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Diário da Região

28/08/2015 - 00h00min

Jornada de Escritoras

Chilena combate violência pela literatura

Jornada de Escritoras

Rubens Cardia/Arquivo A chilena Pía Barros é uma figura frequente na Jornada em Rio Preto
A chilena Pía Barros é uma figura frequente na Jornada em Rio Preto

Idealizadora do projeto literário "Basta!", que tem como objetivo contribuir para a visibilidade e o combate à violência de gênero, a escritora e ativista chilena Pía Barros está em Rio Preto para a 8ª Jornada Internacional de Mulheres Escritoras, hoje e amanhã, no Sesc.

Com o projeto, ela convocou escritoras a transportar histórias de abusos contra a mulher para a literatura, por meio de microcontos. "O projeto 'Basta! + de 100 mulheres contra a violência de gênero' é o mais belo que fizemos em nossa vida. 

É uma marca registrada que já está presente em suas respectivas versões na Argentina, Peru, Bolívia, México, Colômbia e em processo de convocatória no Brasil, Paraguai, França, Equador, Uruguai. No fim do ano, sairá nos Estados Unidos o 'Basta + latinas contra a violência de gênero'", conta a escritora, em entrevista ao Diário. 
 
Diário da Região - Recentemente, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei do feminicídio. Até que ponto medidas como essa podem contribuir para combater o problema da violência contra a mulher?

Pía Barros - No Chile, também temos lei contra o feminicídio, porém, as leis devem financiar-se. Isso significa advogados gratuitos, assessoria psíquica e física, casa de acolhida para as mulheres e seus filhos, polícia dedicada a manter longe os agressores, espaços de trabalho adequados, etc. Nossos países ditam leis, mas dão escasso financiamento aos assuntos da mulher. Ainda assim, a lei que tipifica o feminicídio como tal é um grande avanço para a sociedade em seu conjunto. 
 
Diário - Como surgiu o projeto "Basta!" e como a senhora se envolveu com ele?

Pía - Eu dirijo um grupo de mulheres ligadas à editora Asteríon. Esse foi um projeto longamente pensado, mas não tínhamos recursos econômicos para levar adiante. Fui a um cassino, ganhei dinheiro, e com esse dinheiro fizemos o 'Basta!'. A melhor experiência que tivemos. Se fez uma convocatória pelas redes sociais e rapidamente tínhamos cinco edições. Em cada edição, incorporamos mais escritoras. No Chile, são 150 escritoras. 

E quero esclarecer que, no Brasil, tem dois escritores encarregados do projeto: Cristina Linhares e Sidney Rocha, que estão convocando as pessoas para fazer o 'Basta!" no Brasil. Esta entrevista é a oportunidade para divulgar essa convocatória: contos de não mais que 150 palavras, contra todo tipo de violência de gênero. Os e-mails são marcistil@gmail.com e sidneyrocha1@mail.com. 
 
Diário - Qual o objetivo da publicação?

Pía - Combater a violência de gênero com criatividade, como nós sabemos fazer, e gerar consciência do problema nos leitores.
 
Diário - Há várias formas de violência contra a mulher. Como ela acontece no mundo das artes?

Pía - No meu país, e suponho que aqui no Brasil deve ser semelhante, a nós mulheres é muito mais difícil, dificílimo, publicar. Os prêmios são para homens. Dos livros que saem a cada ano, quase a metade é de mulheres, porém, menos de 7% deles são resenhados na imprensa (apesar de a maioria dos jornalistas serem mulheres). Se nós, mulheres, escrevemos, somente esperam livros para crianças ou novelas românticas. 
 
Diário - Que escritores chilenos deveriam ser descobertos pelo leitor brasileiro, na avaliação da senhora? 

Pía - Todos e todas! Gabriela Mistral, Lina Meruane e Nona Fernández, entre as mais jovens, e, oxalá, todas as poetas! Existe tanto nos livros para compartilhar, para nos unir, para dizer que a pele nos dói igual porque somos todos americanos...

Edição homenageia Cecília Meireles

Como é tradição, a Jornada de Mulheres Escritoras, idealizada por Isabel Ortega, reúne em Rio Preto hoje e amanhã escritoras de diversas partes do Brasil e do exterior. A edição 2015 homenageia a poetisa brasileira Cecília Meireles (1901-1964) e tem como tema "Diversidade, transformação social, literatura na sociedade atual". 

"Espera-se um público feminino diversificado, composto por universitárias, empresárias, profissionais liberais, comerciárias, domésticas, moradoras da zona rural de Rio Preto, mulheres que se identificam com a leitura e a escrita de narrativas, textos científicos, textos jornalísticos, poesia. 

Enfim, todos os gêneros, assim como a presença de um público masculino, que será sempre muito bem-vindo", considera Isabel sobre o evento, que se tornou um espaço consolidado para o diálogo e a troca cultural. A programação se divide entre o Sesc, com palestras, mesas redondas, lançamento de livros e bate-papos, e o Riopreto Shopping, com exposição de poemas e pinturas. 

Todas as atividades são gratuitas, e haverá certificado. O evento começa hoje às 10 horas, com palestra de Wilson Romano Calil, seguida de performance da atriz Tássia Camargo em homenagem à Cecília Meirelles. Depois, será entregue o prêmio Lygia Fagundes Telles a Pía Barros. Além da parceria com o Sesc, a Jornada conta com apoio da Rede de Poetas do Mundo, União Brasileira de Escritores (UBE), Ibilce/Unesp, Fatec e Cafezine. 

Programação

Hoje

10h30: Teatro do Sesc

  • "Oratória retórica: técnicas", com Wilson Romano Calil
  • Performance-homenagem à Cecília Meirelles, com Tássia Camargo
  • Entrega do Prêmio Lygia Fagundes Telles a escritora Pía Barros (Chile)

14h: Sala do Sesc

  • "A mágica realidade na ficção", com Stella Maris Rezende (Minas Gerais)
  • "Chaves temáticas da literatura panamenha escrita por mulheres", com Consuelo Tomas (Panamá)

15h30: Sala do Sesc

  • "O lúdico como fator de criação literária", com Carlos Magno de Melo (Bahia)
  • "Little purple rains: a historinha da mulher-menino", com Dinamara Garcia? (Rio Preto)

17h: Sala do Sesc

  • Café Literário - Ponto de encontro e lançamento de livros

20h: Rio Preto Shopping

  • "Pinturas, imagens e ilusão" - Telas em óleo e máscara de Regina Cheida
  • Painéis de poesias de Beatriz H. do Amaral, Cecília Meireles, Elena Hoyos, Chiquita Barreto, Consuelo Tomás, Roseli Arrudha
  • Performances com Nhonguita e Julio Gil, Tássia Camargo e lançamento de livros de Giulia Moon e Beatriz H. Amaral
Amanhã

10h: Sala do Sesc

  • "Insubmissa maneira de amar-se", com Elena de Hoyos (México)
  • "Transformação social, o papel das mulheres na cultura africana", com Ngonguita Diogo (Angola), acompanhada do músico e cantor angolano Julio Gil
  • "A necessidade do compromisso da literatura com a beleza", com Ana Miranda (Portugal)

14h: Sala do Sesc

  • "Ser mulher: a escrita como compromisso", com Pía Barros (Chile)
  • "Os nomes que habito", com Chiquita Barreto (Paraguai)
  • "Pensamentos ancestrais, educação cultural dos povos indígenas", com Eliane Potiguara (Brasil) 

17h: Sala do Sesc

  • Café Literário - Ponto de encontro e lançamento de livros

 

 

 

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