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Diário da Região

26/04/2016 - 00h00min

Lenda da Soul Music

As passagens de Billy Paul por Rio Preto e região

Lenda da Soul Music

Pierre Duarte/Arquivo Billy Paul é conhecido por clássicos da soul music, como Me and Mrs Jones e Your Song. Nesta foto, um de seus muitos shows em Rio Preto
Billy Paul é conhecido por clássicos da soul music, como Me and Mrs Jones e Your Song. Nesta foto, um de seus muitos shows em Rio Preto

Meu dom é minha canção. Esse trecho faz parte da música Your Song, um dos grandes sucessos do cantor Billy Paul. Lenda da soul music, o cantor de Me and Mrs Jones morreu aos 81 anos na manhã de domingo, em New Jersey. A causa da morte, segundo nota divulgada, seria um câncer de pâncreas descoberto recentemente. Em sua passagem mais recente por Rio Preto (das muitas que marcaram sua carreira), em setembro do ano passado, o cantor já apresentava sinais de uma saúde fragilizada. Não era o mesmo Paul de 2012, quando também se apresentou na cidade. 

“Ele estava com as pernas inchadas e eu pensei que fosse da diabetes ou até mesmo pela idade. Precisou passar por atendimento médico, foi encaminhado para o hospital, mas quase ninguém ficou sabendo disso”, conta a empresária Laís Accorsi, que acompanhou o cantor e a mulher durante a estada em Rio Preto. Sua aproximação com Billy Paul aconteceu em 2012. Laís lembra que o cantor era vaidoso e chegou a mentir a idade para o médico. “Ele não aceitava que tinha completado 80 anos. 

Falava para todo mundo que tinha 79. Gostava de usar roupas descoladas, como calça jeans e boné, e de se cuidar. Ele foi fazer as unhas no meu salão. Era realmente muito vaidoso.” Com restrição de açúcar por conta da diabetes, a lenda do soul adorava geleia e pudim de baunilha diet. “Ele era muito simples e não pedia nada exagerado”, conta a empresária. Apesar da simpatia e da simplicidade, Paul dava sinais de que algo não estava bem. “Nesses últimos tempos, ele falava muito de viver cada minuto da vida. Ele queria viver.

Estava difícil para ele aceitar que estava chegando seu fim. Acho que ele já sabia do câncer quando veio pela última vez a Rio Preto.” Laís esperava que Paul pudesse viver mais alguns anos. “Sabíamos que ele não estava bem, mas no palco ele não demonstrava isso. Se mantinha pleno no palco, transmitindo boas vibrações em cada canção. Uma pena que ele se foi.” Billy Paul gostava de filmes e sabia apreciar músicas novas. Bruno Mars, Beyoncé, Adele e Kendrick Lamar são alguns dos artistas que faziam sua cabeça. Mas nenhum dos novos nomes do soul e do rhythm and blues agradaram tanto Billy Paul como Alicia Jean. 

 

Billy Paul 02 - 26042016 Uma das marcas de Billy Paul em seus shows era a interação com a plateia. Pessoas que conviveram com o artista durante suas passagens por Rio Preto e pela região revelam um homem vaidoso, generoso e carismático, e que se agigantava no palco. “Sabíamos que não estava bem, mas ele não demonstrava isso”, diz empresária

“Como estou em um novo momento, também ouço bastante Taylor Swift”, confessou o cantor ao Diário, em sua passagem por Rio Preto no ano passado. Os dois shows, o de 2012 e o de 2015, foram realizados no buffet Manoel Carlos. Em 2012 ele esqueceu lá um vidro com essência de canela. “Ele não pediu nada de estrelismo no camarim. Ao contrário, foi muito simples, simpático nos bastidores. Eu avisei à produção que ele tinha esquecido o perfume aqui e ele me disse que poderia ficar comigo. Guardo com todo carinho”, afirma a gerente do buffet, Eliana Paracatu.

Na minha casa

Billy Paul, mulher e equipe ficaram hospedados no ano passado no Tuti Resort, em Olímpia. Em um dos seus dias de estada, eles foram jantar na casa de Iscilla Piton, uma das administradoras do resort. “Tive oportunidade de ver Billy Paul tocar e cantar Me and Mrs Jones no piano da minha casa. Foi um dia ímpar que eu nunca me esquecerei.”

Iscilla afirma que Paul era cativante e analisava pelo olhar o que as pessoas queriam transmitir. “Todos que tiveram contato com ele se encantaram. Para cada pessoa, ele tinha uma brincadeira diferente. Desde as crianças até os adultos. De uma simplicidade linda. Ele valorizava as relações interpessoais. Chegou até a elogiar o atendimento do resort, coisa que não precisava fazer”, relembra.

Última entrevista

Em 2015, Paul deu uma entrevista ao Diário. O cantor norte-americano fez questão de destacar sua forte relação com o Brasil, desde o início de sua carreira, nos anos 1970. “Eu gosto muito do Brasil, sou fascinado por este país e pelos seus lugares. O público brasileiro tem um bom entendimento de música, tem muita sonoridade, e aceita muito bem o estilo que eu ofereço”, elogiou na época.

Billy Paul chegou a explicar o sucesso de Me and Mrs. Jones. “A música fala de infidelidade, que é um tema muito real no nosso cotidiano. Fala também sobre casos amorosos e adultério, assuntos que normalmente as pessoas evitam mencionar, apesar de fazerem parte das nossas vidas. Acredito que foi por isso que o público se identificou com a música.”

 

 

A morte

Segundo declarações de seu representante dadas à NBC, Paul foi diagnosticado com câncer de pâncreas e foi hospitalizado na semana passada, no Hospital da Universidade Temple. Nascido Paul Williams, na Filadélfia, o músico estava em sua casa em Blackwood, New Jersey, quando morreu.

Ao todo, Paul lançou 15 álbuns (sem contar uma reedição de Feelin’ Good ao Cadillac Club, de 1973) entre 1968 e 1988. Embora ele nunca tenha conseguido alcançar de novo o sucesso comercial de Me and Mrs. Jones, Billy Paul é reconhecido por ser figura vital da soul music e por suas letras socialmente conscientes.

(Colaborou Harlen Félix)

Quem foi

  • Nascido no dia primeiro de dezembro de 1934, na Filadélfia, nos Estados Unidos, Paul Willians mudou seu nome artístico para Billy Paul, porque já havia um artista homônimo
  • Alcançou a fama com Me and Mrs. Jones, em 1972. O single ficou em primeiro lugar na lista norte-americana das mais tocadas, durante três semanas, e vendeu dois milhões de cópias, rendendo o Grammy de melhor vocal masculino de R&B. A letra se tornou hino informal da infidelidade
  • As apresentações do artista no Brasil sempre foram marcadas pela interatividade. Sempre que possível, ele descia do palco para cantar com o público. Não dispensava frango à passarinho e pudim no cardápio
  • Billy Paul esteve várias vezes no Brasil. A última foi em agosto do ano passado. Além de Rio Preto, ele cantou em São Paulo e no Nordeste. Declarava gostar do clima e das praias de Fortaleza. Não se cansava de afirmar a admiração que sentia por Tom Jobim, Elis Regina e Jorge Ben Jor
  • Paul era corintiano fanático. Influência de Decio Cotomacio, seu empresário nos anos 1980. Colecionava itens do clube e chegou a entrar no campo com o time
  • A frequência de apresentações no País aumentava à medida que seu prestígio no exterior diminuía. Desde 1988, quando gravou o álbum Wide Open, ele estava fora dos estúdios

Fonte: Reportagem e Agência Estado

 

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