Diário da Região

21/09/2011 - 00h50min

Cracolândia

Crack é a droga mais consumida na região

Cracolândia

Assessoria Deputado Orlando Bolçone Bolçone e outros deputados da frente durante “visita” à cracolândia
Bolçone e outros deputados da frente durante “visita” à cracolândia

O crack está presente na quase totalidade dos municípios paulistas e se transformou numa das mais cruéis epidemias a ser enfrentada pelo poder público, perdendo em usuários que buscam tratamento apenas para o álcool, uma droga lícita. A conclusão é de deputados estaduais integrantes da Frente de Enfrentamento ao Crack na Assembleia Legislativa, que ontem divulgaram dados de levantamento promovido junto a prefeitura e órgãos de saúde do Estado de São Paulo.


“Os números são assustadores”, resume o deputado Orlando Bolçone (PSB), um dos integrantes da frente. Das 101 cidades da região administrativa de Rio Preto, 55 já responderam a questionamento elaborado pela Assembleia. Destas, somente duas - Rio Preto e Neves Paulista - disseram oferecer tratamento e leitos públicos para os viciados em crack. O restante, 94%, afirmou não receber verba dos governos estadual e federal para desenvolver ações de tratamento ao vício do crack.


O estudo revela ainda que 61% dos municípios consultados sequer ajudam entidades particulares que atendem dependentes químicos, sendo que há registro de uso e dependência de crack - uma das drogas mais devastadoras - em 83% das cidades consultadas. Na escala de usuários que buscam ajuda para tratar o vício de alguma droga, o álcool aparece em primeiro, com 58%, e depois o crack, com 28%.


“O maior desafio é integrar as ações entre os governos federal, estadual e municipal no enfrentamento do problema”, diz Bolçone, que também alerta para a necessidade de mais recursos para o combate e tratamento da epidemia. “Foram destinados R$ 200 milhões para tratamento de dependentes para os próximos quatro anos. Estamos tentando no PPA (Plano Plurianual) dobrar para R$ 400 milhões. R$ 100 milhões por ano”, disse o deputado, que já propôs projeto de lei para que crianças e adolescentes - uma das principais vítimas do entorpecente -, em caso de ameaça à vida, sejam recolhidas das ruas e internadas compulsoriamente em clínicas ou hospitais de tratamento.


“O projeto está em análise na Comissão de Constituição e Justiça. Existe um questionamento se não seria a volta dos manicômios. Acho que a frente vai apresentar um substitutivo dando garantias de que não haverá retrocesso no processo antimanicomial”, afirmou o deputado. Além de Bolçone, integram o grupo que analisa a problemática do crack os deputados Donisete Braga (PT), Fernando Capez (PSDB) e Olímpio Gomes (PDT).


No topo


O dado que mais chocou parlamentares e que alerta para o risco do crescimento do crack é o que coloca a droga como a segundo mais consumida por quem busca tratamento na rede pública. Atrás apenas do álcool, droga lícita. De acordo com as 55 prefeituras que responderam ao questionamento de 10 perguntas elaborado pela Assembleia, das pessoas que procuram ajuda para enfrentar algum tipo de vício, 28% são relacionados ao crack. A maioria, 58%, têm problemas com álcool. Viciados em cocaína (8%) e maconha (6%) são minoria.


A frente parlamentar considera mais preocupante a situação das cidades com população entre 50 mil e 100 mil habitantes, muitas ainda sem uma política de enfrentamento para o problema. Segundo os dados divulgados ontem, 76% dos usuários ou dependentes de crack estão na faixa etária entre 16 e 35 anos. Os deputados dizem que há notícias de casos de crianças de até 9 anos que já registram dependência da droga. Um dos casos, segundo a frente, foi registrado em Bauru. Na cracolândia, em São Paulo, Bolçone diz que encontrou crianças convivendo entre os andarilhos e dependentes químicos.


Até o momento, dos 645 municípios paulistas, 325 já responderam ao questionamento da frente, números que já foram tabulados e divulgados ontem na Assembleia. O objetivo, porém, é que a totalidade das prefeituras informem a situação das suas cidades para que seja traçado um diagnóstico seguro sobre o avanço na droga no Estado. “Queremos chamar a atenção da sociedade. Mais do que projetos, é preciso propostas de políticas públicas para combater o problema.”


Bolçone: droga cria gueto


Diferentemente de outras drogas, o crack é considerado uma epidemia por seu alto poder viciante. “Ele é mais letal e vicia mais rapidamente do que qualquer outra droga. E é muito acessível. Há situações de que uma pedra pode custar até R$ 2”, diz o deputado Orlando Bolçone (PSB), que no final de junho integrou comitiva de autoridades que foi in loco conhecer a realidade dos viciados na cracolândia de São Paulo.


“É horrível. Lembra aquelas imagens de Bagdá bombardeada. as pessoas ficam no chão, abandonadas. Não têm ânimo nem de responder as perguntas. Das que responderam, temos depoimentos de gente que tinha casa, carro zero, comércio e perdeu tudo. Corrói os dentes, tem um efeito devastador”, disse Bolçone.


Canavieiros


Uma das constatações feitas pela Frente de Enfrentamento ao Crack é a crescente demanda pela droga em áreas rurais, principalmente entre trabalhadores rurais do setor canavieiro. O tema já foi alvo de reportagens do Diário, que revelou em 2009 o uso da droga por cortadores de cana, que, num primeiro momento, consideram ter estímulo extra para enfrentar o trabalho pesado.


“Temos esse problema”, diz Bolçone, que fala em convocar audiência pública com as usinas de cana-de-açúcar para debater soluções. “Vamos chamar as usinas para conversar. Quem fiscaliza a condição de trabalho dos rurais é o Ministério do Trabalho, órgão federal. Vamos também chamá-los.”

   

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