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Diário da Região

21/07/2015 - 22h09min

São Paulo

Em encontro com prefeitos, Papa relaciona tráfico humano com aquecimento global

São Paulo

O Papa Francisco afirmou que tem "grandes esperanças" de que um acordo fundamental para combater as mudanças climáticas possa ser alcançado em Paris no final do ano e acredita que a Organização das Nações Unidas (ONU) precisa ter um papel central na luta contra o aquecimento global, de acordo com o The Guardian, jornal britânico. "A ONU realmente precisa tomar uma posição forte nesta questão, particularmente sobre o tráfico de pessoas...(um problema) que foi criado pelas mudanças climáticas", disse o Papa. Segundo o jornal britânico, os comentários foram feitos após um dia de reuniões com prefeitos de todo mundo, convidados pelo Vaticano para discutir os desafios ambientais e como as mudanças climáticas estão contribuindo para uma crise humanitária, com imigrações e trabalho escravo moderno. Entre os participantes estavam Bill de Blasio, prefeito de Nova York, George Ferguson, de Bristol, Gustavo Petro, de Bogotá e Fernando Haddad, prefeito de São Paulo. A conferência iniciou com os testemunhos de duas mulheres mexicanas, vítimas do trabalho escravo. "Não é possível que ainda exista, que continuamos cegos" para a questão da escravidão moderna, disse Ana Laura Pérez Jaimes, que passou cinco anos presa e obrigada a trabalhar 20 horas por dia no México. Ela mostrou aos prefeitos fotografias das 600 cicatrizes que ganhou, forçada a fundir ferro por horas sem comida ou água. Ana Laura afirmou que tinha de urinar em um saco plástico. Karla Jacinto, também mexicana, descreveu como foi abusada física e sexualmente por sua família, obrigada a se prostituir dos 12 aos 17 anos. Ela foi forçada a ter relações sexuais com mais de 42 mil homens antes de ser resgatada, disse. "Eu achava que eu não valia nada. Eu achava que eu era apenas um objeto para ser usado e jogado fora", contou. Karla, agora com 22 anos e mãe de duas crianças, trabalha para o fim do tráfico de pessoas. A reunião ocorreu um mês após a divulgação de uma Carta Encíclica do Papa Francisco - um tipo de estudo da Igreja - sobre o meio ambiente que pediu pelo fim do uso de combustíveis fósseis e para agir contra as mudanças climáticas e o consumo imoral, o que, segundo o Papa, coloca a humanidade em risco. De acordo com o The Guardian, durante a reunião, o Papa declarou, no que parecia ser um discurso improvisado e não um texto preparado, que a Carta Encíclica era mais "social" do que "verde", pois reflete uma "atitude da ecologia humana". "Nós não podemos separa o homem do seu entorno. Há um relacionamento que tem grande impacto, tanto na pessoa e na maneira como ela trata o meio ambiente quanto no efeito rebote contra o homem quando o meio ambiente é mal tratado", disse. Ainda, segundo o jornal britânico, o pontífice falou sobre "o crescimento desenfreado das cidades", um fenômeno global que favorece a proliferação de "favelas e cortiços" na periferia das grandes metrópoles, pois não há oportunidades econômicas suficientes para sustentar as pessoas pobres nas áreas rurais. "Isso precisa ser denunciado", disse Francisco. Ele criticou o aumento do desemprego entre jovens - que em países como a Itália já chega a mais de 40% - e lamentou que o sofrimento dos jovens e pobres está levando à "vidas sem sentido". "Se projetamos isso para o futuro...que tipo de horizonte eles podem vislumbrar?", perguntou. "Alguns entram para atividades de guerrilha, para encontrar algum sentido em suas vidas e também sua saúde fica em risco", comentou. O Papa Francisco também enfatizou a importância que os prefeitos têm em trazer estes debates para suas cidades, afirmando que as verdadeiras mudanças devem surgir da periferia para serem efetivas e não devem ser impostas de cima. (Gabriela Korman - gabriela.korman@estadao.com)

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