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Diário da Região

11/10/2016 - 00h00min

ELE ESTÁ ENTRE NÓS

Renato Russo tem sua obra reverenciada até hoje, 20 anos após sua morte

ELE ESTÁ ENTRE NÓS

Divulgação Russo deu voz a uma geração que queria liberdade
Russo deu voz a uma geração que queria liberdade

Renato Russo, um mito quando morreu, há 20 anos, no dia 11 de outubro de 1996, é cultuado ainda hoje entre aqueles que não conheceram em vida. Quem viu, não esquecerá. Sente saudades do porta-voz daquela geração, o poeta do rock. À frente da Legião Urbana, a maior banda de rock do Brasil, Russo foi vítima do vírus HIV.

Antes de partir, vendeu 25 milhões de discos e lotou casas de shows em todo o País. Suas canções, mesmo após décadas, estão na ponta da língua. Fala de indignação, como a sujeira do Senado. De amor, como se não houvesse amanhã. De sonhos, como o que você quer ser quando crescer. Das aventuras de João de Santo Cristo e da relação complexa entre Eduardo e Mônica, comprovando que não existe razão nas coisas feitas pelo coração.

Rio Preto, assim como todas as cidades do Brasil, recebe uma série de eventos nesses dias de outubro em homenagem ao mito. Nesta quarta-feira, 12, a banda Lote 14, cujo vocalista Rodrigo Molina se destaca com uma voz parecida a de Russo, se apresenta no Vila Dionísio. Serão 35 canções durante as três horas de Legião Urbana.

“Cantaremos os clássicos e também algumas do lado B”, diz o vocalista e gaiteiro da Lote 14, que também fará show semelhante, no próximo dia 21, no bar Boemia. Além de outros já realizadas em Rio Preto nas últimas semanas. “Como é o mês da morte, temos sido procurados para homenagear o Renato Russo.”

Molina, formado em direito e advogando na área cível, moldou seus gostos musicais por conta dessa admiração pela Legião Urbana. Começou na adolescência. “Com 15 anos, tocávamos em banda de garagem”, disse. “O Renato Russo impressionou com suas letras, depois fui procurando conhecer mais e peguei gosto pelas melodias. Ele falava o que queríamos ouvir”, conta.

O músico e fã se arrepia ao falar de Russo. Entre as canções, destaca Ainda é Cedo. “Comecei a tocar gaita por causa da música Sete Cidades. Aliás, num show, cantando essa música, um casal começou a chorar. Foi com essa canção que eles haviam se casados.”

Rodrigo Molina 11102016 Dono de uma voz que é semelhante a de Renato Russo, o cantor Rodrigo Molina faz cover da Legião com Lote 14

De geração em geração

O poeta do rock, inesquecível para quem foi jovem nos anos 1980 e 1990, está presente nos dias atuais. Na casa da empresária Ayla Farias, o filho de 7 anos é vidrado na banda Legião Urbana.

Ayla estava no primeiro ano da faculdade quando soube, pela tevê, da morte de Russo. “Lembro que a sensação era de ‘E agora?’”, recorda Ayla, que hoje mora em Rio Preto, mas nasceu em Belém-PA e estava em Brasília para fazer faculdade. “Foi meio que um vazio. Ficamos órfãos. E, realmente, não surgiu nada parecido no cenário musical.”

Quando Russo morreu, ela tinha 18 anos. Gostava da Legião Urbana desde os 13 anos. Canta até hoje e ensinou ao filho Yuri. “Além de ainda ouvir muito e continuar me identificando com tudo, tenho a felicidade de ver meu filho de 7 anos curtindo também. De tanto ouvir comigo, ele passou a gostar. Curte, ouve, vê os clipes. E vamos juntos ao próximo show (dia 28 de outubro, em Brasília)”, comenta.

Entre as canções preferidas, ela destaca Tempo Perdido, Duas Tribos, O Senhor da Guerra, Beader Meinhof Blues, Mais do Mesmo. “Eu passei minha adolescência ouvindo. E sempre tinha um lance de interpretar, tentar entender aquelas letras e, claro, achar que era pra nós. Isso que fez de Renato e a Legião uma banda única: a gente se identificava com aqueles sentimentos. Com a dor de cotovelo, a revolta pelo País, a incerteza juvenil. Éramos aquilo que eles cantavam.”

Música atemporal

Música atemporal e que vai de encontro com o que sentimos. Esse é o legado de Renato Russo à frente da Legião Urbana, segundo o sociólogo Marcos Favari. 

Em sua canção Perfeição, há versos imortalizados como ‘celebrar a juventude sem escola’ - algo que ainda persiste no Brasil. Atualmente, 16% dos brasileiros com idade entre 15 e 17 anos não frequentam a escola, segundo dados do Pnad/IGBE - em 1993, quando a música estourou, esse índice era de 38%.

A banda surgiu em um momento efervescente com a redemocratização do Brasil, após a dolorosa ditadura militar, e pregava a liberdade - item básico para a juventude. Favari recorda que o povo brasileiro vivia dias de amargura com a opressão do governo.

“O Renato Russo sempre pregou a igualdade social e também sexual. Mas suas músicas são marcadas pelo sentimentalismo. Cada canção reflete um momento em que estamos passando”, diz o sociólogo. 

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