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Diário da Região

29/03/2015 - 00h15min

Geração pós-beatnik

Kleber Felix e sua literatura de bar em bar

Geração pós-beatnik

Sidnei Costa “Fantasmas não respeitam geografia” será o primeiro livro de Felix por uma editora. Lançamento oficial está marcado para 9 de abril, no espaço cultural Cemitério de Automóveis, em São Paulo
“Fantasmas não respeitam geografia” será o primeiro livro de Felix por uma editora. Lançamento oficial está marcado para 9 de abril, no espaço cultural Cemitério de Automóveis, em São Paulo

O escritor Kleber Felix, que mora há cinco anos em Rio Preto, conta com mais de 10 livros publicados de forma independente. No entanto, eles não estão disponíveis nas bancas ou nas prateleiras das livrarias, mas, sim, nas mesas dos bares da cidade, por onde ele circula vendendo suas publicações. Prestes a lançar seu segundo romance, "Fantasmas Não Respeitam Geografia", ele vive pela primeira vez a experiência de ter seu material publicado por uma editora, a Kazuá, com direito a noite de autógrafos em São Paulo, programada para 9 de abril, no espaço cultural Cemitério de Automóveis.

"A editora fará o trabalho que eu não faço, que é o de divulgar o livro em livrarias e outros espaços", conta o escritor, que sempre levou ao pé da letra o termo independente. Dono do selo Bar Editora, Felix escreve, imprime e divulga sozinho seu próprio trabalho. "Somente para a arte da capa que eu recorro a uma gráfica." A divulgação na cena boêmia começou após uma experiência frustrada com bancas e livrarias. "Meus livros não vendiam. Então, resolvi eu mesmo sair pelos bares para vendê-los. 

E o resultado é sempre positivo", conta ele, que não se sente nem um pouco diferente daqueles vendedores de doces e flores que circulam por bares todas as noites. "Sou uma pessoa tranquila e tenho paciência para driblar os contratempos que surgem durante a venda nos bares. No começo, eu até ficava chateado com a postura de algumas pessoas. Mas, hoje, nada me magoa", diz Felix, que se aventurou na escrita ao deixar sua cidade natal, Birigui, para cursar história em Dourados (MS).

Envolvendo-se com o teatro nos tempos de faculdade, o jovem escritor foi despertado pelas peças de Plínio Marcos e Mário Bortolotto, além dos poemas da geração beatnik. Ele criou fanzines e escreve poemas, contos e crônicas em que suas experiências pessoais inspiram situações ficcionais. "Fantasmas Não Respeitam Geografia" dá sequência à trajetória de Felini, personagem que Felix deu vida em seu primeiro romance, "Gatos no Cio Não Pedem Perdão".

 

Kleber Felix e Ubirathan Com Ubirathan, com quem lançou o fanzine “Elefante de Menta”

Personificação do próprio autor, Felini é um escritor à moda beatnik que vende seus livros em bares, onde cultiva amizades com jovens universitários. Em uma nova cidade, vivendo com uma prostituta em um quarto de hotel vagabundo, ele começa a trabalhar como "ghostwriter", expressão usada para definir o escritor que escreve em nome de outra pessoa. "É uma ficção baseada em histórias que eu vivi. Quem me conhece conseguirá identificar algumas situações."

Uma das orelhas de "Fantasmas Não Respeitam Geografia" é assinada pelo poeta e músico Ubirathan do Brasil, com quem Felix lançou na cidade o fanzine literário "Elefante de Menta", que rendeu três edições. "Conheci o Bira (Ubirathan) logo que cheguei a Rio Preto. A parceria foi imediata", relembra. Outra orelha do livro é assinada pelo escritor Diego Moraes, de Manaus (AM). Há ainda prefácio do escritor Bruno Bandido, seu parceiro no primeiro romance, e contracapa da atriz e cantora Fernanda Dumbra.

Trecho do livro

Lorrayne dança sensual e de repente o mundo é um bom lugar pra se ‘viver. Paz e platonismo. Dois dogs babões, o tempo em suspensão... e ela senta ao nosso lado, sorriso nuclear, me beija a boca. Flower Power nunca mais. Levi desanda a chorar feito hippie que perdeu o Woodstock. Lorrayne toma sua cabeçona confusa e a coloca no colo, nina o marmanjo num cafuné sincero, vai aos poucos lhe devolvendo a paz, a esperança, sonhos lisérgicos. Eu caio fora. Uma balada do velho Lou Reed me acompanha. E essa sensação de que a cidade tá sempre pronta pra te foder. Avenidas ziguezagueando em espiral, falsos "eu te amo" pichados nos muros, postes que zombam da tua cara de idiota, sarjetas traiçoeiras, arranhacéus que te ofendem a alma. A cidade é o Éden excomungado, o purgatório de antigos anjos caídos e arruinados. Sigo caminhando, sou o lixo entulhado na calçada, a sujeira na camisa velha do Flamengo do infeliz aleijado, a escória em declínio final congestionando o tráfego. Alguém me segue. Lorrayne.
- Transa comigo, Felini.
- O Levi te ama.
- Eu sei. Ele acabou de me dizer. Eu também gosto dele...
- ...
- Transa comigo. Pela última vez.
O orgasmo mais triste da minha vida.

Trecho do romance "Fantasmas Não Respeitam Geografia", de Kleber Félix

 

 

 

 

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