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Diário da Região

28/08/2016 - 00h01min

Espelhe-se nelas

Crianças têm muito a ensinar aos adultos sobre superação

Espelhe-se nelas

Stock Images/Difulgação NULL
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As crianças são os maiores exemplos de superação. Elas caem de bicicleta, ralam os joelhos, choram, depois pegam a bike novamente e fazem manobras ainda mais radicais. Os pequenos brigam com os colegas da rua ou da sala de aula, e cinco minutos depois esquecem o motivo da discussão e logo estão brincando novamente e fazendo traquinagens. Na infância, as situações malsucedidas e os arranhões são vistos como marca de uma aventura ou uma premiação. 

Aí é só virar adulto para esquecer de todas as experiências da infância e mudar o comportamento. Falta coragem e empenho para aprender com os erros, encarar as dificuldades com humor e iniciar tudo de novo. O fato é que ninguém gosta de fracassar. Outro é que adulto fica sério demais quando cresce. No entanto, tudo é uma questão de escolha. Uma experiência difícil pode dar a chance da pessoa ficar amarrada ao passado ou fazer com que cresça e seja feliz como as crianças. 

É preciso aceitar as falhas e lidar com sentimentos como culpa, insegurança e angústia. Errar nos relacionamentos pessoais, no trabalho ou com os filhos faz parte do crescimento pessoal. Lamentar que poderia ser diferente, por exemplo, não vai adiantar. A psicanalista Cristiane M. Maluf Martin afirma que a única coisa constante na vida é a mudança. Mas para que ela aconteça é preciso permitir. 

Ficar preso aos dilemas da vida, por outro lado, pode ser algo muito ruim. A especialista explica que ficar amarrada ao passado diante de uma situação difícil vai depender de como a pessoa encara a vida. “Pois muitas vezes até no sofrimento o ser humano se acomoda, infelizmente. Quando uma pessoa se prende ao passado, principalmente quando se agarra as suas falhas, frustrações e vícios, ela não consegue viver o presente e muito menos ter esperança no futuro.”

A especialista explica que o pensamento negativo leva as pessoas à escuridão e faz com que elas não consigam enxergar a saída para as dificuldades. “Devemos lembrar que achar que manter um pensamento negativo não vai amenizar a nossa dor, muito pelo contrário, só faz piorar a situação. Portanto, sugiro que adotemos uma atitude de tranquilidade e fé para evitar o abismo do desespero.”

Ao entender o poder da transformação de algo ruim para algo bom, a pessoa pode levar uma vida mais leve. As dificuldades, neste cenário, nem sempre são vilãs. Elas servem para sacudir e reagir sob pressão. “Devemos estar conscientes que tanto as dificuldades, quanto os problemas e as soluções ocupam o mesmo espaço na nossa cabeça. Ou seja, ocupam o espaço que nós permitirmos.”

A psicanalista Cristiane afirma que a atitude frente às situações é que irá definir como as pessoas querem viver. “A maturidade só vai ocorrer se a pessoa permitir não fugir do passado, mas se inspirar e aprender com ele. Para aqueles que viveram acontecimentos dolorosos, erguer-se acima disso é um desafio de vida.”

A terapeuta Nathalie Favaron, autora de O Reencontro, afirma que a transformação não muda o que foi ruim. “Ela inclui uma nova perspectiva sobre o desafio. Acrescenta a aprendizagem e, com isso, crescemos e nos tornamos mais fortes, completos. E assim ficamos mais felizes.” 

Segundo ela, o aprendizado vem da ressignificaçao profunda da experiência em todos os níveis: emocional, cognitivo e espiritual.

Livre-se do 'looping emocional'

Uma experiência que não foi processada emocionalmente pode gerar um trauma grande ou pequeno, dependendo da circunstância. O registro fica no corpo e é acionado no presente cada vez que algo relembra a emoção vivida no passado. O crescimento pode acontecer depois que a história é compreendida e reprocessada em todos os âmbitos do ser.

A terapeuta Nathalie Favaron afirma que o pessimismo pode ser encarado como uma tentativa improdutiva de resolver o conflito interno. “Ficamos em 'looping emocional' e, nesta hora, é importante procurar algum apoio. Pode ser um amigo, alguém da família, um terapeuta, um livro ou um grupo de suporte.”

No seu livro O Reencontro, Nathalie Favaron, coach e terapeuta há 11 anos na área do desenvolvimento humano, afirma que o processo de separação é dolorido e repleto de mágoas, acusações. “Mas existe um caminho a ser percorrido e que conduz à saída. Além de entendermos a decepção e passarmos pela raiva, pelo recolhimento, precisamos alimentar nossa alma. É preciso muito autoconhecimento e transformação interior”, ensina.

Dicas

- Após vivenciar uma experiência difícil, a pessoa tem dois caminhos (ou mais) para seguir. E o que prejudica realmente é ficar preso à experiência difícil e generalizá-la para outros relacionamentos. É importante se desapegar aos poucos, se libertar dessa experiência e tomar a decisão de buscar a felicidade. Todo amor tem que ser um antídoto e não um veneno

- O primeiro passo é sentir amor próprio, autovalorização e exercitar o autoconhecimento. Alimentar o pessimismo é uma péssima opção diante de tantas outras que há para se escolher e ser feliz. Toda superação começa com uma visão otimista da vida

- Transformar a dor em algo que o torne melhor, sublimar, fazer acontecer, tomar as rédeas da vida e torná-la melhor deve ser uma busca incansável. Cabe a você a decisão de persistir neste sentido. Jamais desista da busca da felicidade

- Não viver na comodidade, na zona de conforto, seja na dor ou na alegria, é importante para enfrentar desafios, ganhar maturidade e não repetir comportamentos. É preciso elaborar a dor

Fonte: Marilene Kehdi, psicóloga, escritora e palestrante

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