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Diário da Região

14/10/2015 - 00h00min

Inquietações Urbanas

‘Cidade Inquieta’ discute questões urbanas por meio da arte

Inquietações Urbanas

Sergio Isso Articulador da exposição ‘Cidade Inquieta’, o artista paulistano Danilo Oliveira, entre obras de Miguelavo (à esquerda) e Marcelo Cidade, ao fundo
Articulador da exposição ‘Cidade Inquieta’, o artista paulistano Danilo Oliveira, entre obras de Miguelavo (à esquerda) e Marcelo Cidade, ao fundo

"Tenho mais medo de atravesar em cuarquér bairro de São Paulo as treis da madrugada do que penetrar no centro dum curral repreto de gado bravos (sic)". A frase do pintor José Antônio da Silva (1909-1996) surge em uma aquarela em que o artista lança seu olhar "caipira" sobre a imensidão da Av. São João, no centro de São Paulo. A ilustração é uma das 14 originais de seu livro "Maria Clara", publicado em 1970, pertencentes a uma coleção particular, que pela primeira vez estão em uma exposição. O trabalho compõe a mostra " Cidade Inquieta", com abertura amanhã, às 20h, no Sesc Rio Preto, dentro do festival Breu. 

 

Andrey Zignnatto - 14102015 Andrey Zignnatto, de Jundiaí, que trabalha com tijolo, a partir da própria vivência em olaria

Não por acaso, os originais de "Maria Clara" foram "garimpados" pelo articulador da exposição, o artista paulistano Danilo Oliveira. Nas palavras dele, é um exemplo da ideia proposta pela "Cidade Inquieta", de conexão entre o ambiente rural e popular e o universo da arte contemporânea. Em "Cidade Inquieta", nomes conhecidos no universo das artes plásticas e visuais estão ao lado de artistas autodidatas. Em comum: obras que contribuem para a discussão sobre questões urbanas e a forma como o homem se relaciona com a cidade. 

Ao todo, são 15 artistas, que se expressam nas mais diversas linguagens - pintura, fotografia, vídeo, cinema e instalação - além de outros 21 nomes locais, num espaço dedicado a exposições rotativas, o Laboratório de Auto-curadoria. Entre os contemporâneos, um dos destaques é o paulistano Marcelo Cidade, que apresenta três obras, entre elas uma inédita, batizada de "Edifício São José 1, 2 e 3", produzida com caixas de bater cimento encontradas em Rio Preto. Assim como ele, outros nomes conhecidos da arte contemporânea brasileira, como a mineira Cinthia Marcelle e o paulistano Marcius Galan, convivem na exposição com artistas de Rio Preto, como Orlando Fuzinelli, pintor, e Miguelavo, pintor, escultor e inventor. 

 

Paulo Nimer Pjota - 14102015 Rio-pretense Paulo Nimer Pjota monta sua obra na ‘Cidade Inquieta'

"Eu acho que essa mistura sempre existiu, sempre esteve aí. Em muitos artistas contemporâneos, podemos encontrar no trabalho deles coisas que os populares, os autodidatas, fazem. A cidade é meio isso, tem o bairro pobre, o bairro rico, o bairro arborizado, o bairro que não é; e tudo está dentro dela. A única diferença entre esses artistas, para mim, de fato, é que um tem formação acadêmica, foi lá e estudou a arte, e o outro é autodidata. O trabalho em si não tem diferença, e é por isso que eles estão juntos aqui, porque eles podem dialogar, e acho que essa é uma das características da arte contemporânea, de tirar a hierarquia nas produções artísticas, entender que arte é arte, produção artística é produção artística", reflete o articulador da exposição.

Dos artistas locais, Fuzinelli ocupa um espaço que reúne, além de seu trabalho, obras de outros nomes, integrantes de sua coleção particular, ou seja, saíram das paredes de sua casa e foram levadas ao Sesc. Destaca-se entre essas uma tela de Ranchinho (1923-2003), um dos maiores pintores autodidatas brasileiros. "Fuzinelli é uma figura agregadora nesse cenário da pintura autodidata porque troca muitas obras e estimula muita gente a pintar."

Mesmo na montagem, a exposição já tem provocado "inquietações" entre os frequentadores do Sesc, com a arte em transformação constante do Profeta das Cores. Desde o dia 2, ele pinta diariamente um painel de grandes proporções dentro do espaço da mostra, no mesmo processo que faz nos muros de Rio Preto.

A "Cidade Inquieta" também ocupa outras áreas do Sesc além do espaço expositivo. 

 

Profeta das Cores - 14102015 Profeta das Cores trabalha em painel dentro do espaço

O artista rio-pretense Paulo Fuscaldo, por exemplo, leva suas linhas para a fachada do prédio, a guarita da piscina e as quadras externas. Ao invés de giz, material com o qual trabalha no asfalto, ele utiliza agora carvão vegetal. Como na rua, o trabalho será apagado pelo tempo.

Realizado entre outubro e dezembro, o festival Breu irá movimentar a unidade do Sesc e vários pontos da cidade, por meio das mais diversas formas de expressão artística. Somente neste mês, são mais de 70 atrações. "Cidade Inquieta" tem visitação gratuita e vai até 20 de dezembro.

 

 

 

A exposição

Articulador:
  • Danilo Oliveira (São Paulo)
Artistas convidados:
  • Andrey Zignnatto (Jundiaí)
  • Antonio Dorta (São Paulo)
  • Cinthia Marcelle (Belo Horizonte)
  • Claudio Cretti (Belém)
  • Henrique César (São Paulo)
  • José Antonio da Silva (Rio Preto)
  • Marcelo Cidade (São Paulo)
  • Marcius Galan (São Paulo)
  • Miguelavo (Rio Preto)
  • Orlando Fuzinelli (Rio Preto)
  • Paulo Fuscaldo (Rio Preto)
  • Paulo Nimer Pjota (Rio Preto)
  • Philippe Barcinski (Rio de Janeiro)
  • Profeta das Cores (Rio Preto)
  • Tec (argentino radicado em São Paulo)
Artistas do Laboratório de Auto-curadoria (exposições rotativas)
  • De amanhã a 20/12: Fernando Macaco e Kaciane Caroline Marques
  • De amanhã a 1/11: Jef Telles, juny kp, Maira Coelho e Olinda da Silva
  • De 4/11 a 15/11: Cristiane Peresi, Deraldo Clemente, Fernando Marques, Luiz Diniz e Wilde & Ísis
  • De 18/11 a 29/11: Antônio Anjo Gonçalves Filho, Teresinha Bilia, Thais de Freitas, Valdecir Gerotto e Valu Ribeiro
  • De 2/12 a 20/12: Cristiana de Freitas, Felipe Rócio, Luiz Áureo, Jan Brasil e Raphael Marchetto
Abertura:
  • Amanhã, às 20h
Visitação
  • De terça a sexta-feira, das 13h30 às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30

 

 

 

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