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Diário da Região

25/04/2016 - 11h46min

Brasília

Turbulência política obrigou Tesouro a alterar estratégia de gestão da dívida

Brasília

O coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Leandro Secunho, avaliou nesta segunda-feira, 25, que a turbulência política de março obrigou o Tesouro Nacional a alterar sua estratégia de gestão da dívida. "Qualquer tipo de incerteza, política ou não, traz volatilidade aos mercados. Houve volatilidade em março, mas nada fora do normal", afirmou. Segundo ele, as taxas estão "bem comportadas" e em queda, e os leilões de março e abril forma bem sucedidos. "Não há uma volatilidade extrema como ocorreu em setembro, quando o Tesouro precisou fazer leilões de compra e venda. No momento, não temos observado nenhuma dificuldade nas emissões", acrescentou. PAF Leandro Secunho destacou que o estoque do endividamento de R$ 2,886 trilhões em março ainda está fora do previsto no Plano Anual de financiamento (PAF) de 2016, cujos limites vão de R$ 3,1 trilhões a R$ 3,3 trilhões. "Esperamos encerrar o ano dentro do intervalo, já que ainda restam nove meses neste exercício", avaliou. Ele explicou que o aumento de 2,38% da dívida em março se deveu à apropriação de juros e emissão líquida de títulos no mês. Sobre a participação dos títulos que compõem o estoque da dívida, Secunho destacou que o volume de papéis remunerados pela Selic ainda está muito distante do previsto no PAF. Em março, essa parcela estava em 24,92%, quando os limites do PAF vão de 29% a 33%. Segundo ele, isso ocorre porque há pouquíssimos vencimentos de títulos remunerados pela Selic até o fim do exercício. "Até o fim de 2016, os vencimentos de prefixados somam R$ 330 bilhões, os de índices de preços somam R$ 115 bilhões e os de Selic somam apenas R$ 14 bilhões", explicou. "A nossa expectativa é de que em dezembro, os títulos atrelados à taxa flutuante retornem para as bandas do PAF", completou. Secunho disse ainda que a expectativa do Tesouro é de que a participação das instituições financeiras como detentores dos papéis da dívida - que subiu em março para 24,28% - volte a cair em abril, com o vencimento de títulos. "Em março, os investidores estrangeiros se desfizeram de R$ 35 bilhões em títulos com vencimento em 1º de abril e esses papéis foram absorvidos pelas instituições financeiras, Agora em abril, com o vencimento, esses títulos saem das carteiras dos bancos", explicou. Vencimentos Leandro Secunho explicou que houve um aumento marginal dos títulos que vencem em 12 meses devido a efeitos estatísticos, com a saída de março de 2015 dessa contabilização. O porcentual está em 22,65%, enquanto os limites do PAF de 2016 preveem número de 16% a 19% para este ano. "O vencimento da dívida estar fora do PAF não é motivo de preocupação no momento. A expectativa é estarmos dentro dos limites em 31 de dezembro. O PAF prevê um dos porcentuais mais baixos da história para o vencimento da dívida em 12 meses", avaliou. Já o prazo médio da dívida caiu em março devido à queda do prazo médio das emissões no mês. Ainda assim, Secunho destacou que o Tesouro também emitiu mais títulos prefixados de longo prazo no mês passado. "Apesar da queda de prazo médio do estoque, o prazo médio das emissões de prefixados teve aumento relevante. Isso vai na direção correta", afirmou. Secunho citou também enfatizou a queda no custo médio da dívida nos últimos 12 meses, que em março caiu para 14,15%, o menor patamar desde maio de 2015. Segundo ele, no caso da dívida externa, a variação se deve à variação do câmbio em março. Já em relação à dívida interna, o movimento se deve à retirada de março de 2015 na estatística. "O índice de preços (inflação) em março de 2016 é menor que o de março do ano passado", explicou. O coordenador informou ainda que o custo médio das emissões de março continuam menores que o custo médio do estoque da dívida. Por isso, as emissões no mês passado também ajudaram a reduzir o custo médio total do endividamento do Tesouro. Sobre o mercado secundário em março, Secunho destacou que 70% das negociações no mês passado foram de títulos prefixados. "Houve aumento do giro total e vemos uma tendência nesse sentido. Os títulos estão sendo mais negociados no mercado secundário, inclusive em relação ao seu estoque", completou.

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