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Diário da Região

17/12/2016 - 03h21min

Comportamento

Aceita que dói menos

Comportamento

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Todo mundo, sem exceção, já passou e certamente irá passar por momentos de incertezas. Turbulências acontecem com todo mundo. Ainda mais no atual cenário em que o País vive. Você não tem certeza se vai estar empregado na semana que vem, não tem certeza se vai conseguir se aposentar após as mudanças nas regras da Previdência Social ou se vai conseguir guardar dinheiro para aquela viagem que tem planejado há tanto tempo. 

Tentar prever os momentos em que estaremos frente a frente com situações de problema, com a intenção de eliminar os riscos, é pura utopia. Quando programamos nossa rotina com precisão matemática corremos o risco de frustração quando algo sair - e muito provavelmente vai sair - diferente. Assim, tiramos da vida a capacidade que ela tem de nos surpreender com caminhos mais interessantes que os escolhidos por nós. É bastante tênue a linha que separa o controle de maneira saudável daquele que se torna obsessivo.

"A cada curva, fatos repentinos nos sondam, e pelo temor de enfrentarmos situações que possam evidenciar nosso descontrole procuramos afastar a possibilidade do inesperado", diz a psicanalista Silvana Lance. Muitos, na tentativa de se proteger, criam rotinas aparentemente imutáveis e perfeitas, cercando-se de rituais e resumindo a vida a detalhes previamente planejados que, embora sem grandes emoções, podem transmitir uma sensação de segurança. 

"Mas já temos em nosso dia a dia rotinas suficientemente impostas por situações variadas, e se além destas nos infligirmos outras por conta do medo dos imprevistos tornaremos nossa vida enfadonha, deixando de vivenciar episódios importantes, além de nos podar a experiência e todo o encanto da surpresa, da novidade e da superação", complementa. É natural querer estar no controle da vida e não ter de lidar com as incertezas. Fazemos nossos planos e temos a tendência de acreditar que a vida segue de acordo com o que planejamos. Isso nos dá uma sensação de segurança. Mas a incerteza vai aparecer uma hora ou outra, pode ter certeza. 

"No intento de aplacar nossos medos, tendemos a ser autoritários com a vida, impondo o domínio absoluto sobre ela, mas quando ela nos coloca diante de situações onde nosso descontrole e impotência ficam evidentes ficamos estarrecidos, chegamos até a ficar enfurecidos, reagindo com um ataque tal qual crianças mimadas e frustradas diante da decepção por perdermos a direção que ilusoriamente pensávamos possuir", analisa a psicanalista Silvana. Mas a vida nos mostra, e às vezes até mesmo de forma muito dura, que o máximo que podemos de fato controlar é a nós mesmos, através de nossos pensamentos e escolhas, e mesmo assim vamos perceber o quanto é fácil perder o controle.

Molde-se às circunstâncias

Não há uma formula mágica para lidar com as incertezas, cada um descobre uma forma de se proteger ou enfrentá-las. "Os imprevistos vão ocorrer sempre e cada um traz uma lição. Se buscarmos o equilíbrio interior, vamos estar bem preparados quando eles acontecerem", diz Silvana Lance. "Temos a falsa sensação de que as coisas são previsíveis, mas na realidade não está nada previsto e não controlamos nada", diz o psiquiatra Persio Ribeiro Gomes de Deus. 

Um risco emocional é viver em estado de alerta constante, que, como consequência, gera um estado de ansiedade anormal que traz prejuízos tanto físicos (hipertensão, fibromialgia, doenças cardiovasculares, entre outros) e psíquicos (distúrbios de atenção, ansiedade, angústia, distúrbios do sono, irritabilidade, mau humor). Se permanecermos irredutíveis diante de um imprevisto, dificultaremos ele ainda mais, portanto, temos que aprender a lançar mão de novas estratégias e nos moldar às circunstâncias, acreditando em nosso potencial. Evitando também utilizar imprevistos como desculpas para nos livrar de situações que pedem enfrentamento. 

Por que tememos o incerto?

Aprendemos a olhar a vida dessa forma. Preferimos acreditar que é melhor perseverar em busca das certezas em vez de aceitar a natureza da vida que é incerta. Ninguém nos conta que ficar longe da nossa zona de conforto pode ser positivo, porque a partir daí encontraremos recursos dentro de nós para aprender a lidar com novas situações. Podemos identificar a zona de conforto com uma vida de mesmice. Levamos uma vida por levar e não pra valer.

O trabalho é repetido diariamente sempre do mesmo jeito, e as coisas, feitas automaticamente, sem muito pensar. "Há quem até ache uma maravilha essas imutáveis rotinas, que dão a falsa sensação de segurança, por acontecerem sem nenhuma surpresa. Parece que tudo está sob absoluto controle. O máximo da eficiência está numa lista de itens de afazeres ticados ao final da jornada, para repeti-los sempre do mesmo jeito no dia seguinte", diz escritor Roberto Adami Tranjan, autor do livro Rico de Verdade (ed. Acessa). 

"Certamente, não dá para ficarmos indiferentes às situações provocadas pelos imprevistos, alguns acontecimentos transformam a vida de muitos de forma até mesmo radical, mas diante de qualquer situação temos que aprender a dançar conforme a música, com os pés bem firmes no chão, conscientes de que não somos super-heróis, somos apenas nós mesmos, com toda a força da nossa extraordinária natureza de enfrentar toda e qualquer circunstância", diz a psicanalista Silvana Lance. 

Ilusão de controle

Para investigar como a sensação de controle influencia nossa vida, a psicóloga Ellen Langer, professora da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, já fez alguns estudos e experimentos a respeito. Ela identificou o fenômeno da "ilusão de controle", que diz respeito à propensão que temos de pensar que podemos controlar ou influenciar de alguma maneira resultados sobre os quais não temos nenhum poder. 

É uma espécie de pensamento mágico que acontece conosco o tempo todo: quando acreditamos que estaremos mais seguros no trânsito, com as mãos no volante, que o nosso projeto é melhor que os dos colegas de trabalho ou que temos mais chances de ganhar a mega-sena se escolhermos os números que vamos jogar. Como se fôssemos mais capazes e os fatores externos não tivessem a menor influência nos resultados. 

 

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