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Diário da Região

03/06/2015 - 12h35min

Paris

OCDE piora previsão de recessão no Brasil de -0,5% para -0,8% em 2015

Paris

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) piorou as previsões econômicas para o Brasil na nova edição do relatório Economic Outlook, divulgado na manhã desta quarta-feira, 03, em Paris. O documento prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá ter contração de 0,8% este ano, pior que a expectativa de recessão de 0,5% divulgada na atualização do cenário de março. Há menos de um ano, em novembro de 2014, a OCDE previa que o Brasil cresceria 1,5% em 2015. Além de apostar em recessão ainda mais acentuada no Brasil este ano, a entidade piorou a previsão para o crescimento esperado em 2016. No ano da Olimpíada no Rio de Janeiro, o País deve deixar a recessão e crescer 1,1%. Em março, a entidade apostava em expansão ligeiramente maior, de 1,2%. Em novembro do ano passado, o cenário contemplava 2%. "A economia será afetada negativamente em 2015 pelos baixos níveis de confiança, menor investimento no setor de petróleo e gás e obstáculos gerados pelo aperto da política macroeconômica", diz o documento. Nos componentes do PIB, a OCDE prevê forte contração de 3,7% na formação bruta de capital fixo - indicador que indica o nível de investimento na economia. A queda se soma à contração de 4,3% já observada no ano passado. O consumo do governo cairá 1,5% este ano e o aumento do crescimento das famílias será de apenas 0,6%. Impasse No relatório anual, a entidade que reúne mais de 30 países que estudam políticas para o desenvolvimento faz uma análise crítica da economia brasileira nos últimos trimestres. Para a entidade, o Brasil chegou "a um impasse" em 2014 com a queda dos preços das commodities, piora de alguns gargalos da economia e aumento da incerteza política. Além disso, a OCDE aponta para a contradição entre a política monetária e os gastos do governo. "Enquanto a política monetária era apertada, a política fiscal entregava um razoável estímulo. Na prática, muitas das medidas fiscais falharam em apoiar o crescimento efetivamente e ainda reforçaram algumas distorções existentes", diz o relatório. Com isso, as contas públicas se deterioraram e a dívida bruta cresceu quase sete pontos porcentuais, diz o documento. Enquanto isso, a falta de crescimento econômico e a alta inflação fizeram com que a confiança de consumidores passasse a cair rapidamente. Pesaram ainda as investigações de corrupção e as discussões sobre a possibilidade de rebaixamento do rating soberano do Brasil. "A deterioração da competitividade internacional e as incertezas políticas também afetaram as condições de fazer negócios e derrubaram a confiança dos investidores e, portanto, levaram a uma contração do investimento", diz o documento. Recuperação em 2016 Após a recessão prevista para 2015, o Brasil deverá se reerguer em 2016, prevê o relatório da OCDE. "A economia vai se contrair em 2015, o que será seguido por uma recuperação gradual em 2016", diz o relatório. "A economia será afetada negativamente em 2015 por baixos níveis de confiança, menor investimento no setor do petróleo e obstáculos gerados pelo aperto da política macroeconômica. Ao longo do ano, no entanto, a melhora das políticas macroeconômicas e algumas reformas políticas estruturais anunciadas deverão aumentar a confiança", prevê a entidade. Para a OCDE, um dos primeiros setores a reagir positivamente será o exportador. "As exportações serão apoiadas por uma taxa de câmbio mais competitiva, o que irá reduzir o déficit em conta corrente", diz a entidade. Depois, a reação deverá ser vista na demanda. Primeiro, no consumo privado e depois "com algum atraso também no investimento", diz a OCDE. Pela projeção da entidade, a contribuição do setor externo ao PIB será positiva em 0,3 ponto porcentual em 2016, contra contribuição negativa de 0,3 ponto em 2015. Além disso, a OCDE prevê crescimento do consumo privado de 1,2% em 2016 (ante 0,6% em 2015) e recuperação com ligeiro aumento de 0,9% do investimento no próximo ano (ante expectativa de retração de 3,7% em 2015).

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