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Diário da Região

21/07/2015 - 00h00min

Casas-históricas

Pesquisador rio-pretense está em busca do passado de olho no futuro

Casas-históricas

Hamilton Pavam/Arquivo Alexandro Blanco começou no teatro e chegou até a se apresentar no FIT de 2011, como diretor da peça “Dois Dias Antes do Resto do Mundo”, no antigo IPA. Hoje, dedica-se a buscar novas formas das pessoas se relacionarem com os museus no país
Alexandro Blanco começou no teatro e chegou até a se apresentar no FIT de 2011, como diretor da peça “Dois Dias Antes do Resto do Mundo”, no antigo IPA. Hoje, dedica-se a buscar novas formas das pessoas se relacionarem com os museus no país

Os conceitos que estruturam um museu-casa histórica - tipo de museu abrigado num imóvel que pertenceu a alguém e que busca preservar sua forma original, bem como seus ambientes e objetos - despontam como uma tendência na renovação da museologia no cenário internacional. Mais que um simples espaço de exposição, os museus são encarados como locais importantes para entender as dinâmicas históricas, culturais e sociais das cidades e regiões que os abrigam. 

Esse novo paradigma permeia um curso inédito criado pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM) e pelo Comitê Internacional para Museus-Casas Históricas. O Brasil é o primeiro país a sediar o Curso de Formação Profissional para Museus-Casas Históricas, que acontecerá de 29 de agosto a 15 de setembro, em São Paulo. E Rio Preto está representada entre os 30 profissionais e pesquisadores que vão participar desse projeto-piloto. O rio-pretense Alexandro Blanco, pesquisador na área de história da arte, teve seu currículo selecionado pela curadoria do curso de formação.

A participação no curso é a oportunidade única de ter aulas com grandes especialistas da museologia no mundo, como Kate Frame, conservadora-chefe dos Palácios Reais Históricos do Reino Unido; Luc Vanackere, diretor do     Kasteel van Gaasbeek (Bélgica); e Aysen Savas, diretor do departamento de arquitetura da Universidade Técnica do Oriente Médio (Turquia). "O curso busca dar uma visão voltada ao conteúdo social na formação dos profissionais brasileiros que atuam na museologia. Todos os participantes terão de conceber um projeto ao final do curso, contribuindo para o desenvolvimento da área no País", explica Blanco.

Mediação cultural

A experiência do pesquisador rio-pretense nesse segmento da museologia veio por meio de pesquisa realizada no Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão, cujo acervo abriga obras de importantes artistas do modernismo. Sede de veraneio do governo do Estado de São Paulo, o Boa Vista se constitui em um museu-casa-palácio, pois, além das obras de arte, sua arquitetura e mobiliário são importantes no entendimento da história da arte no Brasil.

Frequentador do Boa Vista desde os tempos de criança, o rio-pretense buscou em sua pesquisa identificar questões que pudessem dinamizar as visitas monitoradas realizadas no local, criando uma aproximação com o turista por meio de uma ação educativa.  "Sentia que as visitas monitoradas do Boa Vista eram muito mecanizadas e repetitivas, se concentrando principalmente em informações técnicas. Minha pesquisa buscou desenvolver uma mediação cultural entre monitores e visitantes, ampliando o entendimento para além das questões técnicas do acervo, do mobiliário e da arquitetura", declara.

Além das aulas teóricas, o Curso de Formação Profissional para Museus-Casas Históricas também envolve visitas técnicas em museus de São Paulo, como o Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, Museu Casa de Portinari, Solar da Marquesa de Santos, entre outros espaços.

Museu do Silva serve de exemplo

Em Rio Preto, cidade que não dá a devida atenção para a preservação de seu patrimônio histórico e cultural, o Museu de Arte Primitivista "José Antonio da Silva", o MAP, é um bom exemplo de museu-casa histórica, segundo o pesquisador Alexandro Blanco. "O MAP é um espaço que reúne elementos da vida de Silva, expoente do primitivismo, e de sua relação com Rio Preto, que estão entre os atributos de um museu-casa histórica", explica o pesquisador.

Por outro lado, Blanco também destaca que há critérios para manutenção de um acervo. "Não tenho contato com o trabalho do museu para saber se todos esses critérios são levados em conta. No entanto, ele se configura como um museu-casa por se dedicar à vida de um artista."

Teatro

O ingresso de Blanco no campo das artes foi por meio do teatro. Aluno do curso oferecido pela Casa de Cultura "Dinorath do Vale", ele atuou como dramaturgo e ator em Rio Preto, participando, inclusive, da edição 2011 do Festival Internacional de Teatro (FIT), com a peça "Dois Dias Antes do Resto do Mundo". Blanco lembra que sua peça foi apresentada no local que abrigava o Instituto Penal Agrícola (IPA), e naquela época as questões ligadas à preservação da memória já o perseguiam.

"Quando chegamos para um ensaio no local, me chamou a atenção um grande painel da Santa Ceia pintado por um detento, que simplesmente estava jogado em um canto. Por mais que tenha sido feito por um anônimo, ele é importante no entendimento da história daquele local. Felizmente, esse painel está hoje no refeitório da Fatec", conta o rio-pretense, citando apenas um dos vários exemplos de descasos com a memória local.

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