Diário da Região

23/10/2012 - 17h47min

São Paulo

Para analista, PSDB tem cometido erros sistemáticos

São Paulo

Divulgação Cinquecento, nome em italiano do Fiat 500, chega em 2009
Cinquecento, nome em italiano do Fiat 500, chega em 2009

Nos últimos anos, o PSDB tem vivido uma situação mais de torcedor do que de protagonista, onde os fatos se desenvolvem indiferentes aos desejos e prognósticos do partido. Os tucanos têm errado tão sistematicamente que chega-se a desconfiar que errar seja uma estratégia. O primeiro erro de avaliação do PSDB ocorreu em 2002, ao acreditar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não seria capaz de se reinventar. Duvidar do 'Lulinha paz e amor', depois jurar que o petista não conseguiria governar e que seu governo seria um desastre. Quando perceberam que não seria bem assim, passaram a acreditar que o escândalo do mensalão falaria por si. Além disso, a 'barbada' que seria vencer Lula, em 2006, acabou se revelando uma bravata. A avaliação é do cientista político e professor do Insper Carlos Melo.

Para Melo, há também o fato de que no segundo mandato de Lula, os tucanos não acreditaram no poder simbólico do PAC. E cita outros exemplos de como alguns fatos transcorreram de forma oposta ao diagnóstico dos tucanos, como 'o anunciado caos de 2008', quando pregaram que o PT finalmente enfrentaria uma crise de verdade e a maré de sorte terminaria, a descrença com a então candidata e afilhada política de Lula, a atual presidente Dilma Rousseff, e, mais recentemente, a aposta no que se acredita ser as diferenças entre Lula e Dilma ou o rompimento entre 'criador e criatura'.

Eduardo Campos

Nessa linha, Carlos Melo diz que, no momento, a nova aposta atende pelo nome do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB: "Ele é um dos vitoriosos destas eleições municipais: duplicou o números de administrações, vencendo em capitais importantes. Além de tudo, é sangue novo. Em virtude disso, aposta-se nos conflitos, reais, entre PSB e PT. Imagina-se que, de alguma forma, o governador se bandeará para a oposição."

O cientista político destaca que, evidentemente, não se pode afirmar que Eduardo Campos não saltará do governismo. "Como tudo na política, isto depende das circunstâncias. A começar pelas circunstâncias econômicas de 2014. Como estará o País, e, por decorrência, a presidente Dilma Roussef. Contudo, acredita que se forem mantidas as atuais condições, sobretudo, os altos níveis de emprego, é possível que a presidente chegue bastante competitiva à eleição, talvez favorita." E se isso se confirmar, questiona: "Por que Campos sairia do governismo?"

Com relação às cidades nas quais o PSB se descolou do PT neste pleito, como Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, Carlos Melo avalia: "Em Recife, o PSB estaria com o PT se o PT não fosse o PT que se mostrou em Recife. Lá, os petistas desalojaram seu próprio prefeito, um desastre de popularidade. Em Belo Horizonte, não dava para descartar o apoio à reeleição de Márcio Lacerda, um prefeito bem avaliado. Em Fortaleza, a disputa se deu entre PT e o clã dos Gomes. Onde realmente importava, para Lula e Dilma, Campos esteve presente: em São Paulo, aliás, interveio no PSB. No mais, como esquecer a folha de serviços prestados: retirar Ciro da disputa, em 2010, não foi irrelevante."

O professor do Insper diz que Eduardo Campos aumentou seu poder, elevou seu cacife e, por decorrência, sua capacidade de articulação e influência. "Foi necessário para estabelecer outro patamar de diálogo com o PT e seus aliados. É o jogo. As circunstâncias podem levá-lo para qualquer lugar, é claro. Elas são soberanas. Mas, não convém acreditar que se darão, necessariamente, do modo que gostaríamos. A história, sobretudo a história recente do PSDB, tem demonstrado autonomia em relação à esperança. Então, melhor agir ao invés de torcer."

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