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Diário da Região

10/07/2016 - 00h00min

MÁFIA DO FUTEBOL

Operação confirma fraude em jogo do Rio Preto

MÁFIA DO FUTEBOL

JOHNNY TORRES Sem jogadores reservas, o técnico Matheus Soares dos Reis e o preparador físico Delmar Merola, do Barueri, tiveram a companhia de três policiais durante a partida no Riopretão.
Sem jogadores reservas, o técnico Matheus Soares dos Reis e o preparador físico Delmar Merola, do Barueri, tiveram a companhia de três policiais durante a partida no Riopretão.

Relatório feito por uma empresa suíça, contratada pela Federação Paulista de Futebol para apurar supostos resultados arranjados nos campeonatos promovidos pela entidade, confirma que houve manipulação na vitória do Rio Preto por 4 a 0 sobre o Barueri na noite de 11 de fevereiro deste ano, no Riopretão, pela Série A-3.

A goleada deixou 396 pagantes com esperança de uma reação do Jacaré no A-3 e também atendia interesses de apostadores asiáticos. Até aquele dia, o time rio-pretense havia somado apenas um ponto em três partidas e não tinha marcado gols. Aliás, desde 2014, o Glorioso não sabia o que era fazer quatro gols num único jogo. Ainda assim, quando marcou quatro, no A-3 de 2014, também sofreu gols.

De acordo o relatório de 39 páginas da empresa SportRadar, apostadores asiáticos lucraram com a manipulação desse resultado. O Diário teve acesso ao relatório, que não cita valores. O documento é confidencial, acompanha estatísticas do jogo e monitora o movimento em 400 casas de apostas espalhadas pelo mundo.

Contratada pela FPF, a SportRadar irá ajudar a Polícia Civil a destrinchar a Operação Game Over, conduzida pela 5ª Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), em São Paulo, vinculada ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Esse relatório foi entregue à FPF logo após dois jogadores do Barueri, sob a condição de anonimato, acusar Jaci Martinho de Oliveira, até então gestor do clube da Grande São Paulo, de ter aceitado proposta de um apostador asiático pela fabricação do resultado, em troca de R$ 93 mil. O Diário telefonou na sede do Barueri e recebeu a informação de que Jaci e Matheus não fazem mais parte do clube. Matheus também não atendeu as ligações para o seu celular.

O Barueri já havia entrado em campo esfarelado. Os salários estavam atrasados, o time fez uma longa viagem antes do jogo e veio a Rio Preto com apenas 11 jogadores, sem nenhum reserva. “As divisões regionais, no Brasil, são alvos dos fraudadores. Jogadores ganham pouco e muitos não têm trabalho para o ano inteiro, ficando desempregados quando os estaduais acabam”, diz Ricardo Magri, representante da SportRadar na América Latina.

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Jogo

Durante a partida, o relatório ressalta que uma casa de aposta da Ásia, desconfiada da fraude, retirou a aposta do ar logo aos 37 minutos do primeiro tempo. “Para isso acontecer tão cedo, na Ásia, é que a casa recebeu aposta alta por um resultado até então improvável naquele momento”, diz o relatório.

No segundo tempo, o Rio Preto vencia por 3 a 0 e, quando o jogo seguia para os minutos finais, Gustavo, atleta do Barueri, apontado como filho de Jaci, cometeu um pênalti, convertido por Washington.

Após o quarto gol, jogadores do Barueri bateram boca dentro de campo. Há quem diga que ouviu jogadores do Barueri comentando que o gol valeria R$ 93 mil. Matheus Soares dos Reis, ex-sócio de Jaci e que trabalhou como técnico naquele jogo, confirma que houve a proposta de R$ 93 mil. Porém, foi recusada.

O jogo logo entrou na mira da Justiça. Em março, o promotor José Reinaldo Carneiro Guimarães, conhecido pela atuação na Máfia do Apito em 2005, requisitou uma investigação policial.

Desde outubro do ano passado, o DHPP investigava as fraudes. “Apostas online são prejudiciais e jamais deveriam existir no esporte, nem mesmo em competições amadoras”, afirma o promotor Guimarães.

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Rio Preto recrimina ação de mafiosos

O Rio Preto, envolvido indiretamente, sente-se prejudicado por ver o nome do clube ligado ao escândalo, mesmo que somente o Barueri esteja sob investigação. Desde terça-feira, quando estourou a Operação Game Over, o nome do Rio Preto veiculou em toda a imprensa.

“Dirigentes do Barueri, mancomunados com máfias internacionais, apostam contra o seu próprio clube. Uma manipulação recriminável, haja visto os resultados bizarros que tem ocorrido envolvendo esse time, perdendo de 10 a 0 para o Nacional, de 8 a 0 para o Osasco e de 5 a 0 para o Catanduvense”, disse o diretor jurídico do Rio Preto, José Eduardo Rodrigues.

Em nota à imprensa, o clube rio-pretense se diz vítima. “Lamentamos e recriminamos esses atos ilícitos e a falta de ética e transparência no futebol, porque eles, se confirmados, comprometem toda a competição. No regulamento da A-3 consta como critério de desempate o número de vitórias e o saldo de gols. E nesse caso, o Rio Preto é uma potencial vítima dessas armações.”

Ex-goleiro do América segue preso em SP

Carlos Henrique Luna, ex-goleiro do América e apontado como aliciador na operação Game Over, ficará detido no DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), em São Paulo, pelo menos, até esta segunda-feira, 11. Com decreto de prisão temporária desde terça-feira, Luna foi pego em sua casa, no jardim Nazareth, em Rio Preto, e levado a São Paulo para prestar esclarecimentos.

A delegada titular da Divisão de Proteção à Pessoa do DHPP, Kelly Cristina de Andrade, decidirá o que fará com Luna nesta segunda-feira.

No organograma sobre como funciona a máfia que manipula resultados no Brasil, para favorecer apostadores asiáticos, Luna está entre os aliciadores, que vão até os clubes e propõem a fabricação de resultados.

Não há suspeita sobre a atuação de Luna como goleiro. Ele foi inscrito pelo América na quarta divisão de 2015 e não participou do jogo em que o América recebeu a proposta de R$ 160 mil para perder para o Vocem, de Assis, por 4 a 0. Luna a esposa Michele alegam inocência. Neste sábado, ela diz que “está aguardando a decisão da polícia”.

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