Diário da Região

10/11/2013 - 01h44min

Bienal

‘Menino-prodígio’ da arte conquista a Europa

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DIvulgação “Diálogo entre Arranjos, Constelações e Tempo 1”: acrílico, esmalte, lápis e caneta sobre tela e ferro
“Diálogo entre Arranjos, Constelações e Tempo 1”: acrílico, esmalte, lápis e caneta sobre tela e ferro

Um jovem artista plástico rio-pretense é um dos cinco nomes brasileiros da cena contemporânea presentes na Bienal de Lyon, na Franca, que teve início em 12 de setembro passado e vai até 5 de janeiro de 2014, com obras espalhadas por cinco espaços da cidade. Paulo Nimer, que anteriormente adotava Pjota, ocupa, na verdade, lugar de destaque na mostra. É responsável pelo projeto da fachada do prédio principal, uma antiga fábrica de açúcar chamada “Le Sucriere”.


O artista tem 25 anos e mora desde os 17 em São Paulo, paisagem urbana que é forte referência em seu trabalho. Ele cursou artes visuais na capital paulista e lá decidiu fincar os pés, conquistando seu espaço na cena artística. Exposições nos Estados Unidos e em Londres estão em seu currículo.


Nimer começou na pintura por volta dos 12 anos, ainda em Rio Preto, como forma de expressar-se para conhecer a si mesmo. Com seu trabalho, o artista trata da relação da pintura com o cotidiano, com o espaço público e com a história, e cria junto a isso narrativas de cunho político e sócio-cultural. Agora, ele vive um momento novo. Além da Bienal, também integra uma mostra coletiva em Oslo, na Noruega, e participa de uma residência artística em Grigny, interior da França. De lá, o artista, que é neto do jurista rio-pretense Paulo Nimer, conversou com o Diário. Confira:


Anne Terade/Divulgação Nimer também marca presença na Noruega e no interior da França
Diário da Região - Com quais obras você participa da atual edição da Bienal de Lyon, e o que essa experiência tem te proporcionado?
Paulo Nimer - Estou expondo duas pinturas em chapa de ferro e tela, feitas em 2013, além disso fui convidado pelo curador Gunnar Kvaran a realizar o projeto da fachada do prédio principal onde a exposição se encontra. O local se chama Le Sucriere. É uma antiga fábrica de açúcar construída em 1930 que se transformou em espaço expositivo. Toda bienal um artista é convidado para realizar o projeto que ocupará a fachada. A experiência está me proporcionando uma visão mais profunda do cenário da história da arte europeia e geral. Tive a oportunidade de conhecer pessoas e visitar museus e galerias que não havia estado até então. Essa experiência com certeza se revelará em alguma momento da minha produção.

Diário - Além da Bienal de Lyon, onde mais seu trabalho está exposto?
- Muitos: Cy Twonbly, Rauschemberg, Tapies, Duchamp, Tom Sachs, - Além da Bienal de Lyon participo de uma exposição de artistas brasileiros intitulada “Imagine Brazil”, no museu norueguês “Astrup Fearnley”. Esta exposição tem a curadoria de Gunnar B. Kvaran, diretor do Astrup Fearnley Museet; de Hans Ulrich Obrist, codiretor da Serpentine Gallery; e de Thierry Raspail, diretor do MAC Lyon. A exposição procura juntar um grupo de artistas jovens emergentes e alguns outros já consagrados. Também participei de uma exposição em Paris, em outubro, e agora estou participando de um projeto chamado “Veduta”, uma residência artística integrada à Bienal de Lyon. Fui convidado para passar um mês em uma cidade chamada Grigny, no interior da França, e realizar um projeto que tivesse ligação direta com os moradores.

Diário - Conte um pouco sobre como começou na pintura.
Nimer - Comecei como qualquer jovem que precisa se expressar para conhecer a si mesmo. A pintura foi o que me chamou mais atenção, ainda com 12 para 13 anos. Existia e existe uma vontade interna de indagar e questionar situações cotidianas, sociais e políticas que me move, e busquei na pintura levantar essas questões. Hoje em dia, não uso só a pintura como linguagem, mas o meu pensamento é pictórico.

Diário - E como a mudança para São Paulo influenciou seu trabalho?
- Muitos: Cy Twonbly, Rauschemberg, Tapies, Duchamp, Tom Sachs, - Mudei para São Paulo com 17 anos. Lá entendi as possibilidades e as linguagens pertencentes à história da arte, me formei em artes visuais e pude estudar a respeito disso tanto na faculdade quanto na vivência com outros artistas, críticos e curadores, além do amadurecimento através da mudança que se revela no trabalho. Infelizmente, em cidades menores como Rio Preto a informação cultural que se dispõe é limitadíssima, é muito difícil que haja exposições, bom filmes, palestras. Em São Paulo, o acesso é mais rápido, existe mais informação e maiores meios para se buscar tais informações.

Diário- Como você define sua arte? Fale um pouco também sobre materiais, técnicas e temas que trabalha.
- Muitos: Cy Twonbly, Rauschemberg, Tapies, Duchamp, Tom Sachs, - Eu não defino minha arte. Tento fugir de definições genéricas e categorizações. O que posso dizer é que busco com a minha produção discutir questões que me aflingem e que acredito serem importantes dentro do século em que vivemos (mas isso é o que todo ou quase todo artista faz). O meu trabalho fala sobre a relação da pintura com o cotidiano, com o espaço público e com a história. Junto a isso crio narrativas de cunho político e sócio-cultural. Faço isso de maneira subjetiva, com o intuito de possibilitar interpretações heterogênas, que não precisam ser exatamente a que proponho. Nos trabalhos recentes falo sobre colonização, relações entre países subdesenvolvidos como Brasil, continente africano e Oriente Médio. Discuto esses temas através da subjetividades e da simbologia da imagem, texto e objeto. Nesses trabalhos, por exemplo, utilizei como suporte algodão cru, linho, metal, concreto e tijolo baiano. Todos esses materiais não são apenas escora para inserção da pintura. Existe uma preocupação na utilização dos mesmos, assim como na utilização da cor e das imagens, para que todo esse emaranhando se interligue e se relacione.

Diário - Você continua sediado em São Paulo? Como estão os planos?
- Muitos: Cy Twonbly, Rauschemberg, Tapies, Duchamp, Tom Sachs, - Não tenho ateliê fixo, eu mudo de lugar sempre. O último lugar que usei como ateliê foi o Pivô, um espaço cultural no edifício Copan, no centro de São Paulo, que abriga um projeto de ateliês coletivos, além de exposições e outras coisas. Ainda moro em São Paulo, mas tenho planos para outros lugares.

Diário- Quais artistas são suas referências?
Nimer - Muitos: Cy Twonbly, Rauschemberg, Tapies, Duchamp, Tom Sachs, Yves Klein, Kiki Smith, Frans Snyders. Muitos já passaram pelas minhas pesquisas. Mas além de artistas acredito que o universo com o qual nós trabalhamos não se limita a ele mesmo, e as referências vêm de diversas partes. Tenho uma forte influência de desenhos e pinturas de cadeia, imagens de guerra, arquitetura vernacular e popular.



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