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Diário da Região

20/03/2016 - 00h00min

MICROCRÉDITO MAIS DIFÍCIL

Banco do Povo Paulista reduz valor que pode ser emprestado

MICROCRÉDITO MAIS DIFÍCIL

Guilherme Baffi Vitor Campos, empresário:
Vitor Campos, empresário: "O começo é sempre difícil, cheguei a tentar empréstimo pelo BNDES, mas havia algumas exigências que não conseguia cumprir"

A recessão econômica e o desemprego que assolam milhares de famílias mexeram também no programa Banco do Povo Paulista, que concede microcrédito para empreendedores com as menores taxas de juros do mercado.

Em 2015, houve queda no número e no valor dos créditos e o perfil do público mudou em Rio Preto. Desde a última segunda-feira, dia 14, o valor que pode ser concedido foi reduzido e o fiador não pode mais ser a mulher ou o marido de quem solicita o empréstimo.

Até o fim da segunda semana de março, a pessoa física poderia requerer de R$ 200 a R$ 5 mil no primeiro crédito tanto para capital de giro como para investimento fixo. O valor máximo agora caiu para R$ 3 mil.

“A decisão foi tomada pelo Conselho de Orientação do Fundo da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho em função do aumento da inadimplência. Pela mesma razão, o cônjuge não poderá mais ser o fiador”, diz o agente de crédito do Banco do Povo de Rio Preto Luis Fernando Araújo Rodrigues.

O programa sempre foi conhecido pela baixa taxa de calote. Os clientes tinham por hábito terminar de pagar um empréstimo e fazer outro na sequência para investir e melhorar seus empreendimentos. “Muitos clientes nossos não suportaram a recessão, fecharam as portas, e não conseguiram pagar os créditos”.

Inadimplência

Em Rio Preto, a inadimplência fechou o ano passado em 24,70%, ou seja, praticamente para cada quatro pessoas que pegaram dinheiro emprestado do programa, uma deixou de pagar. Em 2011, a inadimplência era bem menor, de 6,20%.

Em 2015 houve uma queda de cerca de 20% nos valores dos empréstimos concedidos pelas duas unidades do Banco do Povo de Rio Preto em comparação com 2014. Foram 336 contratos e R$ 1.832.983,90 emprestados. Já em 2014, o número de contratos chegou a R$ 387 num total de R$ 2.288.815,14.

“Mais rio-pretenses nos procuraram para tentar conseguir o crédito, o problema é que nem quem requer o dinheiro e nem o avalista podem estar com o nome inscrito nos serviços de proteção ao crédito e com a população endividada, inviabilizou os contratos de empréstimos”.

 

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Perfil

Ainda segundo ele, o perfil do público que foi às unidades de Rio Preto no ano passado mudou em relação aos anos anteriores. De micro e pequenos empresários com negócios consolidados, a procura passou a ser feita por pessoas que perderam o emprego e precisam ter uma fonte de renda para a sobrevivência.

Segundo dados divulgados na última terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o desemprego fechou o ano com taxa de 8,5% - a maior desde o início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), em 2012. Foram coletadas informações em 211 mil domicílios em 3.464 municípios do País.

O desemprego cresceu em Rio Preto, em janeiro, com saldo de 579 vagas fechadas. Nos últimos 12 meses, foram criados 65.558 empregos e fechadas 68.893 vagas com carteira assinada, ou seja, 3.335 empregos formais deixaram de existir na cidade. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho

“A maioria dos nossos clientes sempre foi de pessoas com um empreendimento maior e formalizado, como costureiras e donos de lanchonetes e restaurantes. No ano passado, a maioria passou a ser clientes informais, que trabalham por conta própria e usaram o empréstimo para atuar na venda de calçados, roupas, cosméticos. Também de pessoas que fizeram cursos como de cabeleireira ou manicure e trabalham na informalidade”, afirma.

Hoje, o Banco do Povo Paulista de Rio Preto tem uma disponibilidade financeira em caixa de R$ 1,19 milhão, mas Rodrigues acredita que o valor é superior ao que vai ser emprestado. “As pessoas que nos procuram estão com dificuldade de encontrar um avalista ou elas próprias estão inadimplentes. Acreditamos que uma mudança pode ocorrer a partir do segundo semestre. Percebemos que o setor da construção civil já começa a dar sinais de uma pequena recuperação”, finaliza.

 

Para equipar a empresa

Vitor Campos, 25 anos, fez empréstimo no Banco do Povo há oito meses para começar a sua empresa, a M31 Tecnologia, que atua no desenvolvimento de softwares e parte de infraestrutura de rede. "O começo é sempre difícil, cheguei a tentar empréstimo pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas havia algumas exigências que não conseguia cumprir. Soube do Banco do Povo e peguei um crédito de R$ 7,5 mil. Fez toda a diferença porque pude equipar a minha empresa", diz.

Campos não chegou a perder o emprego ou está investindo em algo informal, pelo contrário, conseguiu ser um dos selecionados e está na Incubadora de Empresas. "Eu já tinha o desejo de empreender e aí veio a oportunidade. Ter um ponto fixo abriu as portas para eu alcançar clientes maiores. São várias vantagens que o programa proporciona e a taxa de juros é realmente muito baixa", diz. O empresário paga R$ 262 por mês do empréstimo feito e, no total, serão 36 parcelas. 

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