X
X

Diário da Região

24/07/2017 - 08h00min

São Paulo

Ute Lemper retorna com sua versatilidade

São Paulo

Versatilidade é a marca da cantora alemã Ute Lemper - de clássicos como Kurt Weil a contemporâneos como Nick Cave, ela navega com uma voz cristalina e uma presença marcante. É o que poderá conferir o público que for ao festival Vermelhos, que começa dia 3 de agosto, em Ilhabela. Ute falou sobre sua carreira ao jornal "O Estado de S. paulo". Por que essa identificação tão forte com a obra de Kurt Weil? As músicas de Kurt Weil constituem meu repertório de raiz. Minha formação original como artista. Foi durante a Guerra Fria, início dos anos 1980 em Berlim, que eu, pela primeira vez, me defini como uma jovem alemã do pós-guerra e uma artista com o desejo histórico e político de enfrentar o passado e o presente na Alemanha. Havia muita coisa com a qual minha geração se defrontava e foi através da música e das letras de Brecht e de Weil que encontrei meu caminho. Músicas expressionistas, sentimentais e também jocosas inusitadas no teatro e na música alemã. A música de Weil é com frequência descrita como de cabaré e você é rotulada como uma cantora de cabaré. Rótulos não são interessantes uma vez que variam de país para país. Somente nos EUA, eles me qualificam como cantora de cabaré. Mas não importa. Na verdade, minhas músicas, composições e repertório foram criados a partir da experiência de muitas culturas. Fugi de todas essas categorias à medida que minha jornada me conduziu a muitos gêneros de teatro e música. Seu repertório inclui músicas de protestos e de Kander, Ebb e Sondheim e também compositores contemporâneos como Nick Cave, Tom Waits e Elvis Costello. Como pode ser tão versátil? Não apresento tudo isso ao mesmo tempo. Você está falando de 35 anos de carreira e aventuras. Tudo teve seu tempo, mas tudo ainda vive em mim hoje e ainda me lanço a essas diferentes aventuras. O mais importante é que todas essas experiências fazem parte de mim. Eu as incorporo no meu mundo, meus gostos, minha vida e estilo. Dou vida a elas na minha versão. Na verdade, esses diferentes tipos de música se fundem com meu temperamento. Liza Minnelli foi marcante no filme Cabaret, mas você fez algo diferente. O que pode dizer sobre as músicas de Kander/Ebb? Cabaret foi há muito tempo. Em 1987, em Paris. E, no caso de Kander e Ebb, é Chicago, em 1997, em Londres e em Nova York, na Broadway. Ambos são musicais fantásticos. Adorei o estilo de Bob Fosse em Chicago. É um musical com o estilo poderoso e sexy de Cabaré, que refletia a personalidade poderosa, emancipada e andrógina da república de Weimar, na Alemanha. Em seu repertório, há Neruda, tango e a obra de Paulo Coelho. De onde vieram tais descobertas? São projetos que me são caros. Surgem com a vida e as coincidências, colaborações e se tornam realidade graças à minha fé e total dedicação. São os grandes momentos na vida em que você se envolve com alguma coisa e faz com que ela se torne real, não importam os obstáculos porque não se trata de um produto comercial. A propósito, como o público reage a essa mistura de Jacques Brel, Weil e Piazzolla? É uma poesia compatível, plena de poesia existencialista das cidades grandes cruéis e famintas, em que as pessoas buscam sentido e prazer em meio à dependência e ao abandono. Você buscou deliberadamente assumir esse papel de mediadora entre os mundos? Sou uma cidadã do mundo e sou parte das muitas culturas que carrego dentro de mim como artista e como pessoa, mas também me afasto de tudo isso e fico no meu próprio universo, onde observo as características do mundo exterior. Apenas coloco minha vida como mulher nesse mundo atual e minha musicalidade nas histórias, que são universais, não dependem necessariamente de uma identidade nacional, são histórias de vida, perda, solidão, amor e corações feridos em um mundo complicado e cruel com alguns momentos de transparência. É uma história universal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso