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Diário da Região

24/02/2016 - 09h33min

São Paulo

Sócios da Usiminas ainda estão longe de um acordo

São Paulo

O alto escalão dos sócios da Usiminas - os acionistas controladores Nippon Steel e Techint - se reuniu na segunda-feira, 22, pela manhã para discutir o futuro da siderúrgica mineira, que está altamente endividada e corre sério risco de pedir recuperação judicial, apurou o jornal O Estado de S. Paulo com duas fontes familiarizadas com o assunto. Os presidentes Paolo Rocca, do grupo ítalo-argentino Techint, e da japonesa Nippon, Kosei Shindo, sentaram, pela primeira vez neste ano, para discutir o futuro da companhia. A reunião durou quatro horas. Entre as alternativas, foram colocadas a necessidade de um aporte de capital na Usiminas, questão defendida pela japonesa Nippon, mas que a Techint se recusa a fazer. A compra da fatia da Techint pelo grupo japonês chegou a ser debatida, mas não houve consenso, segundo fontes. O futuro da Usiminas foi debatido fora do Brasil, mas o local não foi divulgado. No dia 3 de março, uma nova reunião do conselho de administração deverá ser convocada em São Paulo e o rumo da Usiminas será a principal pauta. Procuradas, a Nippon e Techint não comentaram a informação. A Usiminas não retornou o pedido de entrevista. Até a terça-feira, 23, nenhum dos acionistas procurados pela reportagem informou ter sido convocado para a reunião. Para ser realizada no dia 3, os acionistas têm de ser convocados até sexta-feira, dia 26. "Cada acionista vai tentar apresentar solução", disse uma das fontes. Executivos da Usiminas têm feito, nas últimas semanas, uma peregrinação pelos bancos para tentar realongar as dívidas. Entre 2016 e 2017, os débitos a serem pagos somam quase R$ 4 bilhões. O executivo Rômel Souza, presidente da siderúrgica, está esta semana no Japão. Segundo fontes, ele estaria em conversas com o JBIC (Japan Bank for International Cooperation), um dos maiores credores da Usiminas. Além do JBIC, foram contatados o BNDES, Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil. O discurso dos bancos tem sido o mesmo: o alongamento das dívidas depende de uma capitalização. Balanço Na semana passada, a Usiminas divulgou balanço. Em 2015, a empresa encerrou com receita de R$ 10,2 bilhões, queda de 13,25% sobre 2014. No período, o prejuízo líquido ficou em R$ 3,6 bilhões e a dívida acumulada líquida, em R$ 7,9 bilhões. A empresa tem em caixa cerca de R$ 2 bilhões, uma parte dela represada na Musa (mineradora da Usiminas) e está correndo para vender seus ativos, entre eles, a Usiminas Mecânica, de bens de capital. "Só vejo duas saídas para a Usiminas: ou uma capitalização ou um dos sócios comprando a participação do outro", disse uma outra fonte, que também é próxima à operação, mas não quis se identificar. Não é a primeira vez que os acionistas discutem a compra de participação um do outro. A Nippon, segundo fontes ligadas ao grupo japonês, já teria manifestado interesse na compra da parte da Techint. Mas não houve consenso sobre preço. "A Nippon descarta a venda de sua fatia na companhia", disse uma fonte próxima ao grupo. Quando entrou na siderúrgica no fim de 2011, a Techint fez pesados desembolsos, de cerca de R$ 5 bilhões para comprar as fatias da Votorantim e Camargo Corrêa na companhia. Em 2014, colocou quase R$ 1 bilhão para adquirir a fatia da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil). A companhia quer rediscutir o acordo de acionistas da siderúrgica, com validade até 2031. Toda a decisão tem de ser consensual, mas os dois sócios romperam relações em setembro de 2014. Os diretores indicados pela Techint foram destituídos do comando da empresa. Na terça, a Ternium, subsidiária do grupo Techint, divulgou balanço global referente ao quarto trimestre. Em 2015, apresentou uma baixa contábil de US$ 191,9 milhões na Usiminas. Em 2014, já tinha feito baixa contábil de US$ 739,8 milhões. A Ternium encerrou o quarto trimestre com receita de US$ 1,8 bilhão, queda de 16% ante o mesmo período de 2014. O Ebitda (juro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) no quarto trimestre caiu 1%, para US$ 297,1 milhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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