Diário da Região

03/10/2010 - 02h52min

Eleições 2010

Escândalos não abalam vantagem de Dilma

Eleições 2010

Valter Campanato/ABr  
 

Dilma Rousseff (PT), uma estreante nas urnas catapultada pela popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chega ao dia D da campanha eleitoral com chances reais de ser eleita já no primeiro turno. Nem as denúncias de corrupção e tráfico de influência que atingiram a braço direito de Dilma, Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, acusações de quebra de sigilo fiscal de adversários e boatos de fundo religioso provocaram abalos mais sérios na candidatura da petista.


Na trincheira oposta, José Serra (PSDB) aposta numa onda “verde amarela”, sobretudo na classe média, para garantir sua ida ao segundo turno, quando os tucanos acreditam que a eleição será “zerada.” No entanto, na última semana de campanha quem mais se beneficiou da “onda verde” foi Marina Silva (PV), uma ex-petista que galvaniza a insatisfação com os recentes desmandos do governo Lula.


Mesmo assim, até ontem a situação era de extremo conforto para Dilma. Em nenhum momento da campanha o tucano ou a verde ameaçaram a liderança da petista. Principalmente depois que começou a propaganda eleitoral na televisão. Nos 45 dias de propaganda eleitoral em rede de rádio e televisão, a candidata do PT dobrou sua vantagem em relação ao tucano nas pesquisas do Ibope. Em parte, graças a um programa bem produzido e por falhas na campanha do adversário, que chegou a exibir o presidente Lula.


Na metade de agosto, às vésperas do início do horário eleitoral, a petista tinha 51% dos votos válidos - excluídos os brancos e nulos. No levantamento divulgado na última quarta-feira, ela aparecia com 55% dos válidos. Serra, no mesmo período, caiu de 38% para 29%. A diferença entre os dois passou de 13 para 26 pontos porcentuais.


Com mais tempo de propaganda - 10 minutos e 38 segundos, contra 7 minutos e 18 segundos do principal adversário -, Dilma usou a TV para reforçar a associação de sua imagem com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo índice de aprovação beirava os 80%. Além de ter mais tempo no horário fixo de propaganda, Dilma foi contemplada com mais inserções - pequenos vídeos ou áudios distribuídos ao longo da programação das emissoras -, graças ao fato de ter uma coligação com mais vagas na Câmara dos Deputados


Mesmo antes do início da propaganda eleitoral, a televisão deu um impulso à petista. No início de agosto, os candidatos foram entrevistados, separadamente, no Jornal Nacional, da TV Globo. Foram 12 minutos de exposição para a petista, o tucano e Marina Silva (PV). Para boa parte dos brasileiros, as entrevistas mostraram pela primeira vez quem era a candidata da situação e os da oposição. Dilma se apresentou como “braço direito e esquerdo” de Lula. Serra foi questionado sobre o fato de evitar críticas ao presidente, “Meu foco não é o Lula”, respondeu. “Ele não está concorrendo comigo.”


Na primeira pesquisa após as entrevistas, Dilma subiu quatro pontos - sempre levando-se em conta os votos válidos, enquanto o tucano caiu quatro. Com pouco mais de uma semana de propaganda no rádio e na TV, a candidata petista chegou aos 59% dos votos válidos. Quinze dias depois, chegou a abrir 30 pontos de vantagem sobre Serra. A distância em relação aos adversários só começou a cair no final de setembro, após a repercussão de dois escândalos que envolveram o governo direta ou indiretamente - a violação do sigilo fiscal de tucanos e a queda da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, em meio a suspeitas de tráfico de influência. Além dos escândalos, Dilma foi prejudicada por uma onda de boatos sobre sua posição em relação ao aborto - ela perdeu pontos no eleitorado evangélico. Nada que abalasse sua liderança folgada.


Burocrata, Dilma disputa primeira eleição


Militante de esquerda na juventude e burocrata na vida adulta, Dilma Rousseff disputa uma eleição pela primeira vez, justamente para o cargo mais importante do País. Aposta na popularidade do “chefe” Lula e na pecha de boa gerente de obras como ministra - não à toa, foi apelidada pelo presidente de “mãe do PAC”, o Plano de Aceleração do Crescimento.


Nascida em Belo Horizonte, filha de pai búlgaro e mãe brasileira, Dilma ingressou cedo no movimento estudantil. Aos 16 anos, com o início do regime militar, filiou-se à Política Operária (Polop). Depois, ingressou no Comando de Libertação Nacional (Colina) e em seguida na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), todos movimentos clandestinos de combate ao regime.


Capturada, foi condenada por subversão e ficou quase três anos presa, entre 1970 e 1972, e passou por sessões de tortura. Quando deixou a prisão, mudou-se para o Rio Grande do Sul, onde ajudou na fundação do PDT. Começava aí a escalada de Dilma na burocracia administrativa. Entre 1980 e 1985, foi assessora da bancada do partido na Assembleia gaúcha. No ano seguinte, o pedetista Alceu Collares, eleito prefeito de Porto Alegre, escolheu Dilma para a Secretaria da Fazenda no município. Em 1990, ela foi escolhida pelo então governador eleito Collares para a Fundação de Economia e Estatística, e três anos depois para a Secretária de Energia, Minas e Comunicações do Estado, onde ficou até 1994.


O relacionamento com petistas começou em 1998, quando Olívio Dutra (PT) a convidou para a Secretaria de Minas e Energia do Estado. Quatro anos depois, o recém-eleito Lula colocou Dilma à frente do Ministério das Minas e Energia. Com o escândalo do mensalão e a queda do então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, Dilma assume o posto que a catapultou para a disputa à presidência, com as bênçãos de Lula. Na Casa Civil, passou a gerenciar o Plano de Aceleração do Crescimento, pacote de obras de infraestrutura, e ganhou do presidente a alcunha de “mãe do PAC.”


Vice


O escolhido para vice de Dilma é um parlamentar experiente envolvido em suspeitas de caixa dois de empreiteira. Michel Temer (PMDB) foi escolhido a dedo por Lula para atrair o poderoso e imprevisível PMDB para a coligação da petista. Atualmente no sexto mandato como deputado federal, ocupa pela terceira vez a presidência da Câmara. No ano passado, seu nome foi citado 21 vezes em contabilidade secreta da empreiteira Camargo Corrêa, alvo de operação da Polícia Federal.


Dilma Rousseff
Partido dos Trabalhadores(PT) - Número 13


Nascimento: 14/12/1947 Estado civil: DivorciadaOcupação: EconomistaGrau de instrução: Superior completoNaturalidade: Belo Horizonte (MG)Limite de gastos na campanha: R$ 157 milhões

Valter Campanato/ABr  

Serra se escora na imagem de ‘bom gestor’

José Serra, candidato do PSDB à presidência, se escora na imagem de bom gestor adquirida no período em que foi ministro da Saúde na gestão FHC, entre 1998 e 2002, para forçar um segundo turno contra a adversária Dilma Rousseff, com quem tem ao menos um ponto em comum, a militância esquerdista na juventude.Nascido no bairro da Mooca em 19 de março de 1945, o tucano ingressou na política como militante estudantil, e em 1963 foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). No ano seguinte, porém, o golpe militar obriga Serra a se exilar fora do País, primeiro na França, depois no Chile, onde viveu por oito anos e casou-se com sua atual mulher, Mônica, e mais quatro anos nos Estados Unidos.Retornou ao Brasil em 1977, e seis anos depois assumiu a Secretaria de Estado do Planejamento, na gestão de Franco Montoro. Serra começava a construir fama de político centralizador que carrega até os dias de hoje. Em 1986, elegeu-se deputado federal, ainda pelo PMDB. Já pelo recém-criado PSDB, disputou, e perdeu, a Prefeitura de São Paulo em 1988. Quatro anos depois retornou à Câmara dos Deputados com 340 mil votos, a maior do Estado. Nova votação recorde viria quatro anos depois, quando conseguiu uma cadeira no Senado Federal com 6,5 milhões de votos.Com a eleição de Fernando Henrique Cardoso para presidente, assumiu o Ministério do Planejamento nos anos de 1995 e 1996. Nesse último ano deixou o cargo para disputar novamente a Prefeitura da Capital. Perdeu. Dois anos depois assumiu a pasta da Saúde, onde ficou até o fim da segunda gestão FHC. Em 2002, disputou a presidência com Lula, e perdeu no segundo turno. Em 2004 conseguiu seu primeiro cargo no Executivo, ao se eleger prefeito de São Paulo. Deixou o posto dois anos depois para tentar ser candidato novamente, mas perdeu a disputa interna no PSDB para Geraldo Alckmin. Acabou eleito no primeiro turno governador do Estado. ViceEscolhido vice na chapa para aplacar os ânimos do DEM, que ameaçou romper aliança com Serra, Índio da Costa permanece um ilustre desconhecido para a grande maioria do eleitorado brasileiro. Em junho, pouco antes da convenção que oficializou sua candidatura, Serra escolheu para o posto o senador tucano Álvaro Dias. A chapa pura provocou a ira do aliado DEM, o que obrigou o candidato a optar por Costa, ex-vereador no Rio de Janeiro e deputado federal desde 2007. Como vereador, foi alvo de CPI que o acusou de favorecer empresa na compra de lanche para estudantes. Indio foi também relator da lei da Ficha Limpa na Câmara dos Deputados.
José Serra
Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) - Número 45 Nascimento: 19/03/1942 Estado civil: Casado Ocupação: Economista Grau de instrução: Superior completo Naturalidade: São Paulo (SP) Limite de gastos na campanha: R$ 180 milhões

Marcello Casal Jr/ABr  

Da infância pobre ao topo da política

Da infância miserável no Acre ao status de ambientalista reconhecida internacionalmente, Marina Silva (PV) cumpre nesta eleição o papel de candidato símbolo da ascensão social no País que já foi do ex-aliado Lula. Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima nasceu em 8 de fevereiro de 1958 no meio de um seringal. Teve 11 irmãos, dos quais três morreram. Perdeu a mãe aos 15 anos, e um ano depois contraiu hepatite, a primeira de três. A essa altura, seu histórico de saúde incluía cinco malárias e uma leishmaniose. Mudou-se para Rio Branco, capital do Acre, para se tratar, e iniciou-se na vida religiosa - na época, sonhava ser freira. Aprendeu a ler e a escrever aos 16 anos. No início dos anos 80, Marina ingressou na política pelo líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988. Ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre, e em 1986, filiada ao PT, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados. Não se elegeu. Dois anos depois se elegeu vereadora de Rio Branco. Em 1990 foi eleita deputada estadual, e quatro anos depois chegou à capital federal como a senadora mais jovem da história da República. Foi reeleita em 2002.Quando Lula assumiu a presidência, em 2003, foi nomeada para o Ministério do Meio Ambiente. No cargo, Marina entrou em atrito com várias outras pastas do governo federal, sobretudo a Casa Civil de Dilma Rousseff, atual adversária política de Marina. A petista, que era ministra de Minas e Energia, tratava queda de braço com Marina para obtenção de licenças ambientais para obras de infraestrutura, como a construção de uma usina hidrelétrica no rio Madeira, em Rondônia.Sem sustentação política no cargo, pediu demissão em maio de 2008, e em agosto do ano passado deixou o PT depois de quase 30 anos no partido, filiando-se ao PV. Por sua carreira, a plataforma política de Marina Silva está ligada ao desenvolvimento sustentável e à defesa do meio ambiente. Já para os temas de fundo moral, como o aborto e o casamento entre homossexuais, a evangélica Marina defende a realização de um plebiscito. Sua campanha conta com o apoio público de artistas como Caetano Velloso e Marcos Palmeira. ViceMarina escolheu para o posto de vice aquele que pode ser definido como a antítese da candidata: um empresário bilionário sem nenhuma experiência na vida pública. Guilherme Leal é dono de 25% das ações da Natura e é dono de fortuna avaliada em US$ 2,1 bilhões, o que o coloca na 463ª posição dos mais ricos do mundo, segundo a revista norte-americana “Forbes”.
Marina Silva
Partido Verde (PV) - Número 43 Nascimento: 8/2/1958 Estado civil: Casada Ocupação: Senadora Grau de instrução: Superior completo Naturalidade: Rio Branco (AC) Limite de gastos na campanha: R$ 90 milhões

Valter Campanato/ABr  

Burguês, Plínio adota discurso radical

O octogenário Plínio de Arruda Sampaio (Psol) foi o franco-atirador desta campanha, levando humor aos debates na TV com suas tiradas irônicas e críticas ácidas aos concorrentes. Dono de um discurso radical típico do velho PT e do atual Psol, Plínio vem de uma tradicional família burguesa paulistana. Nasceu em 26 de julho de 1930 na Capital, filho do desembargador João Batista de Arruda Sampaio.Na juventude, militou em organizações da esquerda católica. Em 1954, formou-se em direito pela USP, e ingressou no Ministério Público do Estado. Cinco anos depois, com a eleição de Carvalho Pinto para o governo estadual, Plínio tornou-se secretário de Negócios Jurídicos, função que ocupou até 1961, quando se transferiu para a Prefeitura de São Paulo, onde foi secretário do Interior e Justiça. No ano seguinte foi eleito deputado federal pelo Partido Democrata Cristão (PDC). Com o golpe militar de 1964, no entanto, teve os direitos políticos cassados e, como José Serra, exilou-se no Chile por seis anos. Em 1970, mudou-se para os Estados Unidos, e retornou ao Brasil seis anos depois.Plínio ajudou a fundar o PT em 1980, e dois anos após candidatou-se a deputado federal, mas só se elegeu para o cargo em 1986. Candidatou-se a governador em 1990, mas foi derrotado por Luiz Antônio Fleury Filho, do PMDB, aliado de Orestes Quércia. Continuou filiado ao PT até 2005, quando, no auge do escândalo do mensalão, deixou o partido e se filiou ao Psol, uma dissidência petista radical. Em 2006 candidatou-se a governador, mas não passou do primeiro turno.Sua candidatura à presidência rachou o Psol. Heloísa Helena, candidata ao posto em 2006, abriu mão da disputa para tentar o retorno ao Senado por Alagoas, e defendeu que o partido apoiasse Marina Silva para presidente. A maioria dos filiados, porém, optou por candidatura própria, e Plínio foi o escolhido com uma plataforma política radical, que prega auditoria da dívida pública brasileira, reestatização da mineradora Vale, reforma agrária com desapropriação de áreas acima de mil hectares, redução da jornada de trabalho e legalização do aborto. ViceComo Plínio, o vice na chapa do Psol é um ex-petista com longo currículo em movimentos populares de esquerda. O baiano Hamilton Assis foi dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na Bahia entre 1993 e 1996. Deixou o PT em 2005, no escândalo do mensalão, Atualmente preside o diretório municipal da sigla em Salvador. (AA)
Plínio de Arruda Sampaio
Partido Socialismo e Liberdade (Psol) - Número 50 Nascimento: 26/7/1930 Estado civil: Casado Ocupação: Advogado Grau de instrução: Superior completo Naturalidade: São Paulo (SP) Limite de gastos na campanha: R$ 900 mil

   

Vidraça, PSDB tenta manter reinado em SPDesta vez não houve dossiês, dinheiro vivo em mala nem trapalhadas dos “aloprados.” Mas nem por isso a campanha para o governo do Estado foi mais civilizada ou mais fácil para o PT. Sobraram ataques entre tucanos e petistas, com direito a jingles difamatórios e denúncias de manipulação de dados dos dois lados. Em meio ao tiroteio, o PSDB busca prolongar seu “reinado” de 16 à frente do Palácio dos Bandeirantes, enquanto o PT repete a estratégia nacional e usa o presidente Lula como cabo eleitoral de luxo.Como no pleito para a presidência, o tucano Geraldo Alckmin passou de uma vitória certa ainda no primeiro turno para o clima de incerteza na disputa com Aloizio Mercadante (PT), que adotou o discurso de que São Paulo não pode fcar contra o Brasil, ante à iminente vitória de Dilma Rousseff (PT). Pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira dava 49% das intenções de voto para o tucano, dois pontos a menos do que no levantamento anterior. Já o petista subiu quatro pontos, e chegou a 27%. No entanto, com 54% dos votos válidos, Alckmin preserva fôlego para se eleger hoje.A vantagem diante dos adversários fez do tucano a vidraça desta campanha. Mercadante focou sua campanha nas críticas ao alto valor dos pedágios nas rodovias estaduais, à escalada da violência e na progressão continuada da educação, calcanhares de Aquiles das seguidas gestões do PSDB. O petista promete investir em escolas técnicas e acabar com o sistema de aprovação automática em sala de aula, além de implantar bases móveis da PM nos bairros e reduzir o valor dos pedágios - aliás, o maior alvo da campanha.Sobre os pedágios, o tucano criticou a qualidade das estradas federais pedagiadas. “O governo federal tem pedágio barato, mas não tem estrada, tem rodovias da morte”, disse em debate no fim de agosto. E qualificou a segurança pública paulista como “exemplo para o País”.Na órbita de Alckmin e Mercadante, Celso Russomanno (PP) e Paulo Skaf (PSB) lutam para tirar votos do tucano e do petista e levar a disputa ao segundo turno. O deputado federal Russomanno, 9% no último Datafolha, aposta nas críticas à segurança pública para tirar votos de Alckmin. Em uma linha agressiva de campanha, chegou a chamar o tucano de “chuchu” no último debate da Globo. Já Skaf deve amargar o quarto lugar nas urnas - o Datafolha aponta 4% das intenções de voto.Escudeiro de LulaFiel escudeiro de Lula no Senado, Aloizio Mercadante é peça estratégica para os petistas no xadrez eleitoral. O presidente busca eleger Dilma Rousseff já no primeiro turno e forçar uma segunda rodada para o governo do Estado, quando julga ter chances de quebrar a hegemonia tucana e ter chances de dominar o País e o principal Estado da federação.Mercadante nasceu em 13 de maio de 1954 em São Paulo. Formou-se em economia pela USP e mestre e doutor na área pela Unicamp, currículo que o gabaritou para participar da elaboração do programa de governo de Lula em todas as eleições que disputou, de 1989 a 2006. Na juventude, Mercadante participou do movimento estudantil, e colaborou com o sindicato dos metalúrgicos na Grande São Paulo, ao lado de Lula, e com a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Com 26 anos, foi um dos fundadores do PT, em 1980 - chegou a ocupar a vice-presidência nacional da legenda.A primeira vitória nas urnas veio em 1990, quando foi eleito deputado federal. Quatro anos depois, foi escalado para ser vice na chapa de Lula à presidência. Após o pleito de 1998, com 241.559 votos, retornou à Câmara dos Deputados. Em 2002, Mercadante foi escolhido pelo PT para disputar uma vaga de senador por São Paulo. Elegeu-se com 10,5 milhões de votos.Tentou pela primeira vez o governo do Estado em 2006, quando sua coligação envolveu-se no escândalo dos “aloprados” - assessores do candidato foram flagrados tentando comprar um dossiê contra o adversário José Serra. A divulgação da foto do dinheiro que seria usado na negociata, R$1,19 milhão, arrasou a campanha de Mercadante, e Serra foi eleito no primeiro turno.ViceO vice do petista, Coca Ferraz (PDT), é um ex-tucano professor da Universidade de São Paulo e especialista em engenharia de transportes. Nascido na Capital em 1951, foi secretário de Planejamento em Araraquara e presidente da Companhia de Transporte Coletivo do município. Ele já foi adversário político do atual presidente do PT no Estado, Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara.Fama de repórterCelso Russomanno (PP) se apoia na fama de repórter especializado na defesa do consumidor dos tempos de “Aqui Agora”, do SBT, para tentar se eleger governador do Estado. No horário eleitoral, usa e abusa do bordão criado no início dos anos 90 no programa de TV: “Estando bom para ambas as partes”.Russomanno nasceu em São Paulo em 20 de agosto de 1956. Bachael em direito, está no quarto mandato como deputado federal - em 2006, foi eleito com 573.524 votos. Hoje conta com as bênçãos do deputado federal e presidente do PP no Estado Paulo Maluf, após longo período de estremecimento gerado pela disputa da vaga de candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PP, em 2008. Dois anos antes, o grupo malufista tentou afastar Russomanno da presidência do diretório paulista, mas ele retomou o cargo por meio de liminar. Apesar da trégua com Maluf, permanecem rusgas pontuais entre ambos. Na atual campanha, Russomanno declarou-se a favor da Lei da Ficha Limpa, que prejudicou a candidatura do ex-governador ao torná-lo inelegível - a questão sobre a validade da norma ainda será debatida pelo STF.Mesmo na política, o candidato não abandonou a mídia. Antes das eleições, Russomanno foi co-apresentador do programa “Notícias e Mais”, na CNT, apresentador do “Programa Celso Russomanno” na Rede Brasil e foi locutor da “Patrulha do Consumidor”, na Rádio Tupi. ViceO advogado Silvio Roberto Seixas Rego, 46 anos, foi o escolhido para integrar a chapa de Russomanno. Especialista em direito administrativo, foi assessor jurídico da Prefeitura de Mirassol na gestão Chim Palchetti (2001-2004), secretário da Habitação e procurador jurídico da Prefeitura de Bebedouro. Já prestou consultoria jurídica a vários municípios do interior, inclusive da região, como Mirassol, Adolfo, Buritama, Álvares Florence, Palestina, Olímpia, Santa Adélia, Neves Paulista, Ariranha e Parisi. Também é professor em cursos de direito.Esperança tucanaGeraldo Alckmin, político figurante nos anos 90, saiu dos bastidores para se tornar governador com a morte de Mário Covas, em 2001, de quem era vice. Bem avaliado à frente do Palácio dos Bandeirantes, foi eleito para o posto em 2002. Refratário a polêmicas e vago no discurso, ganhou o apelido de “picolé de chuchu”. Formou dentro do PSDB paulista um núcleo adversário ao grupo comandado pela dupla José Serra-Aloysio Nunes. A rivalidade atingiu o ápice quando a cúpula tucana escolheu Alckmin para disputar a presidência com Lula, em 2006. Minado pela ala serrista, Alckmin foi derrotado no segundo turno pelo petista.Dessa vez o caminho de volta ao poder parece mais fácil. Líder nas pesquisas de intenção de voto, o candidato tem uma história longa na política. Alckmin filiou-se ao MDB em 1972, aos 19 anos, e se elegeu o vereador mais votado de Pindamonhangaba, cidade do Vale do Paraíba onde nasceu em 7 de novembro de 1952. Já na eleição seguinte, em 1976, tornou-se prefeito com 24 anos.O segundo mandato legislativo, de deputado estadual, foi conquistado com a cifra de 96.232 votos, em 1982. Em 1994, foi eleito vice na chapa de Mário Covas para o governo estadual. A dupla foi reeleita em 1998 no comando do maior Orçamento do País, depois do governo federal. Na campanha de 2000, Alckmin, que desde 1972 não perdia uma eleição, enfrentou seu primeiro revés nas urnas, foi derrotado pela primeira vez. Com a morte de Covas assumiu o governo, reelegendo-se em 2002. Após a briga interna com a ala serrista em 2006 , o candidato aproximou-se de Serra, e obteve uma pasta no governo estadual.ViceO empresário Afif Domingos (DEM) é o candidato a vice na chapa de Alckmin. Afif iniciou-se na política pelas mãos de Paulo Maluf, de quem foi secretário de Agricultura no início dos anos 80. Elegeu-se deputado federal em 1986 pelo PL. Três anos depois, candidatou-se à presidência com o bordão “Juntos chegaremos lá”. Acabou derrotado. O fracasso nas urnas se repetiria na disputa pelo Senado em 1990 e 2006. Em 1998 ocupou o cargo de secretário de Planejamento em São Paulo, na gestão de Celso Pitta.

   

   

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