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Diário da Região

06/09/2015 - 00h00min

Começar de novo

A ousadia de se reinventar em meio à crise econômica

Começar de novo

Sergio Isso Tenho trabalho até o final do ano, não paro nem no fim de semana - Luciano Doreto mestre de obras
Tenho trabalho até o final do ano, não paro nem no fim de semana - Luciano Doreto mestre de obras

O que um representante de vendas do setor alimentício tem em comum com um mestre de obras? O fato de as duas atividades profissionais estarem no "currículo" de Luciano Doreto, 39 anos. Depois de ter concluído o ensino médio, Doreto entrou em um curso técnico de açúcar e álcool. Trancou a matrícula no meio do curso para começar a trabalhar como represente comercial na região noroeste. Há dois anos, largou a carreira e foi realizar o sonho de construir imóveis.

Ele é um exemplo. Outros rio-pretenses, assim como pessoas de todo o mundo, estão abrindo mão de atividades consolidadas para fazer aquilo que mais querem. Já que são tantas horas da vida dedicadas ao trabalho, querem que sejam de alta qualidade do ponto de vista da satisfação. Fazer aquilo que gosta, que é apaixonado, como muitos se referem, é ponto passível para o sucesso, dizem os consultores de carreiras.

Contudo, tirar o sonho da cabeça e concretizá-lo, demanda conhecimento, suor e atitudes empreendedoras para que a atividade se concretize e não se torne um pesadelo. Doreto era um pedreiro de fim de semana. Fazia bicos na casa de parentes e amigos. A grande obra de sua vida foi ter construído a própria casa, em Rio Preto. Depois disso não teve mais volta. "Em 2013, ainda trabalhando como representante comercial, fiz um curso de mestre de obras em. Quando eu estava no meio do curso larguei o meu emprego, com carteira assinada, e peguei firme na construção civil", conta.

De lá para cá, montou uma equipe. Tem pedreiro, encanador, eletricista e pintor para construir e reformar imóveis. Atualmente, está finalizando uma obra em Mirassol e reformando o quarto de uma sobrinha, como presente de aniversário. "Tenho trabalho agendado até o final do ano. Não consigo parar nem no fim de semana. Está muito bom”, diz. “É gratificante quando a gente entrega para o cliente a casa prontinha, linda", completa, acrescentando ainda que não voltaria a ser representante comercial por se sentir realizado e até ganhar mais do que antes.

Semear a terra

Por mais de uma década Vitor Franco, 30, trabalhou como relações públicas. Começou como estagiário quando ainda fazia faculdade. Desde 2013 diz que já sentia que não tinha mais ligação com a profissão ou a forma de trabalhar. "Eu não aguentava mais chegar todas as manhãs, passar o dia atrás de um computador, no telefone, e, no fim do dia, voltar para casa. Isso não fazia mais sentido para mim." Ainda naquele ano conheceu um formato diferente de lidar com a terra que é a agricultura biodinâmica.

Segue certo princípio que lembra até a canção O Cio da Terra, que em determinado trecho diz que é preciso "afagar a terra, conhecer os desejos da terra". Pesquisou sobre o assunto e fez um curso de olericultura, em Rio Preto, e fruticultura, em Minas Gerais. De relações públicas passou a ser agricultor. "Eu não tinha experiência de mexer com a terra. Peguei um hectare do sítio da minha mulher e faço como meu laboratório. 

Associo o conhecimento dos antigos, dos caboclos. Se a lua está minguante, está na hora de ceifar. Se a paineira floresceu, é hora de plantar. A minha produção ainda está começando", diz. Ele cultiva legumes, frutas, raízes e hortaliças no sistema orgânico. Enquanto isso, Franco criou uma marca própria, firmou parceria com um produtor, monta e vende cestas com alimentos orgânicos. "Em cinco meses passei de 60 cestas para 150 por mês", diz. "Eu buscava outra coisa para a minha vida e encontrei."

Foi de advogada a comerciante

Flávia Andréa Gorayeb, 45 anos, trabalhava com direito internacional, em multinacionais, em São Paulo. Depois de um desentendimento na última empresa em que atuou, há 9 anos, decidiu voltar para Rio Preto e passou a estudar para concursos. Três anos depois, o pai, também advogado, faleceu e ela entrou em uma forte depressão. "Não conseguia mais colocar os pés no Fórum, tinha taquicardia, minha pressão caia, perdi o foco. O então namorado, Marcelo, hoje marido de Flávia, numa tentativa de reanimá-la, a levou a um churrasco. 

Lá, soube que havia espaços sendo comercializados no Shopping Cidade Norte. Comprou um restaurante e duas lojas. "Ainda estava tudo na planta. Acordei no dia seguinte ao churrasco e menos de uma hora depois tinha investido no empreendimento", conta. Sem experiência nenhuma com o comércio, enfrentou alguns problemas. Mas com muita dedicação e trabalho, hoje ela tem os três estabelecimentos e está investindo ainda em uma cozinha industrial para servir refeições para funcionários de construtoras em Rio Preto. 

 

Vlamir Viana Vlamir Viana trabalhou durante quase 28 anos nos Correios, em abril, com programa de demissão incentivada, viu a oportunidade de investir e se tornar um empresário; na última semana, lançou uma marca própria de roupas masculinas e um site para comercialização exclusivamente pelo e-commerce

Desafio e muita pesquisa

Depois trabalhar durante quase 28 anos nos Correios, Vlamir Viana, 52, acaba de lançar uma loja virtual e uma marca própria de roupas masculinas. A ideia surgiu há três anos. De lá para cá, ele, ainda trabalhando nos Correios, passou a analisar as possibilidades, pesquisar sobre o assunto, checar a viabilidade econômica. Casado com Célia, que já tem uma fábrica de roupas em Rio Preto, trocou experiências e informações com a mulher e chegou a um produto final.

Em abril, com o programa dos Correios de Demissão Incentivada para funcionários já aposentados, ele viu a oportunidade de se dedicar a um novo desafio, uma nova rotina, um segmento de trabalho totalmente diferente. "Inicialmente não foi fácil, confesso, mas, com muita força e dedicação, busquei o conhecimento necessário e parcerias fundamentais para ser um empresário no segmento de confecção. No último dia 1º, junto com minha esposa, lançamos a marca Validade e o site para a venda as roupas masculinas, pelo sistema e-commerce", diz.

Erros podem levar sonho a pesadelo

Das empresas abertas no estado de São Paulo, 27% fecham as portas ainda no primeiro ano de atividade. Não há dados específicos de Rio Preto, mas o percentual também é aplicado aqui. O dado é do Sebrae. Segundo o gerente regional do Sebrae Rio Preto, Marcos José Amâncio, um novo negócio envolve riscos. E o primeiro passo é identificar se o sonho inicial é de fato uma boa oportunidade de negócio. “O fato de buscar uma atividade relacionada com um projeto de vida é um bom começo, mas não garante o sucesso. As chances serão maiores quando se equilibra emoção e razão e o empreendedor segue os passos corretos para iniciar ou mudar sua atividade.” 

A lição número um, segundo Amâncio, é realizar um bom planejamento. Nele, o empresário deverá ter as respostas para as perguntas mais frequentes como, quais chances desse negócio da certo? (que é a viabilidade do negócio); Quanto investir? Em quanto tempo virá o retorno do investimento? E qual o faturamento mínimo mensal para pagar todas as obrigações desse novo negócio? (que é o ponto de equilíbrio). Já, os erros mais "cruéis" quando se trata de mortalidade são a falta de um planejamento prévio (plano de negócios), deficiência na gestão após o início das atividades e ausência de comportamentos empreendedores.

 

 

 

 

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