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Diário da Região

12/07/2015 - 00h00min

Esforço e cautela

Segundo semestre continua marcado por dificuldades econômicas

Esforço e cautela

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O segundo semestre deste ano vai exigir ainda mais esforço do brasileiro para enfrentar o período turbulento da economia. Ainda que se queira o contrário, especialistas são unânimes em dizer que haverá um aprofundamento da crise instalada desde o início deste ano. Por conta dessas projeções, a palavra de ordem no Brasil continua sendo cautela.

Nos últimos meses, a economia, inclusive a de Rio Preto, vem acumulando indicadores negativos, seja quando o assunto é emprego, aumento da inadimplência, alta da inflação ou queda na produção industrial e nas vendas do comércio. Esse conjunto acaba gerando um círculo vicioso, de pessimismo e pé no freio, de empresários e trabalhadores.

Em Rio Preto, no ano – até junho – a inflação acumula alta de 6,48%. Já o custo da cesta básica atingiu o patamar recorde de R$ 1.055,55 e registra alta de quase 18% ao ano. Quanto ao emprego, os dados são relativamente bons, mas com tendência de baixa. Entre janeiro e maio, o saldo é positivo em 1.051 empregos. Já a inadimplência, nos últimos 12 meses, atingiu um pico de alta acumulada de 7,5% até o mês de maio.

O economista Bruno Sbrogio é enfático ao dizer que as consequências da crise serão fortes até o fim do ano, com queda no consumo, na renda, aumento dos juros e do desemprego. É preciso um pouco mais de calma para esperar 2016, quando devem começar as melhorias. “A desconfiança que existe neste governo ajuda em muito a manter a crise econômica acesa, ainda sem um sinal consistente de seu fim”, disse.

Uma das maiores preocupações para todos os atores que fazem girar as engrenagens da economia é o combate à inflação, que, segundo o economista José Aparecido Firmino, deve se estabilizar, mas muito acima do teto da meta, próxima de 9% ao ano. O drama da inflação é que ela corrói o poder de compra e desestabiliza a economia. E a perspectiva é de que a renda continue caindo, já que os preços se manterão em alta.

O controle da inflação, positivo por um lado, acaba reduzindo a atividade econômica, implicando em redução de consumo, redução de produção e consequentemente redução no nível de emprego no País. “Isso pode ser atenuado com as contratações dos temporários para o período de fim de ano”, afirma Firmino. Os meios para se conter a inflação, pelo menos no Brasil, se baseiam no aumento dos juros, gerado outros efeitos negativos.

 

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O encarecimento do crédito, além de dificultar o consumo dos trabalhadores e refletir no aumento da inadimplência, faz com que os investimentos dos empresários fiquem mais caros, o que provoca uma diminuição dos mesmos e impede a abertura de novas vagas de trabalho. “Isso e a queda no consumo diminuem a atividade das empresas, que acabam não precisando de mão de obra e fecham postos de trabalho”, diz Sbrogio.

Para o diretor presidente da Rodobens Negócios Imobiliários, Milton Hage, esse período de crise não é um fato novo, já houve inclusive tempos piores, quando a inflação mensal era na casa dos 20%. Realista, ele acredita que esse momento turbulento vá durar até o fim do ano que vem. “O governo anterior e esse mesmo vieram com muitos gastos. Se continuássemos nesse caminho, o País poderia afundar, mas o ministro da Fazenda entendeu isso”, disse.

O desemprego é outro grande problema vivido pelo País. Tanto que, nesta semana, o governo federal instituiu o Programa de Proteção ao Emprego (PPE). A medida permite ao empregador reduzir a jornada de trabalho e o salário dos empregados na indústria em até 30% em tempos de crise ou de queda expressiva de produção. Para os especialistas, essa nada mais é do que uma saída paliativa e não deve amenizar o problema.

A expectativa é que, apesar dos esforços, a crise e o desemprego vão continuar crescentes. “Empresas que estão com problemas para pagar funcionários vão continuar com problemas. A medida é interessante, porem não resolve a situação das empresas”, afirma Sbrogio.

Segundo Firmino, por ser uma questão que ainda carece ainda de definições, como os setores da economia que farão parte do programa, por ter prazo determinado e a necessidade de formalizar adesão por meio de acordo coletivo, a medida atenderá uma parcela muito pequena dos trabalhadores. “O programa é burocrático e focado em empresas com grande quantidade de funcionários, mas será oneroso para a pequena empresa, que é a maioria em nossa região”, disse.

Dentro desse contexto de crise, para Hage, o desemprego é o maior problema vivido atualmente. Se as empresas não têm rentabilidade, não conseguem manter o mesmo quadro de funcionários, afirma, comentando que o grupo chegou a fazer demissões, mas não em número fora do comum. “O Brasil é um País grande, um continente, o que contribui com a diversidade e alguns setores acabam menos prejudicados. A agricultura é um norte”, disse.

 

Controlar os gastos é a melhor saída

Diante disso tudo, o que se sugere ao consumidor é um comportamento de cautela, com extremo controle nos gastos e disciplina na organização do orçamento familiar. Segundo o consultor financeiro Moisés Dias, a principal orientação é que o consumidor reestruture seu planejamento financeiro, criando a possibilidade de fazer reservas para evitar surpresas. “Estabelecer novos patamares de despesas nesse momento, frente aos atuais aumentos arbitrados pelos agentes externos como combustíveis, energia, alimentos, ou mesmo para a criação de reservas é essencial”, afirma.

Segundo o economista Bruno Sbrogio, o principal foco de atuação do consumidor deve ser evitar o endividamento de longo prazo, principalmente com financiamentos e fugir do pagamento mínimo da parcela do cartão de crédito. “Para quem já está endividado e caiu no rotativo, a alternativa é trocar a dívida de juros altos por outra com juros menores”, afirma.

Segundo Firmino, é necessário fazer uma criteriosa análise de todos os gastos, desde os essenciais como alimentação até os opcionais relacionados ao lazer e entretenimento. No primeiro caso, analisar custo e beneficio oferecidos pelos fabricantes e quebrar os paradigmas das marcas tradicionais. “No caso dos opcionais, a disciplina deve ser ainda maior, optando por programas mais baratos e, se optar por um programa de maior qualidade, diminuir a frequência”, afirma.

Outra dica é guardar dinheiro, ainda que o período não seja dos mais favoráveis. O ideal é poupar 10% da renda por mês. E, para que já tem reservas, a opção pela compra à vista pode oferecer bons negócios, mas é preciso muita pesquisa. Segundo Sbrogio, é normal os preços caírem nessa época. Não é promoção, é redução nos preços em função do movimento menor.

 

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Empresário tem de reforçar o caixa

Os empresários também precisam se planejar para enfrentar o período de crise com menos arranhões nas finanças. Aqueles que já fizeram a lição de casa têm a chance de mostrar sua eficiência, afirma o economista Bruno Sbrogio. Desta forma, há reservas que possibilitam fazer bons negócios. “Para quem ainda não tem planejamento estratégico, essa é uma boa oportunidade para começar”, afirma.

O primeiro cuidado deve ser destinado ao caixa. Segundo Moisés Dias, o orçamento empresarial é uma ferramenta dentro do planejamento financeiro. “O empresário não deve hesitar em fazer reduções de despesas. A dica é focar numa estrutura enxuta com foco nos investimentos e despesas essenciais que realmente tenha retorno”, afirma.

Dentro deste conceito de enxugamento, o ideal é reduzir gastos relacionados ao desperdício, seja de material ou até mesmo de tempo. É fundamental melhorar os processos nessa hora. “Outro aspecto é controlar atentamente os níveis de estoque, mantendo somente o que é essencial, reduzindo o tempo de reposição das mercadorias”, afirma Firmino.

Outra preocupação deve ser reduzir o endividamento com os bancos. Essa opção é interessante para financiamento de investimentos a longo prazo que vão dar suporte às vendas a prazo, mas não para financiamento da má gestão. O ideal também é prorrogar ou abrir mão de investimentos que sejam de prazo muito longo ou retorno duvidoso.

Para as empresas que estão alavancadas financeiramente, a dica é procurar meios com parceiros bancários que possam fazer o alongamento da dívida. Segundo Dias, isso vai evitar que haja um baixa no caixa da empresa. Além disso, mantenha os preços em patamares juros, inclusive com lucrios. “Reduza os prazos de recebimento, quanto maior o prazo maior também o risco de inadimplência”, completa Firmino.

O economista Bruno Sbrogio lembra o lado bom da crise. É quando surgem as oportunidades, já que é nas adversidades que os empresários conseguem mostrar seu lado inovador e ainda se surpreende com a capacidade de resiliência. Uma delas é a possibilidade de comprar equipamentos de concorrentes que acabam encerrando suas atividades e, por isso, colocam os produtos a menores preços. “Manter-se positivo e procurar oportunidades é indispensável a quem quer crescer”, afirma.

 

 

SÉRIE DE REPORTAGENS COMO VOCÊ ESTÁ FAZENDO PARA SUPERAR A CRISE?

O Diário da Região fez essa pergunta a representantes de cinco grandes empresas de Rio Preto e, a partir da próxima terçafeira, começa a contar essas histórias. O material será publicado até a edição de sábado. Esses empresários vão mostrar como estão fazendo ajustes em seus orçamentos, enxugando gastos, adotando novas estratégias de gestão e usando a criatividade para crescer. Afinal, o ditado diz que é na crise que se cresce. A primeira reportagem será com a Rodorib.

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