Diário da Região

16/07/2015 - 00h00min

'Estamos trabalhando muito, sem desanimar'

Braile retira pedido de recuperação judicial e mira o mercado externo

'Estamos trabalhando muito, sem desanimar'

Guilherme Baffi/ Arquivo Patrícia Braile, no comando da reestruturação da empresa, aposta no otimismo
Patrícia Braile, no comando da reestruturação da empresa, aposta no otimismo

Definitivamente, 2015 é um ano para entrar para a história da Braile Biomédica. Com 77 anos de fundação em Rio Preto, a empresa vive um momento de superação, com mudança de conceitos, aposta na diversificação e inovação de produtos e foco nas exportações. Tudo isso depois de enfrentar um período de crise que quase culminou num processo de recuperação judicial. A empresa chegou a fazer o pedido à Justiça no dia 8 de abril deste ano, mas uma semana depois, antes mesmo do deferimento do juiz, fez a retirada do pedido.

A Braile fundada em Rio Preto em 1977 pelo cirurgião cardiovascular Domingo Braile, e desde então se tornou referência na produção de próteses biomédicas, em especial de aparelhos ligados à cirurgia cardíaca. Entre seus principais produtos estão próteses e válvulas cardíacas, sistemas de oxigenação do sangue para cirurgias e até sistemas para tratamento oncológico.  No País, se destaca como uma das únicas a produzir esses componentes. A prótese valvular orgânica, que pode ser feita a partir do pericárdio bovino - uma membrana que envolve o coração do boi - ou a partir da válvula do coração suíno, é referência. 

A presidente da empresa, Patrícia Braile, conta que, desde outubro do ano passado, quando começou uma crise complicada em todo o setor da saúde, com suspensão dos pagamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a empresa passou a ter problemas com o pagamento de parcelas de financiamentos com bancos, justamente porque estava sem receber do governo. Na época do pedido de recuperação, a estimativa é de que as dívidas eram de R$ 23 milhões.

Segundo Patrícia, foram os próprios bancos que procuraram a empresa para tentar uma solução e, por isso, optaram por reverter o processo de recuperação judicial. Contas foram refeitas, prazos de pagamentos foram alongados, taxas de juros melhores foram negociadas e a empresa conseguiu um fôlego. Desde então, os pagamentos começaram a ser feitos. "Estamos fazendo o plantio e esperamos colher. Estamos trabalhando muito, sem desanimar."

Justamente superar a crise e se sobressair é a meta da Braile para este ano. As frentes de trabalho são muitas. Talvez a mais forte delas seja o foco na ampliação das exportações. A empresa já atua com 25 países, entre eles Rússia, Inglaterra, Turquia, Alemanha e Portugal. "A meta agora é fomentar as exportações, levar até as últimas consequências", diz Patrícia.

De olho na Comunidade Econômica Europeia e outros mercados, a Braile espera, para até o fim de agosto, receber uma certificação que permita a venda de seus produtos aos mercados da Europa e países como Canadá, México e Ásia. A empresa já atua em um sistema de qualidade de fabricação padronizado com o mercado europeu. Só falta a certificação. "A expectativa, com isso, é aumentar a produção, a venda e as contratações", afirma.

Com a abertura desses mercados, inicialmente, a expectativa é de aumento da produção em 5%, com as vendas acompanhando esses patamares e crescendo gradativamente, passando a 8%, 10%. A boa notícia para os trabalhadores é que aumento da produção significa mais emprego, com aumento dos turnos de trabalho e mais pessoas contratadas.

A Braile também está atuando fortemente com parceiros internacionais no desenvolvimento de produtos. Uma delas é com uma empresa da Inglaterra, onde é desenvolvido um oxigenar que usa menos matéria-prima e, portanto, tem custo menor. Outra frente é com uma empresa da Inglaterra, em que pode haver produção parceira ou com a revenda de tudo ou partes.

Inovação

Investir em produtos de alto valor agregado e inovadores. Essa é outra estratégia da Braile Biomédica para superar a crise e aumentar a rentabilidade dos negócios. A empresa já apresentou três novos itens à Anvisa e espera sua aprovação o mais breve. Um deles é uma atualização da válvula cardíaca Inovare Alpha transcater, que terá um novo meio de implante e, segundo Patrícia, será pioneira no Brasil. Outro produto é uma válvula com tratamento anti-calcificação, que tem uma durabilidade ainda maior do que a atual. O outro item é o oxigenador que está sendo desenvolvido em parceria com a empresa inglesa. Ao mesmo tempo, a Braile está reforçando a atuação de sua equipe de venda. Além de distribuidores e representantes nas grandes regiões brasileiras, a empresa tem mais de 30 equipes de venda.

Ajustes

Para chegar à situação atual, a Braile teve de adotar um regime de guerra, nas próprias palavras de Patrícia. Tudo foi revisto: gastos, contratos, alugueis, turnos, empregos. "Estamos segurando tudo. Só será feito o que é essencial", afirma, lembrando que muitas empresas se sobressaíram ao sobreviver a crises e esse é o objetivo da Braile. Durante o período mais crítico da crise, a Braile teve de redimensionar o quadro de funcionários, com a demissão de cerca de 90 pessoas. 

Além disso, renegociou o valor de alugueis de áreas, buscou o aumento de prazo de pagamento com fornecedores e passou a comprar insumos em maior quantidade para diminuir o valor do frete. Também passou a colocar metas mais agressivas para os distribuidores. "Tudo isso são medidas para reforçar o caixa da empresa e para gerar economia de custos", disse. Nas ações estruturais, a empresa reviu os contratos de compra de produtos, alterou o funcionamento dos turnos, mudando horários para evitar gastos de energia elétrica e reforçou o controle do consumo desse item, que sofreu aumentos agressivos no ano. O que ajuda a empresa nessa empreitada é o gerador próprio, que passou a ser ligado em horários de pico.

A empresa também está estudando a criação de outra empresa para começar a terceirizar atividades para outras categorias. Como tem um maquinário grande e diversificado, enxergou a possibilidade de utilizar esses equipamentos e ainda reforçar a entrada de recursos. "Nossa aposta é ainda em produtos diferentes, para exportação, e não ter a necessidade de ficar dependente unicamente do SUS", afirma.

Patrícia Braile é formada Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), tem especialização em Didática do Ensino Superior e é Mestre em Filosofia do Direito pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo. Possui Master of Business Administration (MBA) em Gestão de Empresas familiares pela Fundação Dom Cabral. Há 23 anos trabalha na Braile Biomédica onde começou no Departamento Jurídico e hoje é presidente.


RAIO-X

  • Fundação: 1977, em Rio Preto
  • Atuação: é polo fabricante de produtos médico-cirurgico-hospitalares
  • Divisões: produtos cardiovasculares, biológica e soluções; eletromédica, endovascular e oncologia
  • Mercado: exporta para 25 países, entre eles Rússia, Letônia, Turquia, Inglaterra e Portugal
  • Quadro de colaboradores: 290
  • Produtos: 470, dentre eles válvula biológica, endopróteses, oxigenadores, válvula Transcateter
  • Produção mensal: 300 mil itens (peças que compõem os produtos) e 15 mil produtos
  • Localização: Avenida Juscelino Kubitscheck de Oliveira, 1505, Jardim Tarraf

 


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