Diário da Região

28/06/2016 - 00h00min

A VIOLA DE LUTO

Morre aos 95 anos o compositor sertanejo Joaquim Moreira

A VIOLA DE LUTO

Johnny Torres/Arquivo NULL
NULL

Joaquim Moreira, compositor dos clássicos Rio Preto de Luto e Tragédia do Turvo, morreu no último domingo, 26, aos 95 anos, em Rio Preto. A causa da morte foi insuficiência respiratória aguda e crônica, infarto agudo do miocárdio e osteoporose com fratura. O poeta caipira estava internado desde o dia 19 de junho, na Santa Casa. Ele foi hospitalizado após sofrer uma queda e quebrar o fêmur. Na última quarta-feira, 22, Moreira passou por cirurgia, mas não conseguiu se recuperar, teve uma piora no quadro respiratório e não resistiu.

O corpo do compositor foi velado no mesmo dia, até às 13h30, no Cemitério São João Batista. O sepultamento ocorreu em Aparecida d’Oeste. “Ele pediu para ser enterrado ao lado de sua mãe. Dizia que queria ficar perto dos cabelinhos brancos dela. Cumpri o que havia prometido a ele”, conta o aposentado Sidinei da Silva Ribeiro. Amigo desde 2005, Ribeiro era chamado de secretário pelo compositor, que morava há cerca de dois anos no asilo de Engenheiro Schmitt. Foi Ribeiro quem trouxe o artista novamente para Rio Preto após ele ser encontrado, depressivo e esquecido, em um asilo de Palmeira d’Oeste.

Em agosto de 2014, o Diário da Região fez uma visita ao compositor no asilo de Palmeira d’Oeste e na época ele contou sobre a vontade de retornar a Rio Preto. Meses depois, em outubro, outra matéria sobre ele foi publicada falando do retorno e de como Moreira estava feliz com a possibilidade de voltar a frequentar as festas de Santos Reis e para as cantorias junto com os amigos.

 

Joaquim Moreira 2 - 28062016 Moreira chegou a participar de uma homenagem a ele no asilo de Schmitt, no dia 19 deste mês

Dias antes de morrer, no dia que sofreu a queda, o compositor participou da 20ª edição do evento A viola solidária, no asilo, que levou mais uma vez violeiros, cantores e instrumentistas ao local. “O evento foi uma forma de se despedir dele. Ele estava radiante, saudável, lúcido, tinha visão perfeita e só um problema de audição que foi corrigido com um aparelho. Mas no dia do evento musical ele se atrapalhou ao recitar algumas poesias e se perdeu ao cantar canções. Deu uns sinais de lapsos de memória”, afirma Ribeiro.

Além de Rio Preto de Luto - canção imortalizada nas vozes de Garcia & Zé Matão e logo depois por Tião Carreiro & Pardinho, sobre a tragédia do rio Turvo e as mortes de personalidades rio-pretenses -, o compositor acumulava mais de 300 canções de sua autoria no currículo, sendo que mais de 100 foram gravadas. Duplas como Divino & Donizete, Vieira & Vieirinha, Liu & Léu, Roberto & Meirinho e Zé do Cedro & João do Pinho foram alguns dos muitos intérpretes de suas canções.

Natural de Novais, ele nasceu em 1920 no dia 8 de dezembro, Dia da Imaculada Conceição de Maria, mas só foi registrado no dia 5 de fevereiro de 1921 em Paraíso. Ele se casou uma vez, mas logo se separou, e não teve filhos. Segundo Ribeiro, ele não deixou bens, apenas suas músicas. Sua canção Promessa do Monsenhor, por exemplo, foi uma inspiração para a criação de uma novena na Igreja Perpétua Socorro. Outros sucessos foram Nadando em Dinheiro, que ficou conhecida pela dupla Liu & Léu, e Ladrão de Capado, cantada por Zé do Cedro e João do Pinho sobre um porco gordo.

Além das composições, Joaquim Moreira era um apaixonado pela Folia Reis. Ela era um grande pesquisador da manifestação cultural religiosa e tinha um acervo grande sobre a história. Era uma espécie de embaixador da Folia de Reis na cidade. “Ele era diferenciado porque tinha um profundo conhecimento da cultura e tinha pureza em suas intenções. Ele também era muito religioso, um mestre em catira e folia de reis”, afirma Ribeiro, que visitava Moreira uma vez por semana no asilo e pagou as despesas do velório. “Ele tinha poucos amigos. Posso contar a quantidade em uma mão só.”

 

Arte - Letra de música - clique na imagem para ampliar

O pesquisador Romildo Sant’Anna, autor do livro A moda é viola, lamentou a morte solitária de Joaquim Moreira. “O compositor fica escondido por trás do intérprete. É algo solitário o ato de compor e quando chega a velhice confirmamos esta solidão, que é uma situação desagradável.” Sant’Anna conta que convidou Moreira para ser jurado do festival A moda é caipira, realizado há cerca de 15 anos, no Sesc em Catanduva. “Ele era um livro aberto, homenageou Rio Preto em suas canções e deixou uma produção artística que mexe com a sensibilidade e com a história do caipira.”

Há quatro anos, Joaquim Moreira recebeu uma homenagem em vida no Teatro Nelson Castro. “O evento especial para ele lotou o espaço e reuniu os maiores fãs, intérpretes e amigos. Ele foi um dos maiores compositores no estilo raiz em Rio Preto e no Brasil”, afirma o assessor da secretária de Cultura, Edivan Gaúcho. O compositor também estava sempre presente nos eventos de folia de reis na Praça Cívica. “Ele era um profundo conhecedor, uma lenda. As pessoas queriam ele ali nos eventos”, revela.

Um dos fãs de Joaquim Moreira é o violeiro Marcell Carrara. Ele conta que conheceu o compositor há 18 anos, quando Moreira ainda morava na Boa Vista, um ano após Carrara iniciar sua carreira. “Eu conheci ele pessoalmente. Como sempre fiz melodia, combinei com ele de fazer algumas melodias em letras dele, mas não deu certo. Mesmo assim, ele sempre foi um referência e uma inspiração no estilo raiz”, afirma Carrara, que hoje faz dupla com Gabriel.

 

 

 

 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso