro Zenazokenae, que fica na cidade parte do tempo, e estuda Enfermagem.

O almoço é servido ao ar livre. Carne de alcatra na brasa, arroz, salada de repolho e tomate, biju e frutas de sobremesa. Visitantes e índios almoçam juntos e continuam nessa convivência por toda a tarde. Assistem ao cabeçabol (esporte com as mesmas regras do futebol, mas jogado somente em lances com a cabeça) e a tiros de arco e flecha. Tomam água na nascente, que segundo o cacique Roni, é a água mais pura da região.

Uma breve incursão por dentro do cerrado serve para apresentar plantas medicinais. Mas não espere muita profundidade nesse aprendizado. A beleza dos cocares e colares coloridos em contraste com o verde da floresta hipnotiza e desvia a atenção. Aliás, cocares, colares, arco e flecha e cestas são opções de compra por ali.

Pintura corporal

A próxima tribo do roteiro é a de Quatro Cachoeiras, do Cacique Narciso, o mais antigo da região. São quase cem moradores em uma área maior que a aldeia dos Wazare. Fica a 33km de Campo Novo. Lá, é possível fazer pintura corporal. As crianças fazem os desenhos, mas cuidado, pergunte primeiro qual tinta estão usando. A feita com jenipapo pode demorar a sair da pele. Fica, pelo menos, três dias. Lá, a língua aruaque prevalece. A visita continua até a aldeia Utiariti. As poucas casas são de alvenaria. A recepção é breve e serve apenas para mostrar o caminho para a próxima atração: o salto de Utiariti.

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