Diário da Região

16/02/2003 - 01h55min

Exportações II

Ministros torcem por uma ajuda da Europa

Exportações II

Os três ministros brasileiros que participam hoje, em Tóquio, da rodada de debates sobre transações de produtos agrícolas promovida pela Organização Mundial do Comércio (OMC) - Roberto Rodrigues (da Agricultura), Celso Amorim (das Relações Exteriores) e Luis Furlan (do Desenvolvimento) -, só acreditam em algum resultado positivo para o Brasil e o resto do comércio internacional, caso haja uma pressão extraordinariamente forte dos países da União Européia (UE), entidade hoje dividida entre críticas e aplausos à política do presidente norte-americano George Bush no Oriente Médio. Segundo uma fonte do Ministério da Agricultura, Rodrigues, Amorim e Furlan não viajaram otimistas com a disposição norte-americana de alterar significativamente sua política global de barreiras tarifárias. Muito menos com possíveis efeitos benéficos dessas discussões no Japão para o comércio exterior brasileiro. Ano passado, o Itamaraty concluiu que aproximadamente 60% de tudo o que o Brasil exporta para os Estados Unidos é “presenteado” com pesadas taxações fixadas pelo Departamento do Comércio norte-americano.

Além disso, esse departamento reserva, anualmente, alguns bilhões de dólares para subsidiar certos itens da produção agrícola dos EUA. Este ano, os subsídios vão favorecer a soja, o milho, o algodão, o arroz e o trigo, entre outros produtos. O resultado disso é a prática rotineira, pelos EUA, do “dumping”, que é a comercialização com preços abaixo do custos reais de produção. No início da semana, em um esforço de atrair o Brasil para seu projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) os norte-americanos ofereceram eliminar a taxação sobre os têxteis brasileiros. Os fabricantes nacionais do setor venderam US$ 375 milhões aos Estados Unidos em 2002 - cerca de 3,5 vezes o que os brasileiros importaram de produtos têxteis norte-americanos. De acordo com um levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do governo federal, derrubadas as medidas protecionistas, as vendas de têxteis para os Estados Unidos poderiam crescer US$ 700 milhões em cinco anos.

“E mesmo esse aumento representaria ainda bem pouco se considerarmos que a economia de lá absorve US$ 72 bilhões em produtos têxteis a cada ano”, explica o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Paulo Skaf. As mesmas estimativas da Secretaria de Comércio Exterior do governo federal apontam: eliminadas as barreiras tarifárias norte-americanas, a indústria calçadista poderia aumentar suas vendas nos EUA em até US$ 1,1 bilhão. Em Brasília, contudo, os diplomatas consideram que Washington usou o caso dos têxteis como mero chamariz. Conclusão: a oferta da semana que passou, detalhada ontem pelos norte-americanos em uma reunião no Panamá, produziu no governo Lula um amplo sentimento de desânimo. O plano não traz novidades para itens cruciais como o açúcar, as carnes e o suco de laranja, que interessam de perto os produtores das regiões Noroeste e Central paulista. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da Agricultura paulista, essa trinca de produtos puxou as exportações da agroindústria do Estado em 2002. Os derivados da cana renderam US$ 1,57 bilhão, a carne bovina US$ 1,23 bilhão, e a laranja quase US$ 1 bilhão, em um conjunto de frutas exportadas cuja receita alcançou US$ 1,09 bilhão. Nos EUA, esses produtos devem continuar a ser subsidiados e as importações do Brasil oneradas com pesadas taxações.

Guerra trará prejuízo de US$ 200 milhões
O Brasil terá um prejuízo de pelo menos US$ 200 milhões no comércio com o Oriente Médio, caso haja uma guerra no Iraque. A conclusão é de técnicos da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do governo federal e da Subsecretaria de Assuntos Econômicos e de Comércio Exterior do Ministério das Relações Exteriores. Fonte do Itamaraty adiantou ao Diário que, na hipótese de o conflito se estender por mais de dois meses, o dano às exportações brasileiras para a região pode triplicar. De acordo com essas informações, um ataque norte-americano ao Iraq

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