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Diário da Região

11/09/2016 - 00h00min

Profissionalização,

No topo da pirâmide social, o que era fundo de quintal

Profissionalização,

Johnny Torres Arnaldo Romano começou atendendo na casa dos clientes e hoje tem seu próprio salão, onde emprega 30 profissionais
Arnaldo Romano começou atendendo na casa dos clientes e hoje tem seu próprio salão, onde emprega 30 profissionais

Poderia ser só mais um trabalho, uma fonte extra na renda da família, uma ocupação de fundo de quintal, mas não, de costureira, garçom, manicure ou cabeleireiro, organizador de festas e cerimonialistas, eles se tornaram hairstylist, atendentes qualificados, modistas, party planner. Cursos profissionalizantes, observações de mercado, informações, especializações internacionais e muito suor levam profissões, antes desvalorizadas, a um novo patamar. Os profissionais se reinventam o tempo todo e atuam no mercado de luxo, além de serem coqueluches em Rio Preto.

Quando tinha 14 anos, Arnaldo Romano fez seu primeiro curso de cabeleireiro, na época na Associação de Cabeleireiros. Mas muito jovem, sem experiência ou clientela, passou a ir na casa de clientes para fazer o atendimento. Cobrava R$ 5 pelo pé e mão e R$ 4 pelo corte. “Mas meu atendimento já era diferenciado, massageava os pés, lixava até que ficassem lisinhos, já fazia francesinha nas unhas. Sempre pensei em fazer para o outro o que eu queria para mim”, conta.

Logo conseguiu trabalhar em um pequeno salão em Rio Preto. Lembra que na primeira semana, retirou R$ 7 com o trabalho, ficou lá por seis meses e, na última semana, conseguiu ganhar R$ 278. Depois dessa experiência, montou também um pequeno salão na casa em que morava e, aos 17 anos, apareceu a oportunidade de alugar um espaço na Prudente de Moraes, com 12 metros quadrados. “O aluguel era de R$ 120 e meu pai se comprometeu a pagar o primeiro ano para que eu pudesse investir na profissão. Mas quatro meses depois eu já não precisava mais da ajuda dele. Mesmo assim, me orientou a juntar dinheiro para algo maior”, conta.

Do pequeno salão, Romano se mudou para um espaço maior, com 89 metros, já tinha recepcionista, manicure, assistentes. Foi quando ele decidiu que era hora de se aprimorar. “Sabia que eu precisava de informações, de tecnologia, de ter meu diferencial dentro do meu nicho de mercado”. Passou quatro meses em Londres, onde frequentou a academia de profissionais de cabelo Toni & Guy e a Academia Vida Sassoon. “Depois dessa viagem a minha paixão pela profissão virou fascinação, vi um universo de informações que eu não conhecia”, recorda. Era hora de ampliar os negócios e o empresário comprou um imóvel de 980 metros e instalou, há oito anos, a Romano Cabeleireiros, onde trabalham 30 profissionais.

Ano a ano, o hairstylist faz treinamentos internacionais nas academias mais conceituadas do mundo, como a Jean Louis David e a Loreal, na França, ou a Wella e a Marcos Herman, na Alemanha. “É fundamental estar a par de todas as novidades, de se aperfeiçoar constantemente, mas o nosso curinga é prestar um serviço de confiança que atenda e mesmo supere as expectativas do nosso cliente”, afirma. Hoje, Romano atua na produção de cabelo e maquiagem, corte e mexas. Os demais atendimentos são feitos por sua equipe. Um corte, que já custou R$ 4, sai, em média, por R$ 140. Mexas, a partir de R$ 280.

 

Lia Sestini - 11092016 Lia Sestini viajava para a Europa para se atualizar

Entre linhas e agulhas

Autodidata, Lia Sestini cresceu entre tecidos, linhas e agulhas. A mãe e a avó costuravam bem e, como ela mesmo diz, “tem o dom para a costura”. Começou com pecinhas simples, blusinhas, saias, mas logo descobriu que seu ramo de atuação estava na alta-costura. Sempre muito observadora e atenta a todo o movimento da moda mundial, viajava para a Europa para ver de perto o que os grandes modistas de renome internacional estavam produzindo, as tendências.

“Eu estava sempre atenta a tudo e trazia as referências para agregar ao meu trabalho”, diz. Cada noiva, madrinha ou mãe de noiva recebe atendimento personalizado. Além de entender o que a cliente procura, ela lança mão de sua experiência, de conceitos atuais e faz sugestões. Definido o modelo, chega a hora de confeccionar a peça piloto. “A alta-costura exige esse procedimento”, diz.

Lia se recorda de roupas que fez há 30 anos e diz que o que confecciona hoje é bem mais elaborado. “Além de ser um outro momento da moda, dá para perceber o quanto o meu trabalho foi se aprimorando.” Lia diz ainda que não há um preço mínimo para suas peças, sempre dependem da escolha da cliente quanto aos tecidos, bordados e todo o tempo que será exigido para que a roupa esteja pronta. 

Rumo ao sucesso

1. Atenção aos clientes

Tudo o que um profissional faz, ou produz, será consumido por alguém. Os clientes dão sinais daquilo que está bom, daquilo que precisa melhorar e daquilo que eles gostariam. Perceber e entender estes sinais permite a criação de produtos e serviços diferenciados e inovadores

2. Objetivos claros

Estabeleça seus objetivos e se organize para alcançar cada um deles. É importante o profissional utilizar um modelo de negócios para ser um guia em sua trajetória

3. Inovação

A evolução tecnológica transformou a vida das pessoas em vários sentidos, inclusive na busca de novidades em todas as áreas. O diferencial de um produto ou serviço que garante o sucesso de um profissional hoje pode não garantir daqui alguns meses

4. Aperfeiçoamento

Acompanhar as novidades, criar e inovar exigem um profissional preparado. Os investimentos constantes em cursos, treinamentos e especializações são pilares para a construção de uma pessoa capaz de realizar algo realmente diferenciado e reconhecido pelos clientes

5. Gestão

O sucesso aumenta o tamanho e a complexidade dos negócios. Este fato requer uma atenção especial para as questões administrativas. O investimento em profissionalização das rotinas gerenciais aumenta as possibilidades de sucesso e resultados positivos do empreendimento

Fonte: Professor de gestão de pessoas do Senac, Fernando Martins

 

Wander Ferreira Júnior - 11092016 Para o party planner Wander Ferreira Júnior, festas não têm valor mínimo ou máximo, ele entrega o que o cliente pede

De festinhas a eventos inesquecíveis

Wander Ferreira Júnior era professor de engenharia florestal e organizava as festinhas do colégio onde lecionava. Eram formaturas, festas juninas, palestras e eventos de menor porte. Mas há 18 anos foi convidado a trabalhar no Monte Líbano, de Rio Preto. Passou a organizar carnavais para 15 mil foliões, Réveillon para 2 mil convidados, festas de diferentes nacionalidades para um público altamente exigente, que conhece tudo sobre a cultura e a comida. Com essas experiências, conquistou expertise para eventos de grande porte, a logística que está por trás das grandes festas.

“O primeiro evento que eu promovi fora do clube foi um jantar árabe encomendado pelo doutor João Roberto Antonio para um seminário médico que ele promovia. Depois disso, não parei mais”, conta. Como se encontrou no mercado de grandes eventos, Ferreira decidiu fazer um MBA em eventos e cerimônias de luxo na Universidade do Luxo Roberto Miranda, em São Paulo. Foi quando nasceu a Office Wander Ferreira Júnnior, empresa de party planner.

Há três anos, ousou ainda mais. Participou de um curso de três dias, em Los Angeles, que focava na organização do Oscar. “Proporcionou uma troca de experiências com profissionais de todo o mundo, um networking fantástico. Algo que muitas vezes era espontâneo, eu percebi que tinha respaldo técnico e então continuava a fazer. É a melhor forma de sair de seu ninhozinho”, diz.
Ferreira é requisitado para eventos no País inteiro. Na próxima sexta-feira será a festa de um casamento que ele criou para uma noiva de Fortaleza. 

Ele não fala em valores, mas suas festas estão entre as mais VIPs do Brasil. Para uma festa de 15 anos, por exemplo, ele recriou um boulevard com as grifes mais conceituadas do mercado, como Valentino, Channel, Louis Vuitton entre outras. No mesmo ambiente havia um pub e também uma reprodução da doceria francesa Ladurée. “Hoje tem festas de 15 anos mais luxuosas que casamentos”, diz. Segundo o party planner, os eventos que promove não têm um valor mínimo estipulado nem um máximo. “Se uma cliente quiser que eu faça uma festa por R$ 50 mil, ela terá essa festa. Mas o céu é o limite quando se fala em gastos e é o cliente que vai definir o que ele quer e quanto está disposto a pagar pelo evento”, diz. 

 

Alan Cocolo - 11092016 Alan Cocolo se formou em Direito, mas resolveu seguir a paixão e trabalhar com cabelos; atividade exige reciclagem e especialização constantes

O importante está nos detalhes

“O básico todo mundo faz, o importante está nos detalhes”. A afirmação é do professor de gestão de pessoas do Senac, Fernando Martins. Segundo ele, os profissionais que se destacam em atividades consideradas “desvalorizadas” são os que entendem as necessidades do público e percebem que ele está cada vez mais exigente e disponível para pagar por um serviço que atenda suas expectativas. “Esse empresário que começa pequeno e cresce, se torna extremamente qualificado, se diferencia por se especializar, por se aprimorar o tempo todo. Ele está a par de todas as novas técnicas e tendências”, diz. 

Com isso, explica o professor, o profissional consegue cativar seus clientes e criar o antigo, mas eficiente, marketing do boca a boca. “Conforme a qualidade do produto ou serviço melhora, o público-alvo se torna outro e os diferenciais acabam atraindo um cliente mais específico e ainda mais exigente.” Segundo Martins, o importante é que o profissional saiba que precisa estar o tempo todo se reciclando e qualificando para conseguir continuar a atender dentro dos altos padrões já estabelecidos. “Isso é fundamental. O profissional não pode sentar em cima da sua fama. Um diferencial que antigamente se perpetuava por três, quatro anos, hoje não chega a seis meses de duração”, conclui. 

É o que faz o hairstylist Alan Cocolo. Ele nasceu no pequeno vilarejo de Vila Alves, em Cardoso, e começou a trabalhar com 13 anos, num salãozinho no fundo do quintal. Na época cobrava R$ 5 o corte de cabelo. Em 2000, veio para Rio Preto para trabalhar com um tio e fazer faculdade de direito. “Eu estudava, mas continuava a mexer com cabelos, o que sempre foi minha paixão”, diz. O hairstylist tem orgulho da profissão, mas admite que já teve vergonha de assumir ser cabeleireiro em função de ser, na época, uma profissão desvalorizada que também sofria com preconceito. “Há 20 anos, era vista como ‘profissão fundo de quintal’, era um subemprego. Os cabeleireiros eram muito desrespeitados”, comenta.

Mas, depois de formado em advocacia, percebeu que existiam dois caminhos: ou seguia a profissão de advogado ou a de cabeleireiro. A paixão falou mais alto. Depois de muito estudo, profissionalização internacional e especializações, hoje é dono da rede de salões de luxo Prime, que conta com três unidades em funcionamento, uma recém-inaugurada, e emprega cerca de 100 funcionários. “Já foi uma atividade de escape financeiro, mas hoje é uma profissão como qualquer outra que exige nível universitário. Eu preciso o tempo todo me reciclar, me especializar, porque tudo muda o tempo todo. Não dá para parar no tempo”, afirma.

Ele diz ainda que para cada cliente, o trabalho é personalizado. Não existe um corte padrão. “Quando a cliente entra no salão, eu avalio a personalidade, o vestuário, a profissão e o gosto. O corte é feito com exclusividade”, diz. Para entregar as madeixas ao hairstylist Cocolo, atualmente, é preciso desembolsar um valor mais expressivo. Em média, um corte sai por R$ 108, a coloração, R$ 130, já as luzes, R$ 350. “Hoje, eu não corto mais cabelo, eu faço um desenho, é uma arte”, explica.

 

Fernando Catto de Lima - 11092016 Fernando Catto de Lima começou como garçom, fazendo bicos em um restaurante aos 12 anos, e hoje é gerente-geral do Outback de Rio Preto

Garçom não, agora sou ‘waiter’

“Ei, moço traz uma batata frita e uma cerveja bem gelada”. Foi-se o tempo em que esse tipo de atitude marcava a relação do cliente com o garçom, pelo menos nos restaurantes mais chiques e de público seletivo. O profissional que atende a mesa se tornou um atendente que, assim que chega ao cliente, já se apresenta pelo nome e coloca-se à disposição para todas as suas necessidades. É assim, por exemplo, no Outback, onde ele é chamado de waiter. “Eles passam por entrevistas, processo de seleção, testes e então são treinados para que se portem da maneira adequada e conforme a filosofia da empresa, que é a de prestar um atendimento único a cada cliente que chega até nós”, diz Fernando Catto de Lima, gerente-geral do Outback de Rio Preto.

Ele mesmo tem uma experiência profissional que foi do garçom de boteco até o segundo maior cargo dentro da empresa em que trabalha. “Nasci em Francisco Beltrão, no Paraná, e comecei a trabalhar com 12 anos na entrega de flores. Aos finais de semana fazia bico em um restaurante”, conta. Depois de passar por empresas de diferentes setores, sua primeira grande oportunidade foi como garçom no Montana Grill, em Campinas. Do posto inicial chegou a gerente da casa. “Do lado da churrascaria ficava o Outback e eu tinha uma grande curiosidade de como funcionava. Mandei um currículo, passei por todo o processo seletivo e fui chamado.

Mas a gerente me disse que eu teria que começar do início, como atendente, só que as oportunidades de crescimento eram grandes”, conta. Lima aceitou o desafio, começou a trabalhar, e vieram as promoções. De atendente passou a fechar o caixa, depois foi ser treinador de novos funcionários, nova promoção e foi ser coordenador de plantão, gerente-geral e agora sonha em ser sócio-proprietário de uma unidade. Ele já foi responsável por abrir três lojas no País e dar todo o suporte para que os restaurantes começassem já com a qualidade dos que estão instalados, um deles é o de Rio Preto. “Tenho amigos que estão como garçons há 12, 15 anos. Não quiseram arriscar, não se esforçaram para serem melhores profissionais, se qualificar e eu me vejo em outro patamar. Deixei de fazer uma faculdade para me especializar e estou totalmente satisfeito profissionalmente”, diz.

 

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