Diário da Região

25/08/2002 - 15h25min

Igreja e política II

‘Brasil não está preparado para Alca’, diz CNBB

Igreja e política II

Renata Fernandes O bispo Jayme Chemello, da CNBB, faz alerta sobre a Alca
O bispo Jayme Chemello, da CNBB, faz alerta sobre a Alca
“A ganância capitalista é como uma sede que não se esgota. Os patrões, as empresas e os países ricos sempre inventam novas formas para sugar a riqueza produzida pelos trabalhadores e pelos países pobres...” Sem meias palavras e com posições claramente definidas. Assim começa o texto de introdução da campanha contra a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), em que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) figura como uma das principais entidades organizadoras. O movimento de conscientização sobre o tema, que está acontecendo em todo o País, culmina com a realização entre os dias 1 e 7 de setembro com o plebiscito cujo objetivo é colher a opinião da população sobre o assunto. É a Igreja fazendo e discutindo política. “Não política partidária, mas a política que visa o bem das pessoas”, afirma o presidente da CNBB, o bispo Jayme Chemello, considerado um moderado dentro da entidade, que esteve em Rio Preto na sexta-feira justamente para falar sobre a Alca.

Para dom Chemello, o Brasil ainda não está preparado para entrar num bloco de livre comércio com os Estados Unidos, em condições de igualdade para competir. “Seríamos abafados”, diz ele. Para ele, a exemplo de Portugal e Espanha, que foram preparados antes de se efetivar a União Européia, o Brasil precisa de mais tempo para ganhar melhores condições de vida e desenvolvimento. “Uma Alca, por exemplo, teria de ser para o bem do povo brasileiro, não para o bem só da economia. Uma economia pode ir bem e o povo estar morrendo de fome”, diz ele. O ano de 2005, para quando se pretende a efetivação da Alca, é cedo, na opinião do bispo. Ele defende que o País precisaria de um prazo entre cinco ou dez anos e, após isso, o ingresso teria de ser gradativo. “Se o Brasil entrar de uma vez, não teremos como resistir”, completa.

Leia abaixo, integra de entrevista exclusiva:

Diário - Por que a igreja católica se preocupa, hoje, com a questão da Alca?
Dom Jaime Chemello - Nós nos preocupamos devido a muitas razões, como a experiência do México, as experiências do Canadá e Estados Unidos e a própria experiência da União Européia. A gente percebeu que os países mais pobres quase sempre são muito prejudicados, especialmente o povo destes países. Por causa disso a gente defende que é preciso ter um cuidado especial com a questão do livre comércio. O que não quer dizer que a gente não queira integração nenhuma. Não é isso. Até a Igreja está tentando uma grande integração da América Latina com a América do Norte. Agora, o livre comércio simplesmente é perigoso. Os Estados Unidos são uma potência mundial, é o maior país do mundo, com a maior riqueza e produção, que vai nos abafar se tomar conta da Alca.

Diário - Que tipos de prejuízos especificamente a Alca pode provocar?
Chemello - Especialmente, eu diria, na linha do povo. Normalmente eles não vêm só para negociar produtos. Eles vão ter muita liberdade para botar fábricas aqui e continuar pagando mal os trabalhadores. Então, eles produzem barato para vender caro. Já vi no México esta experiência. Estive há pouco tempo e o povo diz que o grande problema deles é a economia. As próprias indústrias mexicanas não têm como competir. Então nós deveríamos pedir um tempo para melhorar as nossas empresas, melhorar a situação do país, para depois, talvez, conseguirmos uma razoável integração, como, aliás, a União Européia fez.

Diário - De quanto seria esse tempo? A previsão de implantação é, ainda, em 2005.
Chemello - Mas 2005 é pouco. Veja, por exemplo, que a União Européia melhorou as condições internas de Portugal e Espanha para promover o livre comércio entre os países europeus.

Diário - E quanto tempo, na opinião do senhor, levaria para o Brasil estar preparado?
Chemello - Entre cinco e dez anos, talvez. Ainda assim com muita cautela. A Alca precisa ser uma coisa progressiva. Não, por exemplo, implantar o livre comércio de uma vez. Se entrar tudo de uma

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