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Diário da Região

03/08/2016 - 00h00min

OLIMPÍADAS

Futebol feminino dá o pontapé inicial nas competições

OLIMPÍADAS

Ricardo Stuckert/ CBF 2/8/2016 Jogadoras da Seleção Brasileira durante treino no Rio
Jogadoras da Seleção Brasileira durante treino no Rio

A cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio será nesta sexta-feira, mas o pontapé inicial nas competições é nesta quarta com seis partidas do futebol feminino. O Brasil, da craque Marta, estreia às 16 horas contra a China no estádio Olímpico, o Engenhão. Aos 30 anos, Marta joga talvez a sua última chance de medalha de ouro. Prata, já tem duas (Atenas-2004 e Pequim-2008).

O ouro em casa representará o fecho de uma carreira brilhante desenvolvida em uma modalidade abandonada no País. Tanto que nenhuma das 18 convocadas atua em clube brasileiro. Marta joga na Suécia. Andressa Alves, no Barcelona. A artilheira Cristiane, no Paris Saint-Germain.

A conquista do ouro, embora não admitida nem pelo treinador Osvaldo Alvarez, o Vadão, nem pelas jogadoras, é uma obsessão. O Brasil vem de um fracasso em Londres-2012 - a eliminação nas quartas de final para o Japão - e das duas derrotas nas finais dos Jogos de 2004 e 2008. Se o ouro não vier, o esporte tende a se tornar ainda menor do que já é.

Para Marta, a frustração tenderá a ser ainda pior. Eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo, autora da maior quantidade de gols já feitos por uma atleta na Seleção Brasileira - completou 100 em 2015 -, a craque disputará a sua quarta Olimpíada. No currículo, falta essa medalha. Em Pan-Americanos, a história é outra. Marta e suas colegas conquistaram o ouro em 2003, 2007 e 2015.

A comissão técnica avalia que jogar em casa une trunfos e riscos. Tanto que há quase dois anos trabalha com profissionais de psicologia na tentativa de amenizar a pressão sobre as atletas. Para montar uma base para a Olimpíada, a CBF criou, no início de 2015, uma seleção permanente, que reúne as jogadoras que não atuam no exterior. O grupo se encontra periodicamente para treinos e amistosos.

Com a cabeça trabalhada, o entrosamento das atletas permanentes e o talento das que jogam fora, Vadão estima ter boas chances de vitória, embora a eterna seleção dos Estados Unidos - ouro em quatro das cinco últimas Olimpíadas - surja como favorita.

A China, adversária desta quarta, é experiente e ameaça dificultar a atuação das brasileiras. O futebol feminino no país é desenvolvido, com competições fortes. Tanto que quatro selecionadas por Vadão jogam por lá: a atacante Debinha, a zagueira Rafaelle, a lateral Fabiana e a meia Raquel. São as espiãs do treinador.

marta 03082016 A rio-pretense Milene, irmã mais velha de Darlene, e Marta (dir.), antes do embarque do time do Juventude para uma partida em 2003

Rainha jogou no Juventude em 2003

Carlos Petrocilo

Entre o desemprego, após o fim das atividades do time de futebol feminino no Vasco-RJ e o início da carreira no exterior, Marta vestiu a camisa do Juventude, em 2003, e morou na zona norte de Rio Preto. A equipe, comandada pelo casal Chicão Reguera e Doroteia Inojo, hoje com o nome de Rio Preto, abriu as portas para Marta que, aos 17 anos, corria o risco de ficar inativa.

A diretoria do Vasco havia desistido da modalidade. “Trouxemos a Cris e a Carol, e a Marta estava parada. Aos 17 anos, ela já era diferenciada e jogava na Seleção principal”, recorda Doroteia. “Ela jogou pelo Juventude, em 2003, e iria para o Canadá. Mas no meio do caminho, foi para a Suécia.” Doroteia recorda poucas passagens da craque. “Me lembro que ela só me dava trabalho quando acabava os treinos e corria para casas de videogame.”

Jéssica, companheira de Marta no Juventude e que continua no Rio Preto, recorda da dedicação da Rainha. “Ela sempre foi muito concentrada e focada. Fora de campo, era muito divertida.”

escolinha 03082016 Jéssica (5), volante do time principal e professora da escolinha, orienta

Escolinha do Rio Preto fica na torcida

Às terças e quintas-feiras, pelo menos 35 adolescentes vão ao campo do bairro Cecap, na zona norte de Rio Preto, com a missão de aprender futebol. São meninas que sonham entrar em campo com a camisa do Brasil. De cara, já enfrentam uma série de adversidades. “Teve uma mãe que tirou uma menina do treino. Dois anos depois, a filha estava na droga e veio pedir uma ajuda.

Como vou ajudar?”, indaga Jéssica, instrutora e volante do time principal do Rio Preto. “Alguns pais têm preconceitos. Nem todos entendem que é uma prática esportiva. Outras também não têm dinheiro para condução, caso contrário teríamos 100 alunas.”

No treino desta terça, antes de começar o bate-bola, Jéssica falou sobre a estreia do Brasil na Olimpíada. “Pedi para que torçam. O futuro do futebol feminino depende do resultado nas Olimpíadas. Estamos no fim da geração de Marta e Cristiane”, disse Jéssica.

A atacante Isadora Shinagava Cruz, de 16 anos, gosta de todos os esportes e se entregou ao futebol. “Na Copa do Mundo, em 2014, eu pedi para o meu pai que queria jogar futebol. Esse sonho só cresceu desde quando comecei a treinar aqui”, disse Isadora.

Gabriela Bianca Marques Silva, também de 17 anos, é zagueira e persegue o caminho para se profissionalizar. “Já pensei em desistir, mas a Jéssica me deu forças. Vejo as conquistas do Rio Preto, campeão brasileiro, e fico mais motivada”, conta Gabriela. (CP)

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