Diário da Região

06/09/2012 - 00h50min

Região aposta no porquinho

Apesar do consumo estimulado, moradores guardam dinheiro

Região aposta no porquinho

Guilherme Baffi Andrielli Cristina Talharo dos Santos, mãe de Arthur:
Andrielli Cristina Talharo dos Santos, mãe de Arthur: "A poupança é um investimento seguro, que tem um rendimento fixo"

Apesar dos vários estímulos para incentivar o consumo, os moradores de Rio Preto e região têm reservado parte dos seus ganhos para aplicar na poupança. Somente na Caixa Econômica Federal, principal captadora desta modalidade de investimento no País, as aplicações mais que dobraram entre janeiro e agosto deste ano em relação a igual período do ano passado.


Em 136 municípios da área de atuação da superintendência regional da Caixa, a captação líquida da poupança (depósitos menos saques) atingiu R$ 117,4 milhões em oito meses, o que significa um crescimento de 119,4% no período, já que entre janeiro e agosto do ano passado a captação líquida registrada foi de R$ 53,4 milhões. Somente em agosto, a alta foi de 7,5%, pois a captação na região passou de R$ 11,9 milhões para R$ 12,8 milhões.


A estudante Andrielli Cristina Talharo dos Santos e o marido, Diego Soares dos Santos, abriram uma caderneta de poupança há três meses. A meta é poupar 10% do salário do marido todos os meses para eventuais necessidades. Essa precaução aumentou com chegada de Arthur, que completou um mês no último domingo. “Ele chegou de surpresa, antes do previsto, e isso bagunçou um pouco o orçamento”, disse. Para arcar com as contas extras, o casal recorreu ao saldo da poupança.


A partir de agora, o casal vai tentar economizar todos os meses para ter uma reserva, principalmente em função do filho. “A poupança é um investimento seguro, que tem um rendimento fixo. Outras opções têm risco embutido e podem levar à perda”, disse.


Fatores influenciam


Para o economista Hipólito Martins Filho, esse aumento expressivo está relacionado ao bom momento pelo qual passam o emprego e a renda no Brasil. “Como a renda do trabalhador está um pouco maior e o nível de emprego continua em alta, embora não nos mesmos níveis, as pessoas optam por poupar um pouco mais”, afirma. Segundo ele, outro fator que influenciou nesse desempenho foi o início do período de instabilidade e incerteza na economia. “Essa situação fez com que o consumo diminuísse e a reserva aumentasse, por precaução”, afirmou.


Para o economista José Aparecido Firmino, a grande responsável por esse resultado de aumento foi a mudança ocorrida nas regras da poupança. “Houve uma migração de outras modalidades para a caderneta de poupança. Quem depositou antes da mudança conseguiu garantir as regras antigas”, afirmou.


Desde o dia 4 de maio, os rendimentos da caderneta de poupança estão atrelados à taxa básica de juros (Selic), praticada pelo Banco Central. Com a Selic em 8,5% ou abaixo desse patamar, a remuneração da poupança será equivalente a 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR). Para as aplicações anteriores, continua valendo a remuneração de 0,5% ao mês mais TR. Atualmente, a Selic está em 7,50% ao ano.


Perfil do poupador


O perfil do investidor da poupança da Caixa, segundo o banco, está distribuído em todas as faixas etárias e de renda. A concentração está entre 21 e 40 anos, o que representa 40% da base de clientes de todo o País.


A empresária Angela Marchini Ramos investe na poupança há mais de 20 anos. Para ela, as grandes vantagens são a rentabilidade e a segurança. “Já apliquei em outras modalidades, mas voltei para a poupança. Sou fiel. Não dá para correr riscos. “ Mais de 1,5 milhão de clientes têm até 15 anos e 5,2 milhões possuem mais de 65 anos. Não existe predominância de gênero.


Selic em queda deixa caderneta mais atraente


A última redução da taxa Selic, na semana passada, de 8% para 7,50% ao ano, vai tornar ainda mais interessante os rendimentos da caderneta de poupança frente aos fundos de renda fixa. É o que aponta estudo realizado pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).


A entidade explica que isso ocorre porque a caderneta de poupança tem seu ganho garantido por lei (taxa referencial - TR mais 6,17% ao ano) e não sofre qualquer tributação. Os fundos de renda fixa possuem tributação do Imposto de Renda sobre seus rendimentos. A tributação aumenta se o prazo de resgate for menor. Existe ainda a cobrança da taxa de administração, feita pelos bancos.


De acordo com a Anefac, mesmo considerando as recentes alterações nas regras da poupança, o rendimento destas novas contas já ganham da maioria dos fundos de investimentos (FI). Quanto maior for a taxa de administração, maior a vantagem da poupança frente aos fundos. Com a Selic atual, a poupança nova só perde para os fundos, independente do prazo de resgate, quando a taxa de administração cobrada for a mais baixa (de 0,5% ao ano), normalmente para aplicações de valores maiores acima de R$ 50 mil.


A simulação considera uma aplicação financeira de R$ 10 mil, prazo de 12 meses e Selic estável em 7,50% ao ano. No caso da poupança antiga, o investidor terá acumulado R$ 617, o que representa R$ 10.610 ao fim do prazo; neste caso a taxa é de 6,17% ao ano. Na nova, o rendimento cai para R$ 525, o que representa taxa de 5,25% ao ano.


Em um FI com taxa de administração de 0,5% ao ano, a rentabilidade acumulada é de R$ 579, o que significa taxa de 5,79%. Já num fundo com taxa de administração de 2,5% ao ano, o rendimento cai para R$ 453, o que representa uma taxa de R$ 453 e um total de R$ 10.453.Considerando uma aplicação em Certificado de Depósito Bancário (CDB), segundo a Anefac, o investidor teria que obter uma taxa de juros de cerca de 85% do CDI para atingir o mesmo ganho obtido pela poupança nova, já que as aplicações em CDB’s pagam igualmente IR de acordo com o prazo de resgate da aplicação.


Para efeitos de comparação, o levantamento da Anefac considerou os seguintes cenários: aplicações com prazo de resgate até 6 meses, com a alíquota do IR de 22,50%; aplicações com prazo de resgate entre 6 meses e 1 ano com a alíquota do IR de 20%; aplicações com prazo de resgate entre 1 ano e 2 anos com a alíquota do IR de 17,50%; aplicações com prazo de resgate acima de 2 anos com a alíquota de IR de 15%. Foi considerado custo da taxa de administração cobrada pelos bancos entre 0,5% ao ano até 3% ao ano, padrão utilizado no sistema financeiro.

   

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