Diário da Região

26/11/2009 - 03h09min

Questão Agrária

‘Sem terra’ acampam em José Bonifácio

Questão Agrária

Rubens Cardia Ontem, sete barracos dos sem terra estavam armados às margens da rodovia Assis Chateaubriand
Ontem, sete barracos dos sem terra estavam armados às margens da rodovia Assis Chateaubriand

A região Noroeste paulista conta, desde o último domingo, com mais um acampamento de trabalhadores sem terra. No final de semana, foi instalado na área de domínio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), na rodovia Assis Chateaubriand, no município de José Bonifácio, um agrupamento de barracas que tem por finalidade assegurar, terminado os trâmites legais, um lote em propriedade rural que é considerada improdutiva, segundo índice do Incra.


De acordo com o lavrador José Carlos Marcondes, que afirmou que há seis meses integra o movimento, o acampamento organizado a partir do dia 22 de novembro seria filiado ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Eles teriam sido deslocados do núcleo de Promissão para José Bonifácio. “Em Promissão, deve ter umas 280 famílias”.


Ele afirmou que, desse total, 30 famílias devem integrar o acampamento do km 423 da Assis Chateaubriand, apesar de ontem apenas sete barracos estarem montados e o número de pessoas que ocupavam os barracos não chegar a 10. “Foram participar de uma reunião em Promissão sobre cesta básica”, afirmou.


José Marcondes explicou que os dirigentes do movimento obtém informações junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sobre onde estão as propriedades consideradas improdutivas pelos índices da entidade e informam as pessoas sobre a possibilidade de formação de um novo acampamento.


É o caso de Luzia Aparecida Silva Rodrigues, que saiu de Promissão junto com o marido para instalar-se no acampamento em José Bonifácio. Ela contou que os pais são trabalhadores rurais que obtiveram lote de terra no assentamento da desapropriada Fazenda Reunidas, em Promissão, em 1994.


O casal já teve oportunidade de conquistar um lote há alguns anos, mas desistiu porque os assentamentos disponíveis ficavam distantes da região, onde a família se concentra. “Tenho parentes em Mirassol”. Luzia contou que nos últimos quatro anos, junto com o marido, trabalhou em “retiro de leite”.


O aposentado Adenor de Barros contou que os 10 primeiros anos de trabalho foram na roça. Depois, formou-se técnico mecânico e mudou-se para São Paulo, onde permaneceu durante 28 anos. De volta ao Interior, residente em Buritama, ingressou há cinco meses no MST convidado por alguns amigos. “Gosto de trabalhar com produção rural”, disse.


O pedreiro José de Augusto estava trabalhando no conserto de um poço, no Sítio Santa Teresa, que fica ao lado à propriedade que pode ser desapropriada para fins de reforma agrária. Ele estava junto com o retireiro Nilson Inácio da Silva. Ambos defendem que áreas improdutivas devem ser desapropriadas.


“Trabalho aqui há seis anos e essa área está sempre desocupada”, disse Nilson. “Se montarem um acampamento nessa fazenda eu vou ter um monte de serviço para fazer. Tem que produzir para gerar emprego no campo e na cidade”, disse o pedreiro José Augusto.


A dona-de-casa Maria Rosalina Miguel de Souza vive com o marido, Paulo de Souza, e uma das filhas, na fazenda de 62 alqueires que pode ser desapropriada. “O dono é Jorge Gabriel Said Aidar, é de Rio Preto”.Ela mora há quatro anos na fazenda e disse que, antes, a área era cultivada com laranja. Depois da desvalorização da citricultura, parte da propriedade tornou-se pasto. “Mas sempre tem plantio de milho numas áreas”, disse.


Ela não teve contato com os sem terra, mas teme que a desapropriação custe o emprego do marido que trabalha como administrador de fazenda.O presidente do Sindicato Rural de José Bonifácio, Adolfo Bigatão,disse que tomou conhecimento do acampamento na terça-feira à noite e que deve se reunir com outros associados para ver se a entidade vai tomar alguma posição.O proprietário da fazenda, Jorge Gabriel Aidar, foi procurado pelo Diário inclusive no hotel onde morou recentemente, mas não foi localizado para comentar a possibilidade da desapropriação.

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