X
X

Diário da Região

26/01/2016 - 00h00min

Teatro

Trabalho solo no Janeiro da Comédia valoriza tradição catarinense

Teatro

Vanessa Soares/Divulgação Vanderléia Will, da Pé de Vento, como Dona Bilica, autêntica representante da cultura açoriana
Vanderléia Will, da Pé de Vento, como Dona Bilica, autêntica representante da cultura açoriana

A atriz Vanderléia Will, da Cia. Pé de Vento, de Florianópolis (SC), leva hoje ao palco do festival Janeiro Brasileiro da Comédia (JBC) uma personagem que representa a autêntica cultura açoriana do litoral catarinense. O solo Dona Bilica Naquele Tempo lembra causos, rezas, cantorias, lendas e costumes de antigos moradores da ilha, perdidos na memória de uma cidade em constante transformação. O espetáculo, gratuito, será apresentado em duas sessões, no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto.

Para construir a dramaturgia junto com o diretor Renato Turnes, Vanderleia foi ao encontro de antigos moradores da ilha de Santa Catarina para ouvir suas histórias, num processo de pesquisa que durou cinco meses. Foram entrevistadas 20 pessoas - a mais jovem com 80 anos - ou seja, a última geração que viveu “naquele tempo”, conforme a atriz. O processo de criação do espetáculo foi filmado e transformado em um documentário de mesmo nome, que já recebeu vários prêmios. A peça estreou em 2014.

“Faço essa personagem Dona Bilica há mais de 20 anos, e a motivação dela é uma pesquisa que faço direcionada ao nativo de Florianópolis - ela representa o antigo morador, o descendente da colonização açoriana -, usando da comicidade e da minha experiência no teatro. Resolvi montar um espetáculo no qual colocasse essa experiência. Junto com o diretor, fizemos uma pesquisa mais profunda e captamos várias histórias, cantorias e manifestações do interior da ilha”, conta a atriz, por telefone, em entrevista ao Diário.

Em cena, Dona Bilica abre as portas de sua casa para contar, com seu humor peculiar, como era viver na ilha antes de o progresso chegar. Entre rezas e cantorias, ela volta ao tempo dos antigos e relembra a história de sua família, sua infância e juventude, conta causos que ouviu nos engenhos de farinha, histórias de bruxas e assombrações. “O espetáculo é uma homenagem à cultura da ilha e trata de um tema que não deixa de ser universal - sobre quem somos, nossa história, nossas origens, e faz um paralelo com o presente”, assinala a atriz.

“O que me impulsionou na montagem desse espetáculo foi a vontade e o respeito pela cultura da nossa ilha. Vejo nossa identidade frágil - é diferente, por exemplo, do Rio Grande do Sul ou de Estados do Nordeste”, acrescenta Vanderléia. A atriz vai a fundo no trabalho de mimesis corpóreo, uma pesquisa e laboratório intenso de observação e das entrevistas com os típicos nativos que vivem e mantêm traços da colonização açoriana em seu modo de vida. A atriz observa que o trabalho fala da identidade de cada um e da importância de ter uma referência.

“Depois que a montagem ficou pronta, pensei: ‘Se viajar pra fora, vai funcionar?’ Então, me inscrevi num festival no interior de Santa Catariana, de colonização alemã, e foi muito bem. Aí pensei que daria certo. Fui para o festival de teatro de Londrina, e também foi muito bom. Então, mesmo tendo a questão do sotaque, do linguajar, as pessoas se identificam, pois estou falando de especulação imobiliária, de crescimento desordenado, de falta de valorização da cultura dos nativos, há muita coisa em comum, os folguedos, o folclore.”

Serviço

  • 14º Janeiro Brasileiro da Comédia. Dona Bilica Naquele Tempo, da Cia. Pé de Vento. Hoje, às 19h e 22h, no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto. Entrada gratuita. Os ingressos devem ser retirados a partir das 18h, no local

 

Ricardo Puccetti - 26012016 Puccetti (de amarelo) durante atividade realizada no FIT

Lume ensina a ser palhaço

Durante quatro dias, o ator, palhaço e diretor Ricardo Puccetti, do Lume Teatro, de Campinas, vai mergulhar no universo no palhaço e compartilhar toda sua pesquisa com 25 atores inscritos na oficina O palhaço e a Utilização Cômica do Corpo, pelo Janeiro Brasileiro da Comédia. A atividade tem início hoje e segue até sexta-feira, na Oficina Cultural Fred Navarro, localizada na Casa de Cultura Dinorath do Valle.

A oficina, segundo Puccetti, será um trabalho rápido de iniciação do que é o palhaço. “Vamos focar na utilização do corpo do ator, por meio do trabalho físico. E trabalhar o que é particular de cada aluno, que, em relação ao palhaço, é muito individual. A ideia é buscar particularidades de cada ator e usar na resolução dos problemas em cena, além de entender o próprio corpo, como peso, pequenas maneiras de olhar e o ritmo do andar. Tudo isso na construção do palhaço e na sua relação com o espaço e o público, que no caso da oficina são os outros alunos.”

Puccetti promete fazer os alunos/atores suar. O artista traz para a atividade vários elementos de treinamento físico do Lume. A coluna, segundo ele, está envolvida com o corpo e com o trabalho do palhaço. Neste sentido, Puccetti vai apresentar exercícios para reforçar esta parte do corpo com estímulos. “A ideia é tirar o corpo do estado cotidiano e fazer o ator descobrir outras possibilidades. Tudo isso é feito de forma bastante divertida. Espero aprender um pouco com eles e fazer com que eles riam de si e tentem estabelecer um diálogo divertido em cena”, explica.

Não é a primeira vez que Puccetti ministra oficinas na cidade. Em 2013, ele foi responsável pela vivência O Palhaço e o Sentido Cômico do Corpo, promovida no Sesc. Em outra ocasião, trabalhou na oficina da Montagem Abre-Alas Perch: Brasil, Austrália, Escócia, que encerrou o 13º Festival Internacional de Teatro (FIT) e contou com a participação da reportagem do Diário da Região. Ao todo, foram cinco dias de atividades, que deram origem a um cortejo pelas ruas do Calçadão.

Em 2003, na primeira edição do Janeiro da Comédia, Puccetti apresentou La Scarpetta. O mesmo espetáculo será encenado no festival, sábado, com sessões às 19 e 21 horas, no Teatro Humberto Sinibaldi Neto. “Acho que já apresentamos todos os espetáculos do nosso currículo em Rio Preto. E toda vez é sempre muito bom. Criou-se um público teatral que se envolve e é sempre receptivo. Na Montagem Abre-Alas, por exemplo, reuniu jovens atores muito disponíveis em aprender.”

Repercussão

O ator Henrique Nerys é um dos atores que vão participar da oficina. O artista, que vive um palhaço no espetáculo Mundomudo, da Cia. Azul Celeste, ao lado de Jorge Vermelho, quer trabalhar ainda mais o clown dentro dele. “Descobri meu clown em 2005 e, cada vez mais, quero entender a metodologia do palhaço”, afirma.

Outro inscrito é André Moretto, que dirige 46 voluntários do grupo Sementes da Alegria, nos mesmos moldes dos Doutores da Alegria. “Trabalhamos na Santa Casa, Austa e Hospital da Criança, e fazemos questão de aprender sempre. Acredito que a oficina vai trazer conteúdo para agregar ao nosso trabalho”, diz.

A atriz Gisele Lançoni, outra participante, quer absorver todas as informações para utilizar no seu novo espetáculo. A peça A Velha Amorosa, com direção de Perpétuo Peralta, é um solo de Gisele, em que ela aborda o palhaço. “Sempre gostei de comédia e quero trabalhar ainda mais a minha comicidade.”

 

 

 

>> Acesse aqui o Diário da Região Digital

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso