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Diário da Região

18/12/2015 - 12h33min

Brasília

Em café da manhã com jornalistas, Levy é evasivo e não responde se sairá

Brasília

Em café da manhã de fim de ano com jornalistas nesta sexta-feira, 18, em Brasília, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi questionado diversas vezes se está de saída do governo. Levy foi evasivo e não respondeu diretamente aos questionamentos. Entre as respostas, o ministro afirmou que não sabe de onde veio a informação de que teria se despedido na quinta-feira, 17, de seus colegas em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). "Tudo que é dito nesta sala permanece exclusivamente nesta sala", disse. O espaço usado para receber os repórteres foi o mesmo de onde Levy teria feito a despedida. Pelo balanço do ministro, a maior parte do que ele propôs quando assumiu o cargo teve andamento ao longo do ano. "A gente concluiu e apresentou um número significativo de iniciativas () A maior parte daquilo que eu coloquei como uma primeira rodada de coisas importantes a serem realizadas ao longo do ano, a gente, se não conseguiu concluir, encaminhou de uma maneira muito concreta", explicou. Levy ponderou que nem tudo saiu como o planejado, como no atraso da Medida Provisória sobre tributação de instrumentos financeiros. "Uma missão de ministro da Fazenda nunca se conclui", avaliou. Constrangimento Enquanto não assume publicamente sua saída, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu que tem conversado com a presidente Dilma Rousseff sobre sua saída, mas que não quer criar constrangimento ao governo, mais uma vez se colocando como uma peça fora da equipe. Após perder a batalha sobre a meta fiscal do ano que vem, Levy afirmou que seu "objetivo não é criar constrangimento ao governo, mas é importante saber quais são as prioridades, até em função das diversas demandas sobre a presidente e qualquer caminho é em função disso", numa referência clara ao processo de impeachment que virou prioridade no Palácio do Planalto e ajudou na decisão presidencial para a redução da meta fiscal e manutenção do Bolsa Família. O ministro ligou o fim do ano legislativo à uma decisão sobre sua saída. "O ano legislativo se encerrou e isso abre tantas alternativas", disse. Durante o café da manhã com jornalistas, Levy evitou entrar em confronto e contra-atacar áreas do governo que são contrárias à sua posição. "São especulações e eu trato como especulações", destacou. O ministro disse ainda ter clareza do seu ofício e que essas ações não interferem no seu trabalho. Sobre o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao processo de impeachment da presidente, o ministro a relacionou ao apoio que a federação deu ao setor elétrico em 2012. De forma descontraída, como lhe é peculiar, afirmou que "é sempre importante ver quem paga o pato depois". Base sólida Levy disse considerar muito importante reorganizar a economia com medidas estruturais e facilitar o pagamento de impostos. "Essa foi a natureza da nossa ação", afirmou. "Estivemos atentos a todos os setores, mesmo em momentos de desafio fiscal, respondemos aos setores para continuar crescendo." Ele defendeu um esforço maior em relação à inflação no ano que vem, e a adoção de ações estruturais para melhorar a transição da política monetária para a economia. Para Levy, a economia brasileira se recuperará de forma rápida. "Temos que botar o Brasil em uma base mais sólida, em que você tenha expansão da economia, empresas com vontade de investir e empregar e pessoas com vontade de fazer planos", afirmou. O ministro disse que as incertezas políticas levaram à retração da atividade econômica, mas acredita que elas tenderão a se dissolver nos próximos meses e permitir a economia voltar. "Apesar de tudo o que está acontecendo em Brasília, as empresas estão encontrando seu caminho. Na medida em que tiver clareza e direcionamento, elas vão ter ainda mais capacidade", afirmou. "Se a quantidade de risco que você consegue suportar está toda ocupada com o risco de Brasília, sobra pouco para o risco individual que você vai tomar." De linha liberal, Levy defendeu que o papel do governo é "dar espaço para a economia ter fôlego". "Estamos trabalhando nas reformas que dão esse tipo de direcionamento", completou. O ministro destacou ainda que os Estados estão conseguindo superar desafios fiscais, fazendo esforços e cortando despesas e, apesar dos problemas listados, o ministro ressaltou que não se deve abrir espaço para o pessimismo. "Minha convicção é que a economia brasileira tem capacidade de se recuperar de forma rápida", afirmou.

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