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Diário da Região

03/08/2015 - 09h14min

São Paulo

Helicópteros ainda cortam céu da Lapa

São Paulo

"É só esperar um pouquinho, você vai ver... Olha aí, já vem um! A gente nem consegue falar no telefone direito." Foi dessa forma que a dona de casa Edna Martins, de 63 anos, reagiu à passagem de mais um helicóptero sobre a casa onde mora, na Lapa, zona oeste de São Paulo. O barulho das hélices era perfeitamente audível do outro lado da linha telefônica. E não havia transcorrido nem um minuto desde o início da ligação. Há anos, os moradores da região protestam contra o intenso tráfego de helicópteros da Rota Marte, uma das mais movimentadas da capital. Eles também denunciam o desrespeito de pilotos que não seguem as Rotas Especiais de Helicópteros (REH), estabelecidas pela Aeronáutica, e cortam caminho pelo bairro, em vez de circular sobre terrenos livres, rios e avenidas de contorno ou áreas menos populosas. Em 2012, o jornal "O Estado de S. Paulo" publicou que a Associação Brasileira dos Pilotos de Helicóptero (Abraphe) estava fazendo esforços para conscientizar os pilotos a não sobrevoar a Lapa e o Alto da Lapa. Três anos depois, no entanto, o incômodo aos moradores continua o mesmo. Com o agravante de a frota no Estado ter aumentado 10% no período, chegando a 725 aeronaves. "A Abraphe trabalha constantemente na conscientização de toda a comunidade de pilotos em relação a isso. Sabemos que o barulho existe e, se for frequente, incomoda", reconhece o presidente da entidade, Marcelo Graciotti. Segundo o comandante, uma mobilização da Abraphe em parceria com o Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP), responsável pelo controle do tráfego na cidade, contribuiu para minimizar os ruídos nos últimos quatro anos. "A altitude (em que pode voar um helicóptero) aumentou de 2.900 pés (cerca de 880 metros) para 3.200 pés (975 metros) na Rota Marte. Isso diminui bastante o barulho", explica ele. Incômodo Edna, que é moradora da Rua Alves Branco, reuniu, desde 2013, mais de 700 assinaturas em um abaixo-assinado para alertar à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre os problemas enfrentados na região. Segundo ela, a situação chegou a melhorar, mas há cerca de quatro meses o incômodo voltou. "Os helicópteros passam em intervalos de poucos minutos, rente à minha casa. Dá até medo de cair. Na sexta-feira ou em véspera de feriado é um horror", diz. A aposentada Maria Imaculada Marques, de 61 anos, afirma que é acordada diariamente às 6 horas com o barulho dos helicópteros. "A gente sofre porque eles passam muito baixo. O barulho é grande, os vidros trepidam", conta. "Houve um tempo em que estava melhor, quando as pessoas do bairro fizeram diversas reclamações. Mas, seis meses depois, todo o incômodo havia voltado." "Nós estamos na junção da Marginal do Tietê com a do Pinheiros, os helicópteros não fazem a curva em cima do rio, então acabam desviando da rota", explica Maria Laura Zei, presidente da Associação de Amigos e Moradores pela Preservação do Alto da Lapa e Bela Aliança (Assambalpa). De acordo com ela, é difícil fazer denúncias formais contra os helicópteros porque nem sempre o número de identificação da aeronave está em local de fácil acesso. Controle Embora as REH existam para ajudar a organizar o fluxo e evitar o tráfego de helicópteros sobre áreas residenciais, não há infração para quem sai delas, somente para quem não cumpre a altitude mínima. "Praticamente não existem locais proibidos para sobrevoar, mas há os pouco recomendados - e uma consciência sobre isso. A nossa preocupação é grande. Por isso realizamos constantemente campanhas, ciclos de palestras e estudos para que o piloto tome atitudes no seu dia a dia que minimizem o impacto do ruído", diz Graciotti. A Aeronáutica informa que a legislação estabelece as alturas mínimas de voo. Para aviões ou helicópteros, "salvo quando pousando ou decolando", o piloto deverá sobrevoar a 500 pés (150 metros) acima de um obstáculo identificado como o mais alto - uma antena ou edifício, por exemplo -, em um raio de 600 metros. Nas REH, considera-se a elevação extra de 200 pés (ou 60 metros) em relação aos obstáculos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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