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Diário da Região

29/04/2017 - 09h30min

Relato em que o íntimo e o político se comentam entre si

A premiação do É Tudo Verdade é na noite deste sábado, 29, mas ainda há tempo para ver o ótimo Perón, Meu Pai e Eu, de Blas Eloy Martinez, e há mais filmes ainda amanhã. Blas é filho do escritor argentino Tomás Eloy Martinez (1934-2010), autor de belos livros como Santa Evita e O Cantor de Tangos. O pai, portanto, ocupa o eixo da história. E, em especial, por um dado de sua biografia profissional. Tomás Eloy estava na Europa quando foi designado para entrevistar Juan Domingo Perón (1895-1974), então no exílio em Madri. A conversa estendeu-se por quatro dias seguidos. Eloy produziu o material, escreveu um livro, guardou as fitas da gravação e não mais tocou no assunto. Quem as encontrou foi o filho, Blas, após a morte de Eloy. Foi também o resgate do pai pela memória do filho. O filme oscila entre duas pontas. Um filho que tenta se reaproximar, de maneira imaginária, de um pai já morto e com quem conviveu pouco. Tomás Eloy Martinez viveu muito tempo no exterior e exilou-se durante o governo de Isabelita Perón e a ditadura. E há o aspecto político, com o resgate das fitas e de um personagem que marcou a política Argentina em boa parte do século 20 e segue influente até hoje, tantos anos após sua morte. Há um dado intrigante nas conversas gravadas. Ouvimos, claro, as perguntas de Tomás Eloy Martinez e as respostas de Perón; uma terceira voz, porém, se interpõe entre as duas. Muitas vezes responde no lugar de Perón, dá palpites, às vezes impertinentes. Trata-se de Lope Rega, "el brujo", figura influente na família Perón, misto de espiritualista, charlatão e direitista (fundador da Triple A, o comando anticomunista). Rega volta com os Peróns do exílio e, com a eleição do caudilho, torna-se influente no governo. Seu poder aumenta com a morte de Perón e a posse da mulher e vice, Isabelita Perón, que, dois anos depois, seria deposta pelo golpe militar. O exílio de Tomás Eloy deve-se à perseguição de Rega. No limite do relato intimista e de reflexão política, Perón, Meu Pai e Eu é tocante e esclarecedor, em especial quando as linhas da História e da vida privada se entretecem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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