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Diário da Região

10/09/2016 - 00h00min

classe T20

Velocista Daniel Martins faz melhor tempo do mundo nos 400m

classe T20

Daniel Zappe/MPIX/CPB Natural de Marília, Daniel fez a prova com o tempo de 47s22, superando a sua antiga marca
Natural de Marília, Daniel fez a prova com o tempo de 47s22, superando a sua antiga marca

O brasileiro Daniel Tavares Martins, de 20 anos, ganhou nesta sexta-feira a medalha de ouro na prova dos 400 metros dos Jogos Paralímpicos do Rio-2016. Ele bateu o recorde mundial da prova, com 47s22 de tempo. A marca anterior, de 47s78, também era sua. Daniel confirmou a expectativa gerada em torno de seu rendimento. Ele era considerado o grande favorito a vencer a prova, até por ser o atual campeão mundial da disputa.

Em entrevistas após a vitória, o velocista afirmou ter vencido porque “fez o que o treinador (Luiz Carlos Albieri, idealizador, no interior de São Paulo, de um projeto esportivo de busca de talentos) mandou”. Pela semelhança com o craque da seleção brasileira de futebol e do Barcelona, Daniel vem sendo chamado nesta Paralímpiada de o “Neymar brasileiro” ou “Neymar da Paralimpíada”.

“Nem durante os treinos eu consegui esta marca. Segui o que meu treinador mandou: fiz os 300 metros fortes e os últimos (100 metros), seja o que Deus quiser”, disse o atleta, que é natural de Marília, a mesma cidade paulista de Tiago Braz, medalhista de ouro na Rio-2016, no salto com vara.

O treinador a que Daniel se refere é Luiz Carlos Albieri, idealizador no interior de São Paulo, na década passada, de um projeto esportivo de busca de talentos esportivos. Albieri também é tido como o descobridor de Tiago Braz, o principal esportista do atletismo brasileiro na atualidade.

Daniel Martins compete na categoria T20, para deficientes intelectuais. Ele contou que os pais e amigos estavam na plateia e que, durante a corrida, pensou na música “Muleque (sic) de Vila”, do rapper Projota. A canção diz: “Vai, vai lá/ Não tenha medo do pior/ Eu sei que tudo vai mudar/Você vai transformar o mundo ao seu redor/ Mas não vacila, muleque de vila”. “Me identifico muito com essa música, tem a ver com a minha vida. Meus amigos é que me disseram”, afirmou.

No atletismo há seis anos, quando abandonou a capoeira e o futebol, seu esporte preferido, onde atuava como atacante famoso na região pela velocidade, Daniel revelou o que pretende fazer para celebrar a conquista: “O atletismo está no meu coração. Mas agora só penso em descansar e andar a cavalo, meu lazer favorito”, afirmou.

quadro de medalhas 10092016 Clique na imagem para ampliar

O atleta foi diagnosticado com deficiência intelectual depois de sofrer um ataque epilético, em 2012. Em 2015, ele foi nomeado Melhor Jovem Atleta do Ano, pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB).

A vitória de Daniel foi muito comemorada pelo público presente no estádio Olímpico, o Engenhão. Ao cruzar a linha de chegada, ele abraçou o técnico e desfilou com a bandeira do Brasil pela pista, celebrando com a torcida.

Além de ser questionado sobre desempenhos, treinos, conquistas e trajetória, Daniel costuma ser questionado sobre a semelhança com Neymar. O sorriso ao responder a pergunta sobre o tema serve para reforçar ainda mais a semelhança, assim como o jeito meio brincalhão. “Já estou acostumado com a comparação. Mas levo na brincadeira”, disse ele aos jornalistas que o cercaram após vencer a prova, realizada de manhã.

Daniel aproveitou a ocasião para dizer que é fã de Neymar e que pretende um dia vir a conhecê-lo. “Torci muito para ele durante a Olimpíada”, afirmou.

Em comum, Daniel e Neymar levaram para casa uma medalha de ouro no Rio-2016. Apesar da admiração pelo atleta brasileiro mais famoso da atualidade, Daniel afirma que seu herói mesmo é o velocista brasileiro João de Oliveira, que disputou, sem sucesso, os 110 metros com barreiras no Rio-2016. Oliveira, que também é de Marília, ficou conhecido quando se atirou de peixinho na chegada de uma eliminatória da prova olímpica.

Na prova dos 400 metros, vencida pelo brasileiro, o venezuelano Luis Arturo Paiva obteve a segunda colocação. Ele ficou a 0s61 do vencedor, com a marca de 47s83. Gracelino Tavares Barbosa, de Cabo Verde, alcançou 48s55 de tempo e ficou com medalha de bronze.

Phelipe Rodrigues leva prata

Além do ouro de Daniel Martins, no atletismo, e da prata da judoca Lúcia Teixeira, o Brasil conquistou mais quatro medalhas nesta sexta-feira nos Jogos Paralímpicos do Rio-2016. Duas delas vieram no atletismo e as outras duas foram na natação.

No estádio Olímpico, o Engenhão, Verônica Hipólito conquistou a primeira medalha feminina no atletismo ao chegar em segundo lugar na prova dos 100 metros T38 (para atletas com paralisia cerebral). Ela ficou atrás apenas da britânica Sophia Hahn, atual campeã mundial e que estabeleceu na prova um novo recorde paralímpico (12s62).

Outra brasileira que disputou esta final dos 100 metros, Jenifer Santos ficou no oitavo e último lugar, com o tempo de 13s61, que é a sua melhor marca pessoal. Pouco depois, Izabela Campos faturou o bronze no lançamento de disco F11 (cego total). Ela conseguiu a marca de 32,60 metros, abaixo das chinesas Liangmin Zhang (36,65 metros) e Hongxia Tang (35,01 metros).

Já no estádio Aquático, no Parque Olímpico, Phelipe Rodrigues conquistou a prata na prova dos 50 metros livre S10. Foi a quarta medalha dele em três edições dos Jogos - coincidentemente, todas de prata. “Eu esperava uma medalhinha de cor diferente, que era a de ouro. Eu queria fazer o melhor tempo da minha vida, mas foi um pouquinho pior. Mas é uma sensação indescritível competir no Brasil e ganhar uma medalha na frente da nossa nação”, afirmou.

O Brasil conquistou a medalha de prata também no revezamento 4x50 metros livres. O quarteto formado por Clodoaldo Silva, Joana Maria Silva, Susana Schnarndorf Ribeiro e Daniel Dias chegou em segundo na final disputada nesta sexta-feira. A China venceu a prova e levou ouro.

A prova é disputada com atletas de diferentes deficiências. Clodoaldo foi o primeiro a entrar na piscina pelo País, enquanto que Daniel Dias fechou a disputa. Com a prata, Daniel chegou a sua 17 medalha em Jogos Paralímpicos.

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