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Diário da Região

13/08/2016 - 00h00min

FUNKEIROS E NERDS

Baile no Sesc busca quebrar o preconceito entre a tribo do funk e do cosplay

FUNKEIROS E NERDS

Divulgação MC Garden, 22 anos, funkeiro da nova geração canta funk voltado para questões como política, educação e desigualdade
MC Garden, 22 anos, funkeiro da nova geração canta funk voltado para questões como política, educação e desigualdade

Dois extremos que aparentemente pouco têm em comum se encontrarão neste sábado, 13. O funk e o cosplay dividirão o mesmo ambiente no Baile Funk Cosplay, promovido pelo Sesc. Mas, apesar das diferenças óbvias, os amantes das duas expressões culturais se unem em um ponto: a luta contra o preconceito. O funk, por mais difundido que tenha sido nos últimos anos, ainda enfrenta uma série de estigmas ligados às suas letras e origens. Já o universo do cosplay, que envolve fãs se vestindo como seus personagens favoritos, sofre principalmente pela falta de entendimento do grande público diante desta forma de expressão.

“A interação entre esses dois grupos será muito interessante e vai ajudar a superar preconceitos. Preconceito existente, inclusive, entre esses dois grupos. Esse contato deve ajudar a difundir essas formas de expressão artística e esclarecer suas intenções. Temos que aprender a conviver”, diz a babá Maria Luisa Teixeira Puyol, 20 anos, fã de funk e cosplay que estará no baile. “Acredito que será um momento de muita diversão. Temos uma ligação forte com a cultura japonesa e o funk faz parte da nossa cultura, então nada mais justo que reunir esses dois mundos em um só espaço”, diz Maria Luisa.

Manuel Reis Soares faz cosplay desde os 18 anos. Hoje, com 22, ele espera que o baile seja mais um passo em direção ao esclarecimento. “É uma oportunidade ótima para todo mundo conhecer outro mundo.” O preconceito, entretanto, não está restrito a desconhecidos. Manuel já sofreu dentro da própria família. “Quando comecei, familiares me questionavam sobre as roupas, ficavam me perguntando como eu tinha coragem de gastar dinheiro com isso, etc. Depois de um tempo eles perceberam que não passa de um hobby como qualquer outro. Faço porque gosto.”

 

Manuel Soares - 13082016 Cosplayer desde os 18 anos, Manuel Soares, 22, espera que o baile dê mais um passo rumo ao esclarecimento

Para o baile, Manuel já definiu o cosplay. Ele vai de Amon, personagem da série animada Avatar: A Lenda de Korra. Gostar de um personagem é o primeiro passo para definir qual cosplay fazer, conta Manuel. “Além disso, levo em conta a fisionomia do personagem, se é semelhante à minha, e o nível de dificuldade do traje. Eu e minha mãe que produzimos tudo que uso.”

Música

A mistura de pessoas se refletirá na música do baile, que transitará entre o funk e o K-Pop, estilo oriental de música dançante que mescla electropop, hip-hop, rock e R&B. E para o show o Sesc traz MC Garden, funkeiro da nova geração de apenas 22 anos que se encaixa bem dentro da proposta. Seu funk é voltado para o discurso social, para questões como desigualdade, política e educação.

“A música tem o poder de influenciar. Por isso, sou muito preocupado com a mensagem que passo com minhas letras. Quero motivar esses jovens a se impor, a lutar pelos seus direitos”, afirma MC Garden, que também luta com suas músicas contra a discriminação do gênero. Sobre a proposta do evento, o cantor se mostrou empolgado com a possibilidade de atingir um público novo. “Acho muito interessante essa mistura. Galera fantasiada, diálogo entre diferentes grupos”, comenta.

Transitar por outros gêneros, inclusive, é sua meta. Garden está se preparando para lançar seu primeiro álbum no próximo mês e, nele, quer mostrar sua versatilidade. “Sou mais que funk. O trabalho tem samba, rock, reggae.” Nascido Lucas Rocha da Silva, na periferia, filho de pai professor e mãe dona de casa, Garden cresceu em meio à criminalidade, mas aponta a família como a base para que não caísse nesse mundo. “Meus pais sempre apostaram na conversa.”

Com 15 anos, começou a escrever versões politizadas dos chamados funks proibidões. “Transformava a letra destas músicas em algo consciente.” O sucesso veio em 2013. Sua música Isso é Brasil começou a ganhar espaço na mídia e trouxe o primeiro gostinho de fama, acumulando mais de 5,1 milhões de visualizações no YouTube.

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