Diário da Região

24/05/2003 - 01h18min

Argentina

Néstor Kirchner descarta novos pacotaços

Argentina

AP Desempregado se protege do sol, nas vésperas da posse do novo presidente
Desempregado se protege do sol, nas vésperas da posse do novo presidente
Néstor Kirchner, que tomará posse amanhã como presidente da Argentina, declarou que os argentinos não precisam ficar preocupados por eventuais “pacotaços” econômicos. Segundo Kirchner, seu estilo de administração será o de “governar dia a dia”. Fiel a seu modo de ser pacato, o presidente eleito sustentou que não acredita na teoria do pacote: “Vou tomar medidas desde o primeiro dia até o último.” Domingo, em seu discurso de posse, Kirchner anunciaria uma guinada na política econômica dos últimos 14 anos. Neokeynesiano e admirador do New Deal do presidente americano Franklin Delano Roosevelt (1932-45), o novo presidente pretende impulsionar o investimento público. Outra parte do eixo da administração Kirchner será o combate intenso à corrupção e à sonegação tributária.

No entanto, o próprio Kirchner se encarrega de eliminar as expectativas de grandes mudanças repentinas. “Vamos fazer reformas profundas, mas essas coisas não poderão ser percebidas de um dia para outro.”
O tom demasiado “centro-esquerdista” de Kirchner estaria causando irritações no Fundo Monetário Internacional (FMI). A “lua de mel” que estava ocorrendo desde o início do ano poderia ter terminado, afirmam os analistas. O Fundo está pressionando Kirchner mesmo antes de ter tomado posse para que vete uma lei do Congresso Nacional que prorroga a execução das hipotecas. No entanto, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, declarou ontem que o governo “disse claramente que não haverá veto”. Lavagna também disse que o novo governo pretende voltar a adiar os vencimentos marcados para setembro das dívidas que possui com o FMI: “A idéia é não gerar novos endividamentos, mas sim conseguir que mais prazos para a dívida que vem do passado.”

O economista Norberto Sosa considera que fechar um acordo com o FMI será “uma tarefa titânica”, já que Kirchner terá pela frente apenas três meses para fechar um acordo. O atual acordo com o Fundo é provisório. Foi assinado em janeiro e termina em agosto. Segundo Sosa, a estratégia do novo governo é a de primeiro “colocar cara de mau”. Ou seja, dar um recado “duro”, e depois sentar à mesa para começar a negociar. Sosa relembrou que no ano passado, a negociação com o FMI comandada pelo ministro Lavagna, “fazia que ficássemos com os cabelos em pé. Mas acabou tendo um bom resultado”. Quando tomou posse como presidente provisório da República no dia 2 de janeiro do ano passado, poucos consideravam que Eduardo Duhalde duraria mais do que um punhado de meses no cargo.

No entanto, como nas metáforas náuticas que gosta de fazer, Duhalde conseguiu pilotar o país no meio da tempestade, e conseguiu passar de um dos presidentes mais impopulares da História à uma excelente posição. Segundo uma pesquisa da consultoria Julio Aurelio, 59,5% dos argentinos consideram que a gestão de Duhalde foi “positiva”. Outros 33,7% a consideraram “negativa”. A pesquisa também indicou que 64,9% dos argentinos estariam otimistas pelo futuro, pois consideram que as perspectivas do país a partir da posse de Kirchner, amanhã, serão “favoráveis”. Para 19,7%, “não serão favoráveis”.

“Brasil é o líder”
O recém-designado chan- celer argentino, o jurista Rafael Bielsa, declarou que “as relações internacionais com o Brasil deveriam passar por cima das rivalidades do futebol”. Segundo Bielsa - que é irmão do técnico da seleção argentina, Marcelo Bielsa -, “as relações com o Brasil são importantes demais para que fiquem nas mãos de um árbitro de futebol”. Bielsa promete revolucionar a diplomacia argentina. Em uma atitude sem precedentes no país, afirmou que o líder da região é o Brasil. Em declarações ao jornal Clarín, Bielsa disse que a liderança brasileira na América do Sul é algo “que não dá para negar. É algo evidente. E isso não é ruim para nós. Só será ruim se formos imaturos”.

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