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Diário da Região

20/03/2016 - 00h00min

África do Sul

Aventuras a céu aberto em Johannesburgo e Cidade do Cabo

África do Sul

Agência O Globo Passeios de balão saem da cidade de Skeerpoort, na região metropolitana de Johannesburgo
Passeios de balão saem da cidade de Skeerpoort, na região metropolitana de Johannesburgo

Quem pensa que o turismo na África do Sul consiste apenas em visitas a parques públicos para fotografar os mesmos animais selvagens em safáris está perigosamente enganado. Decerto, as opções para este tipo de programa são inúmeras e quase todas contam com elefantes, leões e zebras no foco das câmeras fotográficas. Mas, além dos tradicionais passeios em parques e reservas naturais, o que não faltam por lá são atividades ao ar livre, com ou sem emoção.

Com um clima e povo bem parecidos com os do Brasil, em momentos específicos, até dá para comparar a Cidade do Cabo, com suas praias e montanhas, ao Rio; e os prédios altos e o trânsito sem fim de Johannesburgo à realidade de São Paulo.
Balão, flores e vinhos. Num passeio pelas ruas de ambas as cidades, vê-se uma África sem o estigma de... África. Mas a pobreza, assim como em qualquer metrópole do mundo, existe. E, com relação à violência, dizem as boas línguas, é melhor não bobear com máquinas fotográficas e celulares pelas ruas.

Na prática, o que se vê é que os turistas não estão nem aí. Não mesmo! Até porque, nessas terras sul-africanas - onde o fuso horário está cinco horas à frente de Brasília, o forte policiamento dá a sensação de segurança. Em dez dias de viagem pelas duas cidades, pode-se andar de balão, helicóptero, moto sidecar (aquela com carrinho acoplado na lateral) ou fazer mountain bike. Outra ideia: passear no comando de um Segway (aquele veículo motorizado de duas rodas para se locomover em pé, usado mais frequentemente por vigias de shopping). Aulas de arco e flecha também estão incluídas no roteiro.

Mais: visitar o West Coast National Park é ficar de queixo caído diante da infinidade de exemplares de flores, que ocupam boa parte dos 40 mil hectares da área. E a Table Montain (Montanha da Mesa), que está para a Cidade do Cabo assim como o Pão de Açúcar está para o Rio, é daquelas experiências de que não se esquece. Há ainda as vinícolas que, além de oferecerem bons rótulos, recebem desde o cliente interessado em conhecer o sistema de produção da bebida até aqueles que pretendem alugar o espaço para formaturas, batismos e casamentos. Entre um programa e outro, quando bater a fome, não se preocupe. A culinária da África do Sul é rica e variada. Tem opções para todos os gostos, com destaque para as saladas, que parecem simples, mas levam um tempero que faz toda a diferença.

Diferentes perspectivas

Em Johannesburgo, na Cidade do Cabo e em suas regiões metropolitanas a vida ao ar livre pode produzir boas aventuras. E, para isso, não faltam programas. No vilarejo de Skeerpoort, a 50 minutos de Johannesburgo, a dica são as viagens de balão (balloon.co.za). Por duas horas de voo, em média, cruzamos fazendas, campos verdes e curtimos a paisagem. É como admirar tudo da perspectiva de uma nuvem.

A aventura começa ao acordar. Para se chegar às 5h no ponto de encontro, como é solicitado pela organização do passeio, é preciso já estar na estrada uma hora antes. Sendo assim, além de coragem, é recomendável dormir cedo no dia anterior para ficar de olhos bem abertos durante o passeio, que custa em torno de R$ 575. Mas cada centavo vale a pena.

Sofrer por antecipação faz parte do processo. Tem criança que desiste do programa na hora de embarcar no balão. E alguns adultos não ficam para trás. Uma vez posicionado na cesta, onde cabem 16 pessoas, além do piloto que fica isolado no centro, entretanto, sente-se uma sensação de segurança.

Trilhas são opção

Ah, e a decolagem? Completamente sutil. O mesmo não pode ser dito sobre a aterrissagem. A aproximação ao solo é preocupante. Mas há um grupo de ajudantes, no ponto de chegada, que ameniza a queda. No fim de experiência, uma mesa com doces, salgados e sucos, incluída no valor do passeio, é a recompensa para quem madrugou e saiu do hotel, antes do horário do café da manhã.

A Table Mountain, principal cartão-postal da Cidade do Cabo, é outro passeio imperdível. Com o topo achatado, formando um planalto de cerca de três quilômetros de extensão e cercada por grandes penhascos, ela é facilmente visível de qualquer ponto do município. O nome vem das correntes de ar gelado, que formam uma fina nuvem branca estacionada sobre ela, dando a impressão de haver uma toalha cobrindo a "mesa".

Quem vai à Cidade do Cabo e não tem a sorte de subir na Table, um dos pontos mais visitados do continente africano, deve voltar. O problema é o tempo: as gôndolas que levam os visitantes até o topo não operam sob condições climáticas adversas, como ventos fortes ou chuva, e com a presença de muitas nuvens sobre a montanha. No tablemountain.net, atualizado em tempo real, é possível saber se a subida está liberada.

O acesso até a estação inferior da Table Mountain, localizado na Tafelberg Road, é simples e rápido. O teleférico começa a operar às 8h, mas é bom chegar com ao menos uma hora de antecedência para não enfrentar uma fila longa na compra dos bilhetes (R$ 60, ida e volta). São só cinco minutos de percurso. A cabine da gôndola é redonda e o chão é giratório, permitindo uma vista panorâmica de 360°, o tempo todo.

Outra forma de subir a Table Mountain é caminhando. Há várias trilhas. O ponto de partida fica perto da estação do teleférico. Uma placa indica onde as trilhas começam. Quem sobe pelas trilhas não precisa pagar para conhecer o topo da montanha. É necessário bastante preparo físico, já que o percurso pode durar de duas a três horas de caminhada, e o nível de dificuldade é elevado, devido ao terreno que, além de inclinado, é bem acidentado.

Há quem prefira admirar a bela paisagem de longe. Para isso, são oferecidos passeios de helicóptero, que percorrem os principais pontos turísticos da cidade, inclusive, a Table Mountain e o Estádio da Cidade do Cabo, construído para a Copa do Mundo de 2010, que custam em torno de R$ 400 (o site é o helicopterscapetown.co.za).

Em Stellenbosch, a aproximadamente 40 minutos da Cidade do Cabo, é a vez de experimentar os Segways, percorrendo quilômetros de campos repletos de videiras. No percurso, há pequenas elevações, onde é preciso tomar cuidado e reduzir a velocidade do veículo para evitar a queda. Antes do passeio, com grupos de até 15 pessoas, os guias fazem um treinamento sobre como operar o veículo. Não é difícil.

Ele se movimenta com a inclinação do corpo. Quanto maior ela for, maior será a velocidade. Para frear, posição ereta. É possível ainda se sentir no começo do século 20 num passeio de moto sidecar pelas ruas da Cidade do Cabo. O programa, que pode levar duas, quatro ou oito horas, percorre os pontos turísticos do município, por valores entre R$ 430 e R$ 860. E o retorno ao ponto de partida é feito pela empresa que aluga os veículos (sidecars.co.za).

Molduras para contemplar

Nem toda atividade na Cidade do Cabo serve para testar os limites do visitante. Há também paisagens bonitas para serem apenas contempladas. Como as casas coloridas do bairro malaio de Bo-Kaap. Esse arco-íris residencial fica nas encostas do Signal Hill, uma colina de 350 metros de altura, situada entre o Oceano Atlântico e o Castelo da Boa Esperança, fortaleza construída entre os séculos 17 e 18. Os moradores falam o africâner, embora a língua siga perdendo terreno para inglês. 

Muitos dos moradores de Bo-Kaap são descendentes de escravos, que foram trazidos para a Cidade do Cabo nos séculos 16 e 17. A mão de obra barata vinha de outras partes da África, como Madagascar, Índia e Sri Lanka, além de uma porcentagem bem pequena oriunda da Malásia. Devido à essa mistura de etnias, a população de Bo-Kaap é muito miscigenada. Um bom lugar para se fazer uma parada no bairro é o Museu de Bo-Kaap, na 71 Wale Street, quase esquina com a Buitengracht Street, e que, no século 19, foi a casa de Abu Bakr Effendi. 

O líder religioso da Turquia, foi levado pelos britânicos para a Cidade do Cabo, em 1862, para pacificar facções muçulmanas rivais. Ele fundou uma escola árabe e escreveu o primeiro livro publicado na língua local. O espaço reúne muitos dos seus bens. No museu, também são promovidas exposições de artigos da cultura islâmica. As ruas de Bo-Kaap são tranquilas, limpas, e os moradores não se incomodam quando turistas pedem para fazer fotos com eles, diante das fachadas. 

Alguns, inclusive, convidam os visitantes para lanchar em suas casas. A 120 quilômetros dali, no município de Langebaan, ao norte da Cidade do Cabo, o espetáculo de cores é de responsabilidade da natureza. No West Coast National Park (WCNP), há mais de quatro mil espécies de flores, que, entre os meses de agosto e setembro, dão forte vida ao local, ocupado ainda por pequenos lagos e montanhas. A oeste, a região é margeada pelo Oceano Atlântico. A área de reserva ambiental faz parte do South African National Parks (SanParks) - o sistema nacional de parques públicos, sob jurisdição do governo do país. E o turista paga em torno de R$ 10 para visitar o complexo. 

O parque é bem grande e pode ser explorado de carro. Os hotéis da região oferecem serviço de shuttle até o local para grupos de até 15 pessoas. Além disso, existe a possibilidade de percorrer a área florida de mountain bike ou por meio das diversas trilhas que podem ser feitas a pé. A caminhada é um pouco cansativa, porque muitas das vias são de areia. Durante o passeio, os visitantes cruzam com elandes, zebras e cabras de leque. Além desses animais, que se concentram mais à beira-mar, há vários jabutis no percurso. Por isso, é importante ficar atento, se estiver ao volante, para evitar assustá-los ou, até mesmo, atropelá-los.

Aves sendo catalogadas

Há ainda o show de cores que vem do céu. As várias espécies de flores atraem um número sem-fim de aves. Ainda não houve uma catalogação de todas. Mas, segundo funcionários do WCNP, a pesquisa vem sendo feita por universitários e, em breve, os turistas terão acesso a ela. Se a intenção é tomar banho de mar, a indicação é a Praia de Kraalbaai, que fica na área do parque, na direção da Baía da Saldanha. A água ali, além de ser mais tranquila, também é a mais quentinha da região, que tem mar revolto e bem gelado. 

Em agosto e setembro, as flores tomam conta da paisagem do parque. E é nesse período que as baleias visitam este trecho da costa sul-africana. Nem é preciso muita sorte para vê-las. Elas chamam a atenção do visitante com rodopios e saltos. Dentro e fora do parque, existem várias acomodações Mesmo assim, para a alta temporada, é importante reservar com antecedência.

Serviço

Como chegar

  • A South African Airways (SAA) voa de São Paulo para Johannesburgo. Pelo site da SAA, o bilhete sai por R$ 3.437. Pela Emirates, via Dubai, a passagem sai a R$ 3.712. Na TAM, o bilhete e o trecho internacional da SAA custa R$ 4.765. Tarifas para fim de abril, com taxas.

 
Onde comer

 
Onde ficar

  • Cape Royale. Localizado na Cidade do Cabo. Diárias para casal a partir de US$ 231. caperoyale.co.za
  • Chapmans Peak Hotel. Fica em Hout Bay. A partir de US$ 167. chapmanspeakhotel
  • Stirling Manor Guest House. Hotel-butique em Hartbeespoort. Diárias a partir de US$ 148. stirling-manor.com

 
Passeios

 

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