Diário da Região

02/09/2011 - 00h48min

Copom

Selic menor é bem recebida por empresários

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Guilherme Baffi Sbrogio: pressões do Planalto influenciaram no corte da taxa
Sbrogio: pressões do Planalto influenciaram no corte da taxa

Lideranças empresariais de Rio Preto concordaram com o corte de meio ponto percentual na taxa básica de juros da economia executado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na noite de quarta-feira. A Selic passou de 12,50% para 12% ao ano e surpreendeu o mercado, já que a expectativa era de manutenção da taxa. Embora seja uma medida considerada positiva, até que chegue ao consumidor ainda vai demorar um pouco.


“A economia não absorve de repente uma decisão como essa”, afirmou o coordenador da pesquisa conjuntural do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomercio) de Rio Preto, Orvásio Tancredi. Para ele, a expectativa é de que o impacto ocorra a partir da segunda quinzena de outubro. Segundo Tancredi, a medida deve provocar aumento da produção industrial, geração de mais empregos e aquecimento do consumo. “A queda dos juros ajuda a aumentar o poder de compra”, disse.


O vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Franzotti, afirmou que a medida foi acertada e que passou da hora de o Brasil ter coragem para reduzir os juros. “Essa atitude fortalece o setor e dá coragem aos empresários para investir.” Segundo Franzotti, o governo precisa continuar cortando os juros para que o País cresça e os empresários mantenham a intenção de investir. “Do contrário, isso desestimula a produção, gera medo e o problema do desemprego”, disse.


Para o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), Mauricio Bellodi, a resposta rápida do Copom foi positiva para o setor produtivo. “O governo leu os sinais externos, que a situação está se deteriorando e que isso pode afetar as exportações, e decidiu baixar os juros”, afirmou. Para Bellodi, a redução dos juros, somada à austeridade com os gastos públicos, é uma mistura boa, que consegue irrigar a economia, sem provocar inflação.


Economistas


A decisão dividiu a opinião de economistas. Para economista Hipólito Martins Filho, o corte feito pelo governo é justificado. Isso porque os preços estão desacelerando e o nível de atividade industrial está desaquecendo. Além disso, explicou, o próprio governo dá sinais de que está tomando medidas fiscais, como o corte de R$ 10 bilhões em despesas, o que cria uma expectativa positiva.


“Tudo isso cria um novo ânimo na economia e mostra que o governo começa a criar condições para que a economia cresça pelo menos o esperado, entre 4% e 4,5%”, disse. Mas, para o economista Edgar Antônio Sbrogio, o corte de juros surpreendeu o mercado e deve ter sido feito por pressões da Presidência da República. Em sua opinião, o Copom deveria ter mantido a taxa inalterada, até que tivesse uma visão melhor do horizonte do futuro próximo.


Um dos indicativos para a manutenção da taxa são os aumentos reais de uma série de categorias profissionais, o que pressiona a inflação. “A manutenção da taxa já mostraria um avanço, visto que as médias anuais da inflação continuam altas, inclusive a inflação dos serviços, que é importante.”

Eduardo Secco/Arquivo Tancredi: redução dos juros básicos aumenta o poder de compra

Mercado teme ingerências políticas no BC

O mercado reagiu nos negócios e nas palavras à inesperada decisão do Banco Central (BC) de reduzir o juro básico da economia (Selic) de 12,50% para 12% ao ano. Nos ativos financeiros, a mudança significou valorização das ações em bolsa de valores, alta do dólar e queda das taxas de juros futuras. Nas avaliações verbais, o BC foi duramente criticado. Alguns chegaram a dizer que a instituição agiu de acordo com o que quer o governo, ou seja, sem rigor técnico. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) subiu 2,87%, puxado pelos bancos. Espera-se que, com juros menores, as instituições financeiras emprestem mais. O dólar avançou 1%, para R$ 1,61, porque o juro menor, em tese, diminui a atratividade do Brasil para investidores globais. Os juros futuros caíram ajustando-se à decisão. A taxa para outubro fechou em 11,9%, de 12,3% no dia anterior. Também houve uma revisão generalizada nas projeções para a Selic nos próximos meses. O Itaú Unibanco, por exemplo, avalia que o BC derrubará a taxa básica em mais um ponto percentual até o fim de 2011, ou seja, para 11% ao ano em dezembro. Ninguém se arriscou a traçar novas estimativas para a inflação, mas há consenso de que os índices tendem a subir em 2012. A avaliação geral é a de que a inflação deste ano já está “contratada” e ficará entre 6,1% e 6,5%. Uma medida muito usada pelo mercado é o preço de um título emitido pelo Tesouro Nacional que remunera pelo IPCA, o índice oficial de inflação do País (é a chamada NTN-B). Por essa régua, a expectativa para o IPCA de 2012 saiu de 6,30% para 6,60%. O teto da meta estabelecido pelo governo é de 6,50%. Dilma rebate as críticasA presidente Dil8ma Rousseff justificou ontem o corte de 0,50 ponto percentual da taxa Selic com o argumento de que o Brasil tem de crescer para enfrentar a atual crise. Em entrevista às rádios Itatiaia e Congonhas, de Minas Gerais, a presidente comentou a decisão do Copom, dizendo que falava em nome do governo federal. “O Copom fala pelo Copom, eu falo em nome do governo federal”, disse, rebatendo as críticas de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central teria reduzido os juros por pressão política do Palácio do Planalto.E justificou: “Nós, do governo federal, olhamos essa conjuntura e chegamos a três conclusões: A primeira é de que o Brasil, para enfrentar essa crise, tem de crescer, tem de continuar investindo, continuar criando emprego, continuar consumindo, continuar plantando e colhendo os frutos da nossa agricultura, continuar produzindo na nossa indústria, investindo em infraestrutura e fazendo programas sociais.” Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital

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