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Diário da Região

04/02/2015 - 17h30min

São Paulo

Filósofo Fausto Castilho é enterrado em SP

São Paulo


Autor da tradução da monumental obra de Heidegger, Ser e Tempo (Sein und Zeit), o filósofo Fausto Castilho, morto na terça-feira, aos 83 anos, no Centro Médico de Campinas, foi enterrado nesta quarta-feira, 4, no cemitério do Araçá, em São Paulo. Castilho, professor emérito da Unicamp, foi um dos fundadores do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e era considerado uma autoridade na obra do filósofo alemão Martin Heidegger (1889- 1976), de quem foi aluno.

Sobre a diferença entre ciência e filosofia, aliás, ele costumava recorrer a Heidegger para dizer que a primeira "existe para explicar, enquanto a filosofia, para dificultar". Embora considerasse Heidegger "o maior filósofo do século 20", o tradutor da primeira edição bilíngue de Ser e Tempo definiu o alemão como "politicamente tosco" por sua adesão ao nazismo.

Num debate sobre sua tradução, promovido pelo jornal O Estado de S.Paulo e pela editora da Unicamp há três anos, Castilho revelou que procurou o curso de Heidegger em Freiburg por sugestão de Merleau-Ponty. Ele conheceu a obra do pensador alemão por meio da revista Les Temps Modernes, de Sartre, em 1946.
Castilho, aliás, foi o cicerone de Sartre em sua visita ao Brasil em 1960, organizando a recepção ao filósofo francês em Louveira, na fazenda de Ruy Mesquita (1925-2013), que foi diretor do jornal O Estado de S.Paulo. Na ocasião, Sartre passou pelo menos 20 minutos falando sem parar sobre a obra de Heidegger no contexto do expressionismo alemão.

Castilho, que foi professor de Estética e traduziu livros da área, tinha predileção pelo filósofo e historiador italiano Benedetto Croce (1856-1952), que foi ministro da Educação da Itália nos anos 1920. Castilho ocupou igualmente cargos públicos, tendo assumido a área educacional quando Faria Lima (1909-1969) foi prefeito de São Paulo nos anos 1960.

Quando o filósofo começou a planejar o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, encontrou forte oposição por adotar critérios que prevalecem na universidade alemã. Formado na Sorbonne, ele participou da comissão organizadora da Unicamp e deixou traduções valiosas de Croce, Descartes, Espinosa, Habermas, Hegel, Heidegger, Hobbes, Kant e Marx, entre outros grandes pensadores.

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