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Diário da Região

04/02/2015 - 12h35min

Sorocaba

Cidade do interior de SP se mobiliza para salvar bebê com doença rara

Sorocaba


Os 339 mil moradores de Franca, na região norte do Estado de São Paulo, estão se mobilizando para salvar a vida do bebê Davi Miguel Gama, de dez meses, portador de uma doença rara. A criança nasceu com uma síndrome que impede a absorção dos alimentos e precisa de um transplante de intestino para sobreviver. Desde o parto, o bebê não ingere alimentos e recebe nutrientes nas veias, por isso é mantido na unidade de terapia intensiva do Hospital Regional.

No Brasil, a cirurgia para essa doença, conhecida como diarreia intratável, só é possível para crianças com mais de dez quilos, mas Davi pesa apenas seis e tem dificuldade para ganhar peso. Um hospital de Miami, nos Estados Unidos, se propôs a fazer a cirurgia, mas o custo é de R$ 2,7 milhões. Sem condições de bancar o tratamento, os pais, entraram na Justiça com pedido para que o bebê seja levado para o exterior às expensas da União.

Em outubro do ano passado, o juiz Marcelo Duarte da Silva, da 3ª Vara Federal de Franca, determinou em liminar que o governo federal providenciasse a internação do bebê em Miami pelo tempo necessário à realização da cirurgia e o pós-operatório. A União recorreu e a liminar foi cassada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo. O desembargador Fábio Prieto baseou-se em declaração do hospital americano de que o transplante só é possível depois de a criança atingir o peso mínimo de 7 quilos. A advogada da família entrou com recurso e aguarda julgamento. Laudos médicos indicam poucos meses de vida se não for tentada a cirurgia.

No domingo, 1, centenas de cavaleiros se juntaram numa cavalgada em Pedregulho, cidade da região, para arrecadar fundos para o transplante. No domingo anterior, uma multidão saiu em passeata pelas ruas de Franca com o mesmo objetivo. Nas redes sociais, mais de 200 mil pessoas aderiram à causa da família de Davi. Em vídeo, o jogador Hernandes, da Inter de Milão, manifestou apoio à família do bebê, gesto repetido por outros famosos, como o craque de futsal Falcão e o jogador Cafu, pentacampeção pela seleção brasileira.

Caso Sofia

O caso do pequeno Davi tem um precedente: a família da menina Sofia Gonçalves de Lacerda, de Votorantim, região de Sorocaba, conseguiu na Justiça que o governo federal bancasse seu tratamento em Miami. A criança nasceu com Síndrome de Berdon, doença rara que impede o funcionamento do intestino, e aguarda doador para ser submetida a um transplante de seis órgãos, incluindo o intestino. Sofia, que está com os pais nos Estados Unidos desde julho de 2014, é a primeira na fila do transplante. A mobilização em redes sociais atingiu mais de 1 milhão de pessoas e resultou na arrecadação de R$ 2,2 milhões - o dinheiro que custeia a permanência da família em Miami.

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