Diário da Região

16/07/2015 - 10h00min

MONTREUX

Turnê mundial de Gil e Caetano Veloso é o resultado de êxito

MONTREUX

O sucesso mundial da turnê de Gilberto Gil e Caetano Veloso é o resultado do êxito de décadas da música brasileira no exterior e não apenas de duas pessoas. Quem faz a avaliação é o próprio Gil, que, na quarta, 15, lotou mais um teatro ao lado de Caetano. Ovacionada no Festival de Jazz de Montreux, a dupla foi uma das principais atrações deste ano do evento, com ingressos a mais de R$ 1 mil. "Não vejo esse sucesso como algo pessoal. Ele não é nosso. É da história da música brasileira e, acima de tudo, da acumulação do trabalho de centenas de artistas brasileiros que ganharam projeção no exterior. No fundo, esse sucesso é o prestígio da música brasileira", disse em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S.Paulo. Com shows programados ainda para França, Itália, Portugal, Espanha e Israel, a turnê pode ter novas datas, diante da procura por ingressos. "A dimensão pessoal desse sucesso não tem importância. A arte brasileira teve um impacto importante no mundo nas últimas décadas, para as relações diplomáticas, políticas e econômicas", avaliou. O cantor ainda comentou a pressão contra a ideia de a turnê fazer uma parada em Israel, por conta da crise palestina e das acusações de grupos de direitos humanos contra as práticas do governo israelense. "Não fiquei surpreso com isso. Tenho ido com muita frequência nos últimos anos e todas as vezes temos tido manifestações no sentido de desestimular a ida. Mas escolhemos ir. Vou cantar para um Israel palestino. A presença de um setor importante da sociedade de Israel é favorável a um estado palestino, a uma política mais tolerante e harmoniosa. Essa parcela é quase metade da população. Eu sou dessa metade", justificou. Gil também não evita falar do momento político brasileiro. Apesar da crise, um aspecto positivo que ele destaca no País é o fato de não haver a personificação de um líder. "É bom estar sem lideranças muito pessoais. É um momento que é bom assim, que as responsabilidades em relação aos comandos estejam divididas entre os vários partidos, entre as várias personalidades. Inclusive da liderança que se exige da presidência, é bom que se tenha esse cenário para que Dilma (Rousseff) fique mais tranquila", disse. Gil, que foi ministro da Cultura no governo Lula de 2003 a 2008, também não acredita que as vozes em defesa da queda do governo tenham sucesso. "Não haverá impeachment. Não há razão nem clima. Dilma vai concluir o seu mandato. É natural que conclua." Ele diz não se surpreender diante das vozes que pedem um golpe. "A sociedade é assim. Tem gente que fala em nazismo na Alemanha, tem gente que fala em monarquia. Tem de tudo", afirmou. Gil não nega que a crise econômica no Brasil seja uma realidade. Mas, para ele, o País sofre as consequências da turbulência financeira internacional. "O Brasil está vivendo um pouco o resultado de ter-se projetado um pouco mais na cena mundial nos quatro últimos ciclos governamentais, desde Fernando Henrique, Lula e Dilma, com as mudanças importantes que ocorreram na economia brasileira", ressaltou. "Agora, o que nós vivemos é também o resultado da crise mundial que se instalou e o Brasil, por esse processo interno, passou a ser mais passível de ser afetado por qualquer coisa que possa ocorrer." Gil tem repetido sua crítica às políticas de austeridade adotadas na Europa. "O que ocorre no plano da globalização é muita dificuldade, na Europa, na Grécia. As consequências da austeridade adotada pelos bancos centrais são desastrosas", alertou ainda. Para ele, o mundo não vive a mesma tensão militar que havia nas décadas passadas. "Mas as tensões estão crescendo justamente naquilo que diz respeito à sociedade, ao dia a dia das pessoas, à renda, ao emprego, ao refugiado", avaliou. Segundo Gil, essa tensão já começava a existir quando ele se refugiou na Europa, nos anos 1970. "Essas coisas já estavam surgindo em uma Europa mais reacionária, mais obcecada com a questão dos empregos locais, a competição com o trabalhador estrangeiro. Isso tudo estava começando e agora ganhou muita força. É aí que estão as tensões hoje", completou.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso