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Diário da Região

20/03/2016 - 00h00min

Ativismo artístico

Rio-pretense Anna M.O. usa desenhos como ‘voz’

Ativismo artístico

Guilherme Baffi Anna Claudia Magalhães, ou Anna M.O., convida as pessoas a refletir sobre sexualidade feminina, identidade étnico-racial e racismo através de suas ilustrações-manifesto
Anna Claudia Magalhães, ou Anna M.O., convida as pessoas a refletir sobre sexualidade feminina, identidade étnico-racial e racismo através de suas ilustrações-manifesto

Desde os primórdios da espécie humana o homem utiliza o desenho para transmitir uma mensagem. Os anos se passaram, os desenhos saíram das cavernas e, hoje, servem de base para questionamentos da sociedade. E é por meio de uma das primeiras formas de comunicação que a desenhista rio-pretense Anna Claudia Magalhães, ou Anna M.O., convida as pessoas a refletir sobre a sexualidade feminina, identidade étnico-racial e racismo.

Autodidata e aos 26 anos, Anna, que também é colunista do Diário, afirma que a paixão pelo desenho nasceu com ela. “Desde pequena eu sempre gostei de desenhar. Meu primo foi uma referência para mim também. Minha família sempre me apoio e me deu vários materiais para eu desenhar.” Ela se recorda que foi na sétima série que teve o primeiro contato com aquarela. “Eu adorava aula de artes e me encantei pela aquarela durante uma aula. Vários anos se passaram e depois de adulta resolvi comprar aquela tinta que usei na escola e fazer meus desenhos.”

É com aquarela, nanquim e papel que Anna expressa seus pensamentos. “Eu sei que não é um caminho fácil. A arte ainda é desvalorizada, ainda mais quando feita por uma mulher. E os assuntos que eu abordo então, apesar de mais discutidos, ainda são tabus. Uso as redes sociais para atingir um público maior”, justifica. Anna começou a ter o trabalho conhecido depois de participar do projeto Maria Vai Com As Outras, em que desenhava com base nos textos produzidos por outras participantes. Chegou a expor em centros culturais na cidade.

Integrante do Movimento Mulheres em Luta, Anna foi idealizadora do especial Vaginarte, dentro do festival Breu, do Sesc, no ano passado. A iniciativa nasceu a partir de uma série de ilustrações de mesmo nome, com desenhos alusivos à masturbação feminina e à vagina. O evento reuniu diversas atividades artísticas protagonizadas por mulheres. Anna tem seis séries de desenhos. Na mais recente, O Que Não é Branco, a desenhista traz a condição do negro perante a sociedade, com base em suas experiências pessoais também.

“Com dois desenhos tenho ligação direta. No que uma mulata está sambando, tento transmitir a sexualização da mulher negra. Sempre alguém fala para eu sambar. O outro é uma menininha vendo uma vitrine cheia de bonecas brancas. Quando eu era criança, não tinha essa consciência, mas isso era a minha realidade.” Apesar de expressar seus pensamentos por meio de textos, no blog Um Eu Todo Retorcido, Anna acredita que o desenho é mais impactante. “Ele toca mais as pessoas e leva o observador para uma análise pessoal. Todas as séries têm a intenção de despertar a reflexão sobre diversos tipos de opressões”, argumenta.

Com inspiração em Frida Kahlo e na grafiteira Anarkia Boladona, Anna agora se prepara para mergulhar no universo do grafite. O nome artístico Anna M.O. tem ligação com Sigmund Freud. A desenhista se inspirou na primeira paciente do psicanalista, que se chamava Anna O. Apesar de apresentar sintomas de depressão, considerados como histeria na época, a paciente realizou projetos sociais e feministas.

 

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