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Diário da Região

28/08/2015 - 12h15min

São Paulo

Neta de Coaracy ganha Bolsa Pódio após COB descartar chance de medalha

São Paulo

Era 25 de março passado quando Ministério do Esporte, Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos e Comitê Olímpico do Brasil (COB) se reuniram para discutir a concessão de Bolsa Pódio ao dueto brasileiro do nado sincronizado. Consultado, o COB afirmou que as atletas não têm chance de medalha em 2016 e recomendou que se aguardasse o resultado do Campeonato Mundial, realizado em agosto. O governo, entretanto, acatou a opinião contrária, da CBDA. Uma das beneficiadas é Luisa Nunes Porto Borges, neta do presidente da entidade, Coaracy Nunes. A Bolsa Pódio, de até R$ 15 mil, é oferecida ao governo federal aos atletas de provas não-coletivas que tenham chances reais de medalha nos Jogos Olímpicos de 2016. O gatilho para o caso ser considerado é que os atletas em questão estejam entre os 20 primeiros do ranking mundial ou tenham obtido classificação equivalente no Campeonato Mundial anterior. A partir daí, uma comissão formada por Ministério do Esporte, confederação, patrocinador estatal (no caso, os Correios) e o COB avalia, a partir de critérios técnicos, se a medalha é mesmo possível. No caso de Luisa Borges (ela não usa o sobrenome do avô no meio esportivo) e Duda Minucci, o resultado obtido para a concessão da Bolsa foi o sétimo lugar na Copa do Mundo do ano passado. A competição, entretanto, não tem caráter de Mundial. A Rússia, campeã mundial seguidamente desde 2001, por exemplo, não participou. Tal informação não consta na ata da reunião. "A CBDA acredita que o dueto tem chance de disputar medalhas nos Jogos Olímpicos 2016, desde que atinjam as metas estabelecidas para conquistar medalhas", diz a ata, disponibilizada pela reportagem via Lei de Acesso à Informação. Em seguida, o COB argumentou: "O COB sugere que o dueto aguarde o Mundial de Kazan (Rússia) e, ainda, acredita que as atletas não têm chance de medalha nos Jogos Olímpicos 2016". Valeu a tréplica da CBDA, que afirmou "acreditar na evolução técnica das atletas". Em julho, o dueto participou dos Jogos Pan-Americanos e, pela primeira em 20 anos, deixou o Brasil fora do pódio. Depois, no Mundial, ficou em 14.º na rotina técnica em 12.º na rotina livre - na Olimpíada, tais resultados são somados. No nado sincronizado, entretanto, as classificações se repetem, com pouquíssima variação, competição após competição. O escalonamento é muito claro. Desde o Mundial de 2009 os seis primeiros colocados são os mesmos. Nesse período, a Rússia ganhou quatro ouros, a China três pratas, a Espanha dois bronzes. Nos Jogos Olímpicos, o Brasil foi 12.º em Sydney, 12.º em Atenas, 13.º em Pequim e 13.º em Londres. O degrau entre os dois estágios é enorme. A real meta do dueto para 2016 é chegar à final, entre as 12 primeiras, como evidenciou Duda Minucci ao fim do Mundial. "O Mundial é a competição que mais se assemelha aos Jogos Olímpicos para o dueto, e encaramos como um treinamento bem pesado para a Olimpíada. Chegar a final nos motiva ainda mais para buscar uma final." Ela e a neta de Coaracy, entretanto, serão financiadas pelo governo como potenciais medalhistas. OUTRO LADO - Questionada sobre os motivos que levavam ao entendimento de que o dueto tem chance de medalha no Rio-2016, a CBDA afirmou apenas que "indicou o dueto porque está dentro do que o edital (do Bolsa Pódio) determina". Já o Ministério do Esporte, quando perguntando se acredita que o dueto tem chance de medalhas, respondeu que "avalia o apoio aos atletas de maneira ampla, com foco no desenvolvimento da modalidade, na equidade entre gêneros e na busca de medalhas." Quando o edital que contemplou as atletas do nado sincronizado foi aberto, o Ministério do Esporte escreveu à imprensa: "Estar entre os 20 primeiros do mundo em rankings internacionais é apenas o primeiro dos critérios. Outros aspectos de performance e chances de medalha, de acordo com peculiaridades de cada modalidade, são discutidos a cada caso de indicação".

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