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31/07/2016 - 00h00min

ECONOMIA

Crise econômica vira incentivo para consórcios

ECONOMIA

Johnny Torres 27/7/2016 Anna Flavia Morelli Nunes, da Jem Comercial Limitada, sempre compra cotas de consórcios para manter caminhões da empresa renovados
Anna Flavia Morelli Nunes, da Jem Comercial Limitada, sempre compra cotas de consórcios para manter caminhões da empresa renovados

As taxas de juros para pessoa física e jurídica não param de subir. Em junho, por exemplo, a taxa média subiu 0,10 ponto percentual, o que corresponde a uma alta de 1,26% no mês, atingindo 8,06% ao mês e 153,50% ao ano, a maior desde setembro de 2003. Com isso, utilizar qualquer tipo de financiamento para a aquisição de imóveis, veículos ou mesmo outros bens tem se tornado pouco atrativo. E é nesse cenário que os consórcios acabam ganhando espaço.

Entre as principais empresas que comercializam esse tipo de produto em Rio Preto, o primeiro semestre de 2016 foi um período de comemoração, com crescimento nas vendas de cotas que chegam a quase 30% na comparação com o mesmo período de 2015. A razão principal para esse destaque é justamente o fato de que o consórcio acaba representando um custo final bem inferior ao de financiamentos, como explica o contador e consultor financeiro João Elias Martins.

“Considerando a economia bastante significativa que esta modalidade oferece em relação ao financiamento, muitas empresas e pessoas que desejam trocar de carro ou imóvel, por exemplo, em vez de financiar a troca, fazem o consorcio e vão pagando até serem contemplados. Neste momento, fazem a troca do bem. É uma excelente recompensa pela paciência e pelo planejamento”, afirma.

Tanto que é muito comum que o consumidor já inicie o pagamento de uma nova cota assim que termina a atual, garantindo a realização de um novo projeto ou desejo de consumo no futuro, garante Martins.

A pedido do Diário, o consultor montou uma comparação entre o consórcio e o financiamento para a aquisição de um automóvel no valor de R$ 50 mil. Considerando um plano de 60 meses e as taxas médias de mercado para a administrativa do consórcio e para o juro cobrado no financiamento, o consumidor teria um custo extra total de aproximadamente 20% em um consórcio, enquanto que no financiamento, esse valor extra pode variar entre 56,3% e 94,12%, dependendo das taxas (veja no quadro os valores).

Segundo o diretor de consórcios da Rodobens, Ronald Macedo Torres, o consórcio é uma ferramenta quase imune a períodos de crise intensa. Na verdade, a crise acaba contribuindo para a expansão. “Com juros altos e crédito escasso, o consórcio se beneficia. Toda a mecânica do negócio favorece esse crescimento. Se o consumidor usa um financiamento para adquirir um bem, no momento da aprovação ele já é um devedor. No consórcio não. Quem adquire se torna um credor do sistema”, diz.

A divisão de consórcios da empresa acaba de completar 50 anos com recorde de vendas. Além de crescer aproximadamente 7% no primeiro semestre, só em junho a empresa atingiu um total de R$ 398 milhões em créditos comercializados, resultado que supera em R$ 72 milhões o melhor desempenho já registrado na história da empresa.

consórcios 31072016 Clique na imagem para ampliar

Para Luiz Augusto Scalfi, diretor comercial da Consórcio Nacional Tarraf, o crescimento do setor também pode ser explicado por uma mudança comportamental do consumidor. “A crise fez o brasileiro aceitar que precisa de uma reeducação financeira e o consórcio foi a forma encontrada para poder guardar dinheiro, afinal, se o consumidor não tiver uma dívida para pagar, qualquer sobra ele acaba gastando.”

Com essa mudança de comportamento, a empresa viu suas vendas crescerem 28% no primeiro semestre em relação ao primeiro semestre de 2015.

Já a Consórcio Finama registrou uma alta de em média 25% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Além de todas as razões citadas acima, a dificuldade para conseguir crédito e a busca por economia contribuíram para o desempenho, afirma Daniel Soares da Silva, gerente comercial da empresa.

“As financeiras estão mais criteriosas para a liberação de créditos e o cliente também está em busca de mais informações para economizar na aquisição ou troca de veículo, moto ou imóvel. Como o consórcio não cobra juros, somente a taxa de administração, ele se torna mais atraente. Além disso, a aprovação do crédito é mais fácil”, diz.

Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, credita o crescimento de 8,10% da empresa no primeiro semestre à qualidade do produto. “Atualmente, as linhas de crédito estão mais exigentes e com taxas que nem sempre cabem no bolso do consumidor. O consórcio, por sua vez, oferece a oportunidade de aquisição de bens com um baixo custo e prazos que agradam o consumidor.”

Empresária compra cotas para trocar frota

Empresas também podem se beneficiar das vantagens oferecidas pelos consórcios e é exatamente isso que a empresária Anna Flavia Morelli Nunes, da Jem Comercial Limitada, faz. Como o empreendimento lida com o transporte de carga, Anna Flavia tenta manter seus caminhões sempre renovados. Para isso, ela usa consórcios.

“Tenho sempre umas três cotas ativas para trocar os caminhões sempre que necessário. A cada seis anos, mais ou menos, fazemos a renovação. Assim não nos endividamos com financiamentos e os caminhões saem bem mais em conta, sem os juros cobrados pelos bancos”, conta.

Essa é uma técnica que ela aprendeu com o pai, que fundou o empreendimento. “Já utilizamos os consórcios há mais de vinte anos. Assim consigo manter minhas frotas sempre renovadas e atender melhor meus clientes”, diz Anna.

Empresa precisa ser confiável

A contratação de um consórcio deve ser muito bem pensada e a empresa escolhida bem avaliada para evitar qualquer dor de cabeça no futuro.

“Para atuar no segmento de consórcio, toda empresa deve ser autorizada pelo Banco Central, por isso, certifique-se de que está escolhendo a prestadora certa. Atualmente, também há a opção de contratar consórcio pelos bancos. O importante é escolher uma empresa que ofereça ao consumidor um bom suporte de atendimento e de acompanhamento das assembleias, inclusive com alguma forma de assisti-las”, aconselha João Elias Martins, contador e consultor financeiro.

Além do Banco Central, vale procurar por informações em outros meios, afirma Ronald Macedo Torres, diretor de consórcios da Rodobens. “Procure por referências junto à Associação Brasileira de Administradores de Consórcios (Abac), verifique as operações já realizadas, analise o perfil e a satisfação dos clientes com as empresas em sites como o Reclame Aqui. São pontos importantes para auxiliarem na hora da decisão.”

Outro fator básico, mas que pode passar na hora de fechar o negócio é ter certeza de que a parcela que deverá ser paga cabe em seu orçamento.

consórcios 31072016 Guilherme da Silveira e a mulher, Késia, são adeptos do consórcio para todas as necessidades: carro, casa e maquinário

Compra de veículos e imóveis move segmento

Apesar de os consórcios servirem para a aquisição de qualquer tipo de produto ou serviço, veículo e imóveis continuam sendo os mais comuns. O empresário Guilherme da Silveira, de 40 anos, e a esposa, Késia, são adeptos do consórcio para todas as necessidades. “Compramos carro, imóvel, maquinário para a nossa empresa, tudo utilizando consórcios. Quando terminamos de pagar um, já começamos outro.”

A razão para isso é justamente o preço, afirma Guilherme. “É uma forma de adquirir o que queremos sem os juros que são muito altos e encarecem muito o produto final”, afirma.

A economia também foi a motivação do dentista Roberto de Senzi Carvalho, de 42 anos. Ele queria trocar seu carro no fim do ano passado e foi analisar as opções. Para comprar um veículo novo com um financiamento ele acabaria pagando duas ou três vezes mais. Com o consórcio ele teria apenas a taxa administrativa.

“Não tive dúvidas. Optei pelo consórcio. E ainda tive a sorte de tudo ter sido muito rápido. Já no primeiro mês dei um lance, ele foi aceito e no mês seguinte já estava com o carro”, conta.

Mas nem todo mundo tem essa sorte. Por isso a paciência é um fator fundamental na hora de escolher o consórcio como forma de adquirir um bem, explica o consultor financeiro e contador João Elias Martins.

“Os consórcios não são recomendados para quem tem urgência na aquisição de algum bem ou serviço. É importante levar em conta na hora da escolha que você pode ser o último a ser contemplado.” 

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